
A Kodansha está a ponderar o futuro da adaptação para série anime do mangá Mii-chan and Miss Yamada (Mii-chan and Yamada-san) de Nene Azuki, incluindo a possibilidade de a produção nem sequer avançar. A informação surge numa resposta enviada pela editora, a 30 de outubro, à Association for Protecting Vulnerable Children and Adults, associação japonesa que tinha entregado uma petição formal à empresa a 5 de outubro.
A Kodansha reconhece na carta que o debate gerado a seguir ao anúncio levantou questões que exigem uma reflexão cuidadosa. Por esse motivo, a editora e os restantes membros do comité de produção estão a discutir o rumo do projeto, o que inclui decidir se a adaptação deve mesmo seguir em frente. A Kodansha respondeu assim à associação:
“Pedimos que fique descansado de que não temos qualquer intenção de avançar com a adaptação para anime sem antes darmos resposta aos pareceres e pedidos apresentados pela vossa organização e pelos três grupos acima referidos. Agradecemos a vossa compreensão neste assunto“.
A carta indica ainda que a Kodansha está a organizar reuniões com várias entidades externas, entre as quais grupos ligados a redes de acolhimento familiar, pessoas afetadas por doenças mentais e instituições de saúde psiquiátrica. A editora diz querer ouvir um leque mais alargado de opiniões antes de tomar novas decisões.
A mensagem contrasta com a última posição pública do comité de produção, de 27 de julho, quando o grupo negou qualquer intenção discriminatória e garantiu que o anime ia avançar. Nesse comunicado, prometeu também ter cuidado no tratamento da obra original.
A resposta da Kodansha foi tornada pública por Masako Gunji, jornalista e representante da associação, que divulgou o e-mail na sua conta de X.
Anime polémico é acusado de explorar pessoas vulneráveis por associação japonesa de autismo
Como chegámos aqui
O anime foi anunciado a 26 de julho, com estreia prevista para 2027, e a reação no Japão foi rápida. Além de críticas nas redes sociais, várias organizações de apoio manifestaram preocupação com a forma como a obra retrata pessoas vulneráveis e a deficiência intelectual. A isto soma-se um problema fora da ficção, o nome Mii-chan tem sido usado como insulto entre jovens no dia a dia.
Em setembro, a Autism Society Japan concluiu que uma adaptação para anime não seria adequada, mesmo com classificação etária ou sem emissão em canais de televisão generalistas.
A petição e a carta aberta da associação de Masako Gunji defendem que o anime pode reforçar estereótipos negativos e prejudicar pessoas com deficiência intelectual ou do desenvolvimento. O documento sustenta que a narrativa reforça um enquadramento em que essas pessoas são vistas como inerentemente propensas a causar problemas e facilmente exploráveis para fins sexuais.
Até ao momento, não foi anunciada qualquer decisão final sobre o futuro da adaptação, nem se esta vai avançar, ser alterada ou sofrer outro tipo de mudança. As conversas entre a Kodansha, o comité de produção e as entidades externas continuam em curso.

Mii-chan and Miss Yamada (Mii-chan and Yamada-san) começou a ser publicado em setembro de 2024 e na sua descrição podemos ler:
No coração de Shinjuku, existe uma variedade de clubes noturnos abertos a clientes que procuram uma noite de indulgência na companhia de belos acompanhantes. Yamada é uma dessas acompanhantes, trabalhando em part-time enquanto frequenta a universidade. Contudo, ultimamente, Yamada acha mais fácil tornar-se a anfitriã modelo do que uma aluna exemplar. Mantém-se reservada, segue as regras escritas e não escritas do trabalho de anfitriã e evita envolver-se com outras pessoas sempre que possível. Isto até Mii-chan entrar na sua vida por acaso.
Mii-chan é adorável, mas inútil. Não sabe ler nem escrever e é incrivelmente desastrada, estando sempre a fazer asneiras, o que lhe vale o ridículo tanto dos funcionários como dos clientes. Mas há algo na sua motivação inesgotável e na sua energia radiante que atrai Yamada, dando origem a uma amizade inesperada!









