
O State of Play da PlayStation de junho de 2026 trouxe um dos anúncios mais aguardados dos últimos tempos, God of War Laufey, o próximo jogo principal da Santa Monica Studio. Pela primeira vez na história da série, Kratos não é o protagonista, o jogador assume o controlo de Faye (cujo verdadeiro nome é Laufey), a mulher de Kratos e mãe de Atreus, interpretada pela atriz Deborah Ann Woll. A ação decorre no Everywhen, o além dos deuses, onde Faye acorda inesperadamente após a sua morte e se vê forçada a lutar contra divindades de várias mitologias para proteger a família.
A revelação incluiu cerca de 20 minutos de gameplay, mostrou um sistema de combate mais ágil e rápido do que os jogos anteriores, e apresentou Phranque (Jack Quaid), um cubo cósmico que serve de companheiro de Faye. As reações gerais foram positivas, mas havia uma voz claramente fora desse tom.
David Jaffe, o criador dos God of War originais, assistiu à apresentação em direto no seu canal de YouTube e não escondeu o que pensava. Jaffe foi direto desde o início, comparou o jogo a Forspoken, um dos maiores fracassos comerciais recentes da Square Enix, e descreveu-o como sem inspiração e aborrecido. Nas suas palavras: “Parece-me tão sem inspiração e parece tão aborrecido, e temos de ter em conta que isto é o início do jogo”.
A crítica foi além da questão estética. Para Jaffe, o problema mais profundo é que a série perdeu tudo o que a tornava inconfundível:
“Perdeste a violência e o sangue dos primeiros jogos, perdeste o personagem, já o perdeste após 2018 porque mudou tanto que já não era o Kratos, agora perdeste a mitologia identificável e perdeste-me com o cubo e com a pequena personagem da Disney no início. Parece simplesmente uma fantasia”.
O criador admite que o God of War de 2018, dirigido por Cory Barlog, foi uma evolução brilhante. O problema, para ele, é que essa aposta foi sendo diluída ao longo de God of Wa Ragnarök e que God of War Laufey representa o ponto de rutura definitivo. Jaffe chegou a especular, sem confirmar, que Barlog pode ter sido pressionado a fazer mais um God of War em vez de seguir um projeto original: “Parece-me que se tornou num estúdio de produtores” e que a situação terá sido do género “não te podemos dar dinheiro para algo novo, tenta fazer o que queres, mas dentro do contexto de God of War”.
O veredicto final foi igualmente duro. Jaffe afirmou: “Está morto. Este jogo não vai correr bem para o que esperam fazer”. E acrescentou que, se não fosse o nome da série, ninguém estaria sequer a prestar atenção ao jogo.
Não é a primeira vez que Jaffe critica a direção tomada pela Santa Monica, já antes tinha atacado o tratamento dado a Kratos nos jogos nórdicos e a Atreus em particular. Mas as críticas a Laufey não ficaram sem resposta. Muitos fãs e comentadores contestaram a visão de Jaffe, argumentando que ele está desligado da evolução da série e que as suas opiniões refletem mais nostalgia do que análise fundamentada.
O jogo não tem data de lançamento confirmada e é exclusivo da PlayStation 5.









