Dunk e Egg deixaram um vazio difícil de preencher, mas o anime tem exactamente o que procuras enquanto esperas pela segunda temporada de A Knight of the Seven Kingdoms.
10Frieren: Beyond Journey’s End
Quando Frieren estreou em 2023, foi imediatamente comparado a tudo o que o anime de fantasia nunca tinha ousado fazer: abrandar. A história começa no fim de uma aventura épica, depois de o grupo de heróis derrotar o Rei Demónio. Frieren, a maga élfica do grupo, tem uma relação com o tempo completamente diferente da dos humanos que a rodeiam, décadas passam para ela como semanas, e é só quando os seus companheiros envelhecem e morrem que percebe o quanto não prestou atenção.
O que se segue é uma série sobre memória, sobre o peso das relações que não valorizámos o suficiente, e sobre aprender a estar presente. A Madhouse construiu aqui algo raro, uma série de fantasia que usa a magia e as dungeons como pano de fundo para uma história de formação interior. A cadência é lenta, deliberada, quase contemplativa, e é exatamente por isso que ressoa tanto com quem ficou apegado à jornada de Dunk e Egg. Não é a ação que importa, é o que fica depois dela.
9Delicious in Dungeon
À primeira vista, Dungeon Meshi (Delicious in Dungeon) parece uma piada. Um grupo de aventureiros entra numa dungeon e para sobreviver começam a cozinhar as criaturas que abatem. O Studio Trigger pegou nesta premissa absurda em 2024 e transformou-a numa das séries mais carismáticas dos últimos anos.
O segredo está nas personagens. Laios, o líder do grupo, é um entusiasta genuíno dos monstros que enfrenta, não por sadismo, mas por uma curiosidade quase académica que o torna completamente diferente do herói standard. Ao seu lado está um grupo com dinâmicas tão bem escritas que cada refeição partilhada se torna uma cena de desenvolvimento de personagens disfarçada de comédia. Se o que te prendeu em A Knight of the Seven Kingdoms foi a forma como Dunk e Egg se tornaram uma família improvisada sem que ninguém fizesse grande cerimónia disso, aqui vais encontrar exatamente a mesma coisa, embrulhada numa série que nunca se leva demasiado a sério, mas que sabe exatamente o que está a fazer.
8Vinland Saga
Vinland Saga é uma das séries mais honestas alguma vez feitas sobre o que significa crescer dentro de uma cultura que glorifica a violência. Thorfinn é filho de um dos maiores guerreiros vikings da sua era, e passa a maior parte da sua juventude a tentar vingar a morte do pai, sem perceber que ao fazê-lo se vai tornando exatamente o tipo de homem que odeia.
O Wit Studio adaptou o primeiro arco do mangá de Makoto Yukimura em 2019, e o MAPPA continuou nos arcos seguintes com igual cuidado. O que torna Vinland Saga particularmente próxima de A Knight of the Seven Kingdoms é a forma como ambas as séries tratam a honra não como um troféu, mas como uma escolha constante e desgastante. Dunk percebe ao longo da série que ser cavaleiro pouco tem a ver com torneios e armaduras. Thorfinn percebe que ser forte não é o mesmo que ser livre. São jornadas diferentes, mas chegam ao mesmo sítio.
7Dororo
Em 2019, o MAPPA adaptou o mangá clássico de Osamu Tezuka e criou uma das séries mais sombrias e ao mesmo tempo mais calorosas da sua geração. Hyakkimaru nasceu sem membros, sem sentidos e sem rosto, o seu pai fez um pacto com demónios antes do seu nascimento, oferecendo o corpo do filho em troca de poder. Agora jovem adulto, Hyakkimaru percorre o Japão feudal a matar os demónios com quem o pai negociou, recuperando progressivamente o seu corpo. Ao seu lado está Dororo, um rapaz ladrão e tagarela que se torna o seu único ponto de contacto com a humanidade.
A dinâmica entre os dois é o coração absoluto da série. Hyakkimaru mal fala, mal expressa emoção, não sabe o que é ter uma família, e Dororo preenche esse espaço com uma energia que recusa deixá-lo perder-se. É uma relação de proteção mútua que se vai tornando algo muito mais complexo à medida que Hyakkimaru começa a sentir o mundo pela primeira vez. Quem gostou da forma como A Knight of the Seven Kingdoms construiu a cumplicidade entre Dunk e Egg sem nunca a verbalizar diretamente vai reconhecer aqui o mesmo talento narrativo.
6Spice and Wolf
Spice and Wolf é uma série que exige paciência e recompensa-a de uma forma que poucas conseguem. O mercador Kraft Lawrence percorre vilarejos medievais a tentar fazer negócio, até ao dia em que encontra Holo, uma deusa lobo que estava presa numa aldeia há séculos e que quer voltar ao norte. Os dois fazem um acordo, ele leva-a até ao seu lar, ela usa o seu conhecimento instintivo de mercados e preços para o ajudar a enriquecer.
