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    10 séries anime que nunca mais foram as mesmas depois de escândalos

    Ao longo dos anos séries anime que tinham tudo para serem as melhores foram atingidas por escândalos completamente alheios ao que acontecia no anime, e em muitos casos, o estrago foi irreparável.

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    Samurai X

    imagem promocional Temporada 2 da nova série anime de Samurai X

    Em novembro de 2017, a polícia metropolitana de Tóquio deteve Nobuhiro Watsuki, o criador do mangá Rurouni Kenshin (Samurai X), na posse de dezenas de DVDs com material de abuso sexual de menores. O autor não negou os factos, pelo contrário, confessou perante as autoridades e declarou, no seu depoimento, que tinha particular interesse em meninas entre os últimos anos do ensino básico e o início do secundário. A confissão chocou fãs em todo o mundo. Rurouni Kenshin era um título com mais de 60 milhões de cópias vendidas, uma série anime com 95 episódios, filmes live-action de grande sucesso, e uma geração inteira de fãs que tinha crescido com Kenshin Himura.

    A sentença que se seguiu só piorou as coisas. Em fevereiro de 2018, o tribunal condenou Watsuki ao pagamento de uma multa de 200.000 ienes, cerca de 1.100 euros à data, sem qualquer pena de prisão. Quatro meses depois, a continuação do mangá estava de volta às páginas da Jump SQ como se nada tivesse acontecido, com a editora Shueisha a publicar uma nota a dizer que Watsuki tinha passado por um período de reflexão. Para muitos fãs, foi a segunda bofetada. A questão já não era apenas o crime, era a facilidade com que a indústria japonesa tratou o assunto como um contratempo temporário em vez de uma linha que não se volta a atravessar.

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    Kokoro Connect

    Kokoro Connect

    Kokoro Connect estreou em 2012 como uma série de ficção científica com drama adolescente, um grupo de estudantes que se vê forçado a trocar de corpo e a partilhar emoções sem qualquer controlo. A premissa tinha potencial, e a série recebeu uma recepção razoável durante a sua emissão. O problema é que dificilmente alguém fala dela hoje por causa dos episódios.

    O que marcou Kokoro Connect foi um episódio que aconteceu fora das câmaras, antes mesmo de a série terminar de ser transmitida. O produtor Takahiro Yamanaka, da King Records, orquestrou uma partida ao ator de voz iniciante Mitsuhiro Ichiki. Chamaram-no para uma audição para um personagem original criado especificamente para a adaptação anime, um personagem que nunca existiu. Montaram o cenário com outros candidatos falsos, câmaras escondidas, e o próprio diretor da série presente para tornar tudo mais convincente. Depois de Ichiki ter feito a audição de boa fé, foi convidado para um evento de apresentação transmitido ao vivo no Ustream e no NicoNico Douga. Foi aí que tudo se desmoronou, em frente a uma audiência, passou uma montagem editada das suas gravações de audição, narrada de forma ridicularizante por Takuma Terashima, um dos atores principais da série. Ichiki ficou a saber, ao vivo, que o papel nunca existiu e que o seu novo trabalho seria servir como relações públicas da série, incluindo a obrigação de aumentar os seguidores no Twitter para 30.000 num prazo de uma semana, sob pena de “jogos de punição”. Um desses jogos, mais tarde transmitido online, envolveu Ichiki a ser eletrocutado.

    A reação foi intensa. O público japonês, que leva a sério o mundo da dobragem, uma área extremamente competitiva onde a reputação pública é fundamental, viu o episódio como um abuso de poder flagrante. As pré-encomendas do Blu-ray foram canceladas em massa, o programa de rádio da série foi encerrado, e vários envolvidos viram as suas contas nas redes sociais inundadas de críticas. Kokoro Connect nunca recuperou a reputação. Hoje é muito mais fácil encontrar artigos sobre o incidente do que sobre a série em si.

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    Hetalia: Axis Powers

    Hetalia: Axis Powers

    Hetalia começou como uma comédia de humor ligeiro que personificava países como personagens animados e brincava com estereótipos nacionais de forma supostamente satírica. No Japão, a recepção foi positiva. Noutros países, a história foi bastante diferente.

