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CEO da Take-Two não tem dúvidas, os discos físicos já não fazem sentido

Trailer de GTA 6 screenshot HD

O debate entre discos físicos e formato digital voltou a acender-se na indústria dos videojogos depois de a Sony ter anunciado, no início de julho, o fim da produção de discos físicos para novos jogos de PlayStation a partir de janeiro de 2028. A decisão tem gerado uma onda de críticas por parte de jogadores e coleccionadores, mas nem toda a indústria vê o assunto da mesma forma. Strauss Zelnick, presidente e diretor executivo da Take-Two, é um dos nomes que se junta abertamente à defesa do digital.

Questionado sobre o tema durante a apresentação de resultados trimestrais da Take-Two, Zelnick não hesitou em tomar partido. O executivo afirmou: “Os discos não fazem sentido para o consumidor. O digital é mais conveniente… O nosso negócio já é mais de 90% distribuído digitalmente. Já é um negócio digital“.

A posição de Zelnick não surge isolada do contexto interno da própria Take-Two. A editora já tinha confirmado que a edição física de Grand Theft Auto VI não incluirá um disco propriamente dito, mas sim uma caixa com um código de download, à semelhança do caminho que a Sony está a seguir para toda a plataforma PlayStation a partir de 2028.

A mudança anunciada pela Sony determina que, a partir de janeiro de 2028, os novos jogos lançados para consolas PlayStation deixarão de ter versão em disco, ficando disponíveis apenas em formato digital, seja através da PlayStation Store, seja através de retalhistas que vendam códigos de ativação. Os jogos já lançados, ou lançados antes dessa data, não são afetados pela mudança.

A justificação oficial da Sony aponta para a evolução das preferências dos consumidores, que têm optado cada vez mais pelo digital em detrimento dos suportes físicos.

A reação por parte da comunidade não se fez esperar. Além de críticas generalizadas nas redes sociais, surgiu uma petição a pedir à Sony que reverta a decisão. Alguns jogadores têm ainda organizado boicotes e cancelamentos de subscrições como forma de protesto.

Apesar da contestação, a Sony já deixou claro que não pretende voltar atrás. A diretora financeira da empresa, Lin Tao, abordou o assunto durante uma chamada de resultados, referindo que a decisão foi tomada com ponderação e que a empresa vai avançar com cautela, apesar de reconhecer as opiniões fortes manifestadas pela comunidade.

A Take-Two não é a única grande editora a mostrar-se recetiva à mudança. O presidente executivo da Ubisoft, Yves Guillemot, comentou o tema numa sessão de perguntas e respostas com investidores, comparando a situação ao que aconteceu no mercado de PC, onde a transição para o digital, através de plataformas como a Steam, ajudou a expandir o mercado em vez de o prejudicar.

Guillemot foi ainda mais longe ao sugerir que a ausência de leitor de discos pode contribuir para reduzir os custos de produção das consolas, tornando o hardware mais acessível aos consumidores. Nas suas palavras: “O que vimos no PC foi que ajudou a fazer crescer o mercado. Há também alguma pressão, para o futuro, sobre o custo das máquinas, e conseguir ser só digital vai ajudar a ter uma máquina mais acessível, digamos assim. Como disseste, há pontos positivos e negativos. Mas achamos que isso não vai perturbar muito a indústria“.

Tanto Zelnick como Guillemot representam, assim, duas das vozes mais influentes da indústria a validar publicamente uma tendência que, para muitos jogadores, continua a ser vista com desconfiança, sobretudo por quem valoriza a posse física dos jogos, a possibilidade de os revender ou emprestar, e as preocupações relacionadas com a preservação dos títulos a longo prazo.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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