O que poderia ser uma série de aventura é na verdade uma história sobre dois adultos muito solitários que se vão tornando indispensáveis um ao outro muito devagar. As conversas entre Lawrence e Holo têm uma qualidade quase teatral, cheias de ironia, de jogos de palavras e de subentendidos, que torna cada episódio num prazer independentemente do que acontece na história. A nova adaptação de 2024 pelo Brain’s Base rejuvenesceu a série visualmente, mas a alma é a mesma. Se o que te ficou de A Knight of the Seven Kingdoms foi a sensação de dois viajantes a tornarem-se a casa um do outro, Spice and Wolf é obrigatório.
5Samurai Champloo
Shinichiro Watanabe, o diretor de Cowboy Bebop, voltou em 2004 com Samurai Champloo, uma série que pega no Japão do período Edo e o passa por um filtro de hip-hop, breakdance e anacronismo declarado. Mugen é um lutador selvagem sem estilo definido nem passado claro. Jin é um samurai frio em fuga. Fuu é uma jovem com um objetivo pessoal que os contrata a ambos para a proteger numa viagem. Os três detestam-se. E mesmo assim ficam juntos.
A série funciona em episódios quase autónomos, cada um com o seu próprio sabor e conflito, unidos pelo fio da estrada e por uma dinâmica de grupo que vai revelando camadas com o tempo. Watanabe tem uma habilidade particular para fazer os seus personagens crescerem sem que eles próprios se apercebam, e é esse crescimento invisível que liga Samurai Champloo à melhor qualidade de A Knight of the Seven Kingdoms. Dunk também não sabe muito bem em que se está a tornar e é isso que o torna interessante de ver.
4The Ancient Magus’ Bride
Chise Hatori foi vendida em leilão. Comprada por Elias, um ser antigo com caveira de animal no lugar da cabeça e que se apresenta como seu futuro noivo, a série começa num lugar que devia ser perturbador e consegue transformar-se em algo completamente diferente. O Wit Studio adaptou o mangá de Kore Yamazaki em 2017 com uma atenção ao folclore britânico e à magia como força natural que raramente se vê no género.
O que torna The Ancient Magus’ Bride próxima do universo de A Knight of the Seven Kingdoms é a relação central, que é genuinamente estranha e genuinamente tocante ao mesmo tempo. Chise e Elias aprendem um com o outro de forma tão gradual e honesta que acaba por parecer inevitável, um eco da cumplicidade que Dunk e Egg foram construindo episódio a episódio, sem nunca precisar de o dizer em voz alta.
3Kemono no Souja Erin
Esta é provavelmente a menos conhecida da lista, e talvez a que mais merece atenção. Baseada nos romances de Nahoko Uehashi, a mesma autora de Moribito, Kemono no Souja Erin estreou em 2009 pela Production I.G e acompanha Erin desde os dez anos até à idade adulta, numa sociedade onde a criação de animais de guerra é uma profissão com implicações militares e políticas profundas.
A série tem uma qualidade de livro de formação que é muito rara no anime. Erin cresce, comete erros, aprende, perde pessoas, e vai percebendo que os seus valores, simples, honestos, baseados na observação cuidadosa do mundo à sua volta, entram constantemente em conflito com os sistemas de poder que a rodeiam. É exatamente o dilema de Dunk em cada torneio, em cada confronto com nobres, o que fazes quando o mundo que juraste servir não merece esse juramento? Kemono no Souja Erin responde a essa pergunta com uma profundidade que a maioria das séries de fantasia nunca tenta alcançar.
2Mushishi
Ginko é um Mushi-shi: alguém que estuda e lida com os Mushi, criaturas primitivas que existem nas fronteiras do mundo natural, invisíveis para a maioria das pessoas. A série de 2005 da Artland não tem arco narrativo central, não tem vilão, não tem um objetivo a cumprir, é uma sequência de histórias contidas, cada uma sobre alguém cujo contacto com os Mushi mudou a sua vida de uma forma que não pede para ser julgada.
O ritmo de Mushishi é diferente de tudo na lista. É quase meditativo, construído em silêncios e paisagens, com Ginko como uma presença tranquila que observa mais do que intervém. Para quem gostou dos momentos contemplativos de A Knight of the Seven Kingdoms, Dunk na estrada antes da tempestade, as conversas à volta da fogueira, Mushishi é o anime que mais se aproxima dessa qualidade de presença. Não é uma série para ver depressa. É uma série para sentir.
1Magi: The Labyrinth of Magic
A A-1 Pictures adaptou em 2012 o mangá de Shinobu Ohtaka numa série que usa a estética das Mil e Uma Noites para falar de poder, liberdade e o preço de ambos. Aladdin é um jovem mago que acabou de entrar no mundo, cheio de curiosidade e sem qualquer cinismo. Alibaba é um mercador com ambições que não admite ter. A sua amizade começa por acaso e torna-se o eixo em torno do qual uma narrativa cada vez mais complexa se organiza.
O que distingue Magi de outros animes de aventura é a forma como trata os antagonistas e os sistemas políticos. Não há simplesmente vilões, há pessoas com razões, ideologias e histórias que tornam cada conflito mais difícil de resolver do que parecia. É a mesma honestidade que A Knight of the Seven Kingdoms trouxe ao mundo de Westeros, um mundo onde os cavaleiros de armadura brilhante raramente são tão simples como parecem, e onde as pessoas no poder raramente merecem estar lá. Magi faz exatamente o mesmo com reis, escravos e tudo o que existe entre eles.








