
Quando a Kadokawa lançou o MyAnimeList x Honeyfeed Writing Contest 2025 – THE ISEKAI presented by KADOKAWA, um concurso de light novels em inglês aberto a escritores de todo o mundo, a interpretação óbvia foi a de que a empresa japonesa estava a tentar compensar uma escassez de talento doméstico. Afinal, porquê procurar autores no estrangeiro se os japoneses chegam para o trabalho?
A resposta, segundo Satoshi Arima, editor-chefe da MF Books, a editora da Kadokawa que geriu o concurso, desfaz essa lógica por completo. Num entrevista recente à publicação japonesa Otaku Soken, Arima é direto: “Na verdade, não sinto bem que haja uma escassez de autores de light novels japoneses. Pelo contrário, acho que o número tem estado a crescer”.
O problema está noutro lado: “Por outro lado, o número de leitores tem estado a diminuir”.
É um paradoxo que a indústria editorial conhece bem, mas que raramente é admitido com esta clareza por alguém dentro de uma das maiores editoras do setor. O volume de produção de light novels no Japão cresceu significativamente com o boom das plataformas de publicação online, sites onde qualquer pessoa pode publicar histórias gratuitamente, e onde os grandes sucessos como Sword Art Online, Re:Zero ou The Rising of the Shield Hero começaram antes de chegarem às livrarias. Mas esse ecossistema prolífico não se traduziu automaticamente em mais leitores de livros físicos ou digitais pagos.
Para Arima, o mercado precisa de ser abanado de uma forma positiva. “Por isso, para criar o próximo grande sucesso, precisamos de causar uma agitação num sentido positivo”, defende, preocupado que o mercado continue a encolher silenciosamente se não conseguir captar novas atenções. A sua teoria é que a publicação de autores estrangeiros no Japão pode funcionar como estímulo externo, um elemento de novidade capaz de atrair tanto leitores curiosos como cobertura mediática que o mercado doméstico já não consegue gerar sozinho.
“A minha ideia pessoal é que, se conseguíssemos criar meios para que pessoas que não falam japonês experimentem o mercado japonês de light novels, isso poderia funcionar como uma boa estimulação. Não acho que haja uma escassez de autores; pelo contrário, precisamos de encontrar mais pessoas, incluindo leitores, que prestem atenção [ao mercado]”.
Há também uma dimensão comercial nesta aposta. Como explica Arima, se um autor de um determinado país se tornar popular no Japão através da Kadokawa, isso pode abrir portas para a empresa expandir a sua presença nesse mercado. É uma lógica de dois sentidos, a Kadokawa ganha novidade e diversidade editorial, o autor ganha um ponto de entrada num dos ecossistemas de entretenimento mais influentes do mundo.










Pois se depender aqui do Brasil, pode esquecer.
LNs aqui estão em decadência. Log Horizon, NGNL, Shakugan no Shana e SAO estão em Hiato e nem previsão para voltar. Acredito eu que depois que terminar Re:Zero, Overlord e Mushoku (os mais visados), não terá praticamente nenhuma LN em lançamento mais.
Ascendance of a Bookworm lançou agora esse mês, mas disseram que será só três volumes para testar……. difícil, hein?
Brasileiro não gosta de ler, por isso mangá vende muito mais e ganha mais espaço.