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Cidade do anime: Kadokawa junta seis estúdios num só edifício para criar o futuro

Com quase 4.700 metros quadrados no coração de Ikebukuro, o Studio One Base quer mudar a forma como o anime é produzido no Japão e quem o produz

Rin Kurusu screenshot Believer draw manga (2)

Ikebukuro já é há muito um destino incontornável para os fãs de anime e mangá em Tóquio. Lojas especializadas, eventos de grande escala e uma concentração densa de cultura pop japonesa fazem do bairro uma referência. Agora, a Kadokawa quer ir mais longe, transformar o próprio processo de criação de anime neste distrito, anunciando a abertura do Studio One Base para o outono de 2026.

O novo espaço, com cerca de 4.628 metros quadrados dentro do complexo Sunshine City, vai reunir fisicamente seis entidades ligadas à Kadokawa, os estúdios de animação ENGI, Studio KADAN, RagingBull, Bellnox Films e Chiptune, mais os departamentos internos de animação da empresa. No total, o espaço deverá acolher cerca de 400 pessoas.

A lógica por detrás da concentração é prática. Segundo o comunicado oficial da Kadokawa, ao reunir equipas que hoje trabalham dispersas, a empresa pretende acelerar a partilha de informação entre estúdios, criar condições para que os criadores se concentrem exclusivamente na produção e reforçar a formação de novos talentos, um ponto crítico numa indústria que enfrenta escassez crónica de animadores qualificados.

Uma visão para a indústria, não apenas para a empresa

O Studio One Base não é apresentado como um projeto interno. Tsuyoshi Kikuchi, Diretor Executivo e Chief Studio Officer da Kadokawa, foi claro na ambição: “Ao renovar a imagem dos locais de produção de anime, melhorando as funções dos estúdios para aumentar a produtividade e melhorando o tratamento dos criadores, esforçar-nos-emos para criar um local de trabalho do qual as pessoas se possam orgulhar e uma profissão pela qual outros vão aspirar”.

O próprio nome da visão que enquadra este projeto, “Creating Creators. Creating Studios”, sugere que o objetivo vai além da eficiência, é também uma tentativa de tornar a profissão de animador mais atrativa e sustentável num setor historicamente marcado por condições laborais difíceis e remunerações baixas.

A Kadokawa criou em abril de 2025 uma nova divisão interna, o Studio Business Bureau, para supervisionar os estúdios de animação e produção live-action do grupo. O Studio One Base é descrito pela empresa como a primeira fase concreta desta reorganização.

Ikebukuro como “cidade mundial do anime”

O projeto encaixa também numa ambição geográfica e política mais ampla. A Kadokawa firmou uma parceria com a Câmara Municipal de Toshima, o município que engloba Ikebukuro, e com a Sunshine City Corporation para desenvolver o bairro enquanto polo de criação, e não apenas de consumo de anime. “Ao reforçar a colaboração regional com o Município de Toshima e a Sunshine City, desenvolveremos Ikebukuro numa ‘cidade de anime de classe mundial’ e estabeleceremos capacidades globais de criação de IP”, afirmou Kikuchi.

Hidemi Waki, presidente da Sunshine City Corporation, saudou o anúncio publicamente: “A abertura deste grande polo de produção de anime acrescentará uma nova atração enquanto local onde o anime é criado. Trabalhando em conjunto com a Cidade de Toshima e a Kadokawa, esperamos reforçar ainda mais a reputação de Ikebukuro como destino de anime”.

O anúncio surge num período de expansão recorde para a indústria de animação japonesa. Segundo dados da Association of Japanese Animations, o mercado global de anime atingiu 3,84 biliões de ienes em 2024, aproximadamente 25 mil milhões de dólares, um crescimento de 14,8% face ao ano anterior e o valor mais alto alguma vez registado. O mercado internacional foi o principal motor deste crescimento, com um aumento de 26% e representando agora 56% do total de receitas.

O governo japonês também tem vindo a posicionar o anime como setor estratégico da economia nacional. O objetivo oficial é aumentar as exportações de conteúdo de 5,8 para 20 biliões de ienes até 2033.

SourceAutomaton
Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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