
O Governo do Reino Unido confirmou que pretende limitar, em breve, a forma como os menores de 16 anos comunicam dentro dos jogos online, com o chat de voz no centro das atenções. A medida não reúne consenso, e há já quem alerte para os efeitos que pode ter na experiência de jogo.
A confirmação foi dada a 2 de novembro, durante um debate no Parlamento britânico sobre a proibição das redes sociais a menores de 16 anos. Ian Murray, ministro responsável pela segurança online, explicou aos deputados que a intenção é avançar com nova regulamentação:
“Iremos então apresentar um conjunto de regulamentos sobre funcionalidades e funções, incluindo as comunicações com estranhos, que é o maior problema do Roblox, e algumas das outras questões que os honoráveis deputados levantaram”.
O ministro acrescentou que o objetivo não é eliminar o emparelhamento com desconhecidos, mas sim o contacto direto:
“Isso permitirá que os jogadores continuem a ter a funcionalidade de emparelhamento com estranhos, mas sem a possibilidade de falar com estranhos num contexto de jogo. Isso deverá resolver algumas destas questões”.
As novas regras deverão surgir associadas à proibição das redes sociais para menores de 16 anos, que deverá entrar em vigor na primavera. O Reino Unido segue um caminho semelhante ao da Austrália, o primeiro país a aplicar uma proibição deste género, que limita o acesso de menores de 16 anos a várias plataformas de grande dimensão.
A ideia de travar o contacto entre crianças e desconhecidos nos jogos não é nova. Os planos circulam desde maio, e o Roblox, por exemplo, já tem estado a lançar novas funcionalidades de segurança antes da entrada em vigor das restrições.

A reação dos jogadores
A Gamer’s Voice, organização que defende os interesses dos consumidores de videojogos, contesta a proposta. Segundo o grupo, as regras obrigariam todos os jogadores a comprovar a idade para aceder às funcionalidades de comunicação, algo comparável ao que alguns países já fazem com as funções de jogo a dinheiro nos videojogos. A organização considera ainda que a medida impediria menores de 16 anos de comunicar com quem conhecem dentro dos jogos.
O porta-voz Tom Shannon defendeu que os videojogos não podem ser tratados como redes sociais:
“Os videojogos não são simplesmente mais uma forma de rede social. Quando os jovens se juntam a uma guilda, trabalham em equipa ou fazem amigos através de um passatempo comum, estão a participar numa atividade social que pode ser extremamente positiva”.
Para a organização, retirar a comunicação dos jogos multijogador pode também empurrar os jovens para outros serviços, onde a moderação e a proteção podem ser menores. A Gamer’s Voice avisa ainda que os sistemas de verificação de idade levantam preocupações de privacidade e segurança, por obrigarem a recolher dados pessoais sensíveis.
Os mecanismos de verificação de idade já existem em vários jogos e plataformas, mas há quem tenha encontrado formas de os contornar. Um dos exemplos mais conhecidos é o de jogadores que digitalizaram o rosto de Sam Porter Bridges, protagonista de Death Stranding, em vez do seu próprio, já que a personagem tem um aspeto suficientemente realista para enganar o sistema.