    Na Coreia do Sul, a reação à personagem coreana, considerada uma representação ofensiva e historicamente distorcida pelos telespetadores e por diversas organizações, foi suficientemente forte para que as emissoras cancelassem a transmissão televisiva da série antes mesmo de ela estrear no país. O personagem foi retirado da adaptação na íntegra. Para além desta questão, a série enfrentou críticas mais amplas pelo uso de estereótipos que, em vez de serem claramente satíricos, acabavam por reforçar imagens simplificadas e por vezes herdadas de contextos históricos sensíveis. O debate nunca chegou a uma conclusão definitiva, há quem defenda que a série sempre foi apenas humor inofensivo, e há quem argumente que o humor baseado em estereótipos nacionais raramente é tão neutro quanto parece. O que é certo é que Hetalia ficou associada a essa discussão de forma permanente.

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    School Days

    School Days tem uma reputação única no mundo do anime, começou como um romance escolar convencional e terminou com um dos finais mais perturbadores que o género alguma vez produziu. Traições, violência gráfica, e uma espiral psicológica que deixou muitos espectadores genuinamente desconfortáveis. Era polémica suficiente para qualquer série.

    Mas o que solidificou a infâmia de School Days foi algo completamente exterior ao guião. Em 2007, pouco antes de o episódio final ser transmitido, um crime com circunstâncias superficialmente semelhantes ao desfecho da série aconteceu no Japão. As emissoras reagiram de imediato e cancelaram a transmissão do episódio à última hora. No seu lugar foi colocado um vídeo de arquivo com um barco à deriva num lago, sem qualquer contexto explicativo. A internet japonesa rapidamente apelidou o momento de “Nice Boat”, uma expressão que passou a representar ao mesmo tempo o absurdo da situação e o impacto emocional da série. O meme sobreviveu até hoje. School Days também sobreviveu, mas carrega desde então uma camada extra de peso que vai muito além do que os seus criadores alguma vez pretenderam.

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    Pokémon

    Pokémon anime visual antigo

    Pokémon é provavelmente a franquia anime mais conhecido do mundo, mas tem no seu histórico um episódio que nunca mais foi exibido, literalmente. A 16 de dezembro de 1997, o episódio 38 da primeira temporada foi transmitido no Japão. Chamava-se “Electric Soldier Porygon” e, durante uma sequência de animação, incluía flashes vermelhos e azuis a alta frequência, na ordem dos 12 Hz, durante vários segundos seguidos.

    O resultado foi o maior incidente de crises epiléticas fotossensíveis alguma vez registado causado por um programa de televisão. Cerca de 685 crianças foram transportadas de ambulância para hospitais em todo o Japão, com sintomas que iam de convulsões a náuseas e visão turva. A série entrou em hiato durante quatro meses, todos os episódios anteriores foram reeditados para reduzir efeitos visuais semelhantes, e o episódio em causa nunca mais foi transmitido em nenhum país do mundo. O pormenor mais irónico é que a sequência de flashes responsável não foi causada por Porygon, o pokémon que dá nome ao episódio, mas pelo ataque de Pikachu. Ainda assim, Porygon e as suas evoluções foram banidos de qualquer aparição futura na série animada. Uma punição coletiva aplicada ao personagem errado, que ficou na história do anime como um dos casos mais caricatos de gestão de crise.

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    Tokyo Babylon 2021

    A adaptação moderna de Tokyo Babylon, o clássico dos anos 90 do grupo de mangakás CLAMP, era um dos projetos mais aguardados do seu ano. A série original tinha uma base de fãs fiel e a promessa de uma releitura contemporânea era mais do que suficiente para gerar entusiasmo. Esse entusiasmo durou pouco.

    Quando as primeiras imagens promocionais foram divulgadas em finais de 2020, fãs atentos rapidamente identificaram semelhanças entre os designs dos figurinos dos personagens e peças externas, incluindo o visual de um idol de K-pop e designs de bonecas Volks, sem qualquer menção de crédito ou inspiração declarada. O comité de produção pediu desculpas publicamente e anunciou um adiamento do projeto. Mas quando uma auditoria mais aprofundada revelou novos casos de material copiado sem atribuição, a decisão foi definitiva: o anime foi cancelado e o estúdio GoHands foi afastado do projeto.

    Uma nova produção com uma equipa diferente foi prometida, mas o entusiasmo inicial dificilmente se repete. Tokyo Babylon 2021 tornou-se num caso de estudo sobre como a falta de rigor num departamento criativo pode destruir um projeto inteiro antes de um único episódio ser transmitido.

