
A mesma empresa que trouxe One Piece para a Netflix tem um novo projeto em mãos. A Tomorrow Studios, produtora liderada por Marty Adelstein e Becky Clements, confirmou hoje à Variety que está em desenvolvimento uma adaptação live-action de Samurai Champloo, o anime de culto de Shinichiro Watanabe. E desta vez, o criador está sentado à mesa desde o primeiro momento.
“Jantámos com [Watanabe] no Japão e dissemos: se avançarmos com Samurai Champloo, queremos mesmo que faças parte do processo criativo”, contou Clements à Variety. “Ficámos encantados que ele estivesse disposto a fazer isso”.
O projeto encontra-se ainda numa fase inicial de desenvolvimento, sem plataforma ou rede de televisão definida. Ainda assim, Clements revelou que o estúdio já recebeu “muitas chamadas” com interesse na propriedade.
O fantasma do Cowboy Bebop ainda paira
A comparação com Cowboy Bebop é inevitável, e os próprios produtores não fogem a ela. Em 2021, a Tomorrow Studios adaptou outro anime de Watanabe para a Netflix, com resultados desastrosos, a série foi cancelada ao fim de uma única temporada, e o próprio Watanabe chegou a distanciar-se publicamente do projeto.
Adelstein foi direto: “Aprendemos. Ter o criador a validar o processo criativo é realmente importante”. A referência ao modelo de One Piece é clara, Eiichiro Oda tem estado ativamente envolvido na adaptação da sua série, supervisionando guiões, elenco e decisões criativas, e o resultado foi uma das adaptações live-action de anime mais bem sucedidas de sempre. A segunda temporada estreou hoje na Netflix e tem sido largamente elogiada pela crítica e pelos fãs.
Um anime construído à volta da música
Samurai Champloo estreou em 2004 no Japão, com animação do estúdio Manglobe. A série foi o primeiro projeto televisivo do estúdio e marcou o regresso de Watanabe ao ecrã depois de Cowboy Bebop. O conceito nasceu precisamente do desejo de fazer algo radicalmente diferente, combinar a estética dos filmes clássicos de samurais com a cultura hip-hop, numa história passada no período Edo.
A banda sonora, assinada por Nujabes, Fat Jon, Tsutchie e Force of Nature, tornou-se um elemento tão central quanto os próprios personagens. Mugen, Jin e Fuu atravessam o Japão numa viagem que funciona como um road movie, com episódios largamente independentes entre si, unidos apenas pela busca de Fuu por um samurai que cheira a girassóis.
Clements sublinhou à Variety que a música continuará a ser “central para o processo” na adaptação, com planos de trazer um “artista de renome” para ajudar a definir o som da série. É uma decisão que faz todo o sentido, despir Samurai Champloo da sua identidade musical seria retirar-lhe a alma.









