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Entre 9 e 10 de março de 2026, vários trabalhadores da Crunchyroll começaram a anunciar nas redes sociais que tinham sido despedidos. Trata-se da segunda vaga de cortes da plataforma em meio ano, após os despedimentos de agosto de 2025 que afetaram centenas de pessoas. A notícia foi confirmada pela Screen Rant, que contactou a empresa e obteve confirmação de que a Crunchyroll está a passar por uma reestruturação nos departamentos de recursos humanos, produto e e-commerce.
O número exato de trabalhadores afetados não foi divulgado, mas uma fonte interna citada pela Screen Rant estimou que o corte representa entre um sétimo e um oitavo da dimensão da vaga de agosto de 2025.
A justificação oficial: foco em mercados emergentes
A Crunchyroll enquadra os despedimentos como parte de uma mudança estratégica para reforçar a presença em regiões onde o consumo de anime está a crescer mais rapidamente, nomeadamente a América Latina, a Índia e o Sudeste Asiático. A lógica passa por eliminar funções centralizadas em mercados maduros e criar equipas regionais com mais autonomia.
Já aquando dos despedimentos de agosto de 2025, o presidente da Crunchyroll, Rahul Purini, enviou um memorando interno em que afirmava: “À medida que olhamos para os próximos três a cinco anos, acreditamos que o caminho certo é um novo modelo organizacional que apoie equipas regionalmente autónomas para se envolverem ainda mais com os fãs de anime”. Purini acrescentou que os cortes “não são uma medida de redução de custos nem resultam do desempenho financeiro”. Na altura, a empresa anunciou também a criação de hubs de engenharia nos Estados Unidos, no México e na Índia.
A mesma argumentação parece aplicar-se a esta nova ronda. Segundo a Screen Rant, os três departamentos agora afetados viram funções eliminadas por critérios geográficos, com a empresa a deslocar esses papéis para outras regiões. No caso do e-commerce, a reestruturação implica também uma revisão da forma como a loja oficial disponibiliza merchandise e colecionáveis aos fãs, embora ainda não haja detalhes sobre o que isso significará na prática.
A Crunchyroll tem mais de 17 milhões de assinantes pagos e opera 13 escritórios em nove países. Esta é já a quarta vaga de despedimentos desde que a Sony adquiriu a plataforma em 2021 por 1,18 mil milhões de dólares.
Em fevereiro de 2023 a Crunchyroll, despediu 85 trabalhadores em 12 escritórios distribuídos pelos Estados Unidos, França, Alemanha, Moldávia e Austrália, numa operação enquadrada na integração pós-fusão com a Funimation. Os cortes de agosto de 2025 foram mais extensos, e esta nova ronda de março de 2026, ainda que mais contida, acontece num setor que a própria empresa descreve como em forte crescimento.









