
Fala-se há anos de uma queda acentuada na leitura de mangá no Japão, mas os números de um novo estudo apontam para um quadro mais matizado. A Comici, empresa japonesa que gere serviços digitais de mangá, publicou os resultados do Manga Awareness Survey de 2026, e os dados, disponíveis no site da empresa, ajudam a perceber até que ponto esse declínio é real.
O inquérito foi feito a 3.000 homens e mulheres japoneses entre os 15 e os 69 anos. Os participantes responderam a perguntas sobre a frequência com que leem mangá, os formatos que utilizam, a evolução dos seus hábitos nos últimos cinco anos e a forma como descobrem novas obras.
Do total, 51,5% (1.544 pessoas) foram classificadas como leitores de mangá. O estudo considera leitor quem, no último ano, leu pelo menos um destes formatos: volumes em papel, revistas de mangá em papel, livros eletrónicos ou mangá em aplicações e sites. Os restantes 48,5% não leram qualquer mangá nesse período, mas cerca de dois terços deste grupo afirmaram que também não liam há cinco anos. Ou seja, na maioria dos casos não se trata de pessoas que se afastaram do mangá, mas de pessoas que nunca chegaram a ser leitoras.
O número que mais se destaca é o de 6,7%: foi essa a percentagem de inquiridos que disse ter reduzido o consumo de mangá face a há cinco anos e que acabou por deixar de ler por completo. Este valor não resulta da comparação com um inquérito feito aos mesmos participantes há cinco anos. Baseia-se apenas na memória que cada pessoa tem dos seus próprios hábitos, pelo que não deve ser lido como uma queda de 6,7% no número de leitores de mangá no Japão ao longo deste período.
Apesar de o digital ganhar terreno de forma gradual, o papel continua a ter peso, sobretudo nos volumes. Entre todos os inquiridos, a percentagem que leu cada formato no último ano foi esta:
- Volumes em papel: 34,4%
- Aplicações e sites: 34,1%
- Livros eletrónicos: 28,8%
- Revistas de mangá em papel: 17,6%
Os volumes impressos e as aplicações ficam, por isso, praticamente empatados, enquanto as revistas em papel surgem bastante mais atrás.