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    Interspecies Reviewers

    Gifu Broadcasting vai começar a exibir Interspecies Reviewers

    Interspecies Reviewers era uma comédia de fantasia para adultos que rapidamente se tornou viral logo após a sua estreia em janeiro de 2020 e quase tão rapidamente se tornou no centro de uma crise editorial. A Funimation, que tinha licenciado a série para distribuição nos mercados ocidentais e já a promovia ativamente, retirou-a de forma abrupta, invocando que o conteúdo não cumpria os seus padrões. A decisão foi criticada por muitos como inconsistente, dado que a plataforma distribuía outro conteúdo de teor semelhante sem levantar objeções.

    No Japão, emissoras como a Tokyo MX e a Sun TV suspenderam a transmissão a meio da temporada. Apenas canais de menor dimensão continuaram a exibi-la. O que era suposto ser um nicho de entretenimento adulto transformou-se num debate de dimensão considerável sobre censura, sobre os critérios aplicados pelas plataformas de streaming ao conteúdo explícito, e sobre a diferença entre o que é permitido e o que é efetivamente aplicado de forma coerente. A série sobreviveu através de canais alternativos, mas a sua memória pública ficou definitivamente ligada à polémica tanto quanto ao conteúdo propriamente dito.

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    Golden Kamuy

    Golden Kamuy foi amplamente elogiado pela abordagem ao período histórico do norte do Japão no início do século XX e pelo esforço em retratar a cultura Ainu, o povo indígena da região de Hokkaido, com alguma seriedade. Esse mesmo esforço acabou por gerar críticas das próprias comunidades que a série pretendia retratar.

    Organizações Ainu apresentaram queixas junto da Agência para os Assuntos Culturais do Japão, apontando imprecisões em rituais e práticas retratadas na série, bem como a perpetuação de determinados estereótipos apesar das boas intenções declaradas. O episódio abriu um debate mais amplo sobre quem tem autoridade para contar certas histórias, e sobre o que separa uma homenagem genuína de uma apropriação superficial. A estas críticas juntaram-se questões sobre o uso de simbologia imperial e a representação de personagens de minorias, o que contribuiu para uma recepção pública mais dividida do que a qualidade narrativa da série por si só justificaria.

    Golden Kamuy continua a ser considerado um trabalho sólido por muitos críticos, mas carrega uma camada de contexto que os seus fãs mais entusiastas nem sempre conseguem ignorar.

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    The Seven Deadly Sins

    The Seven Deadly Sins: Cursed By Light

    The Seven Deadly Sins não foi manchada por um escândalo externo, mas pela degradação visível da própria produção e pelo impacto que isso teve na confiança dos fãs. As primeiras temporadas, produzidas pelo estúdio A-1 Pictures, conquistaram uma base de seguidores considerável no género shonen. Quando a série passou para o Studio Deen e começou a recorrer a outsourcing da animação, a mudança foi imediata e impossível de ignorar.

    Os designs dos personagens tornaram-se inconsistentes entre episódios, sequências de ação importantes foram comprometidas por CGI mal integrado, e cenas foram reutilizadas de forma suficientemente óbvia para que os fãs as documentassem e partilhassem online como prova da deterioração. O caso tornou-se num dos exemplos mais citados na comunidade de anime sobre como decisões de produção erradas podem destruir uma série com fundações sólidas.

    The Seven Deadly Sins é hoje muito mais recordada pela queda do que pelo pico, o que é uma forma particularmente cruel de ficar na memória coletiva.

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    Recovery of an MMO Junkie

    Recovery of an MMO Junkie visual

    Recovery of an MMO Junkie era uma história discreta sobre uma mulher de 30 anos que, após abandonar um emprego de alta pressão, encontra ligação humana genuína através de um MMORPG. A série foi bem recebida pela forma como retratava o isolamento, a ansiedade social, e a vida online com uma sensibilidade pouco comum no anime. Não havia nada de controverso na série em si.

    A polémica veio de fora, quando fãs descobriram que o diretor Kazuyoshi Yaginuma tinha publicado nas redes sociais mensagens com teorias da conspiração de cariz antissemita. O estúdio Signal.MD reagiu com rapidez, publicando uma declaração a distanciar-se das posições de Yaginuma e a esclarecer que não era funcionário da empresa e não participaria em projetos futuros da produtora.

    A resposta institucional foi rápida e clara, mas o dano já estava feito. Uma série que deveria ser recordada pela sua ternura e pela originalidade da premissa ficou inevitavelmente associada a um debate que ela própria nunca provocou nem merecia.

    SourceCBR
    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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