Faltam menos de três semanas para o regresso a Night City. A Netflix estreia a 20 de outubro Cyberpunk: Edgerunners 2 e há muito por onde escolher enquanto a estreia não chega. Ficam dez sugestões, dos OVAs clássicos às séries mais recentes, todas com algum ponto de contacto com o que Night City costuma oferecer.
10Akudama Drive
Emitida entre outubro e dezembro de 2020, esta série do estúdio Pierrot passa-se em Kansai, uma região de um Japão dividido por uma guerra civil, onde o controlo é apertado, mas o crime prospera. O ambiente de néon, a violência constante e uma sociedade em que a lei pouco pesa fazem dela um dos retratos mais próximos de Night City.
A história começa quando uma jovem funcionária de um serviço público é confundida com uma criminosa e acaba arrastada para um grupo de elite, os Akudama, nome dado aos criminosos mais perigosos da região. Juntos, preparam um assalto que é apenas o primeiro passo de uma conspiração com ramificações no poder político.
O ritmo é rápido e o tom é, ao mesmo tempo, excêntrico e brutal. Com apenas 12 episódios, conta uma história fechada, o que a torna fácil de encaixar entre outras maratonas.
9Psycho-Pass
Estreada em outubro de 2012, com produção da Production I.G e argumento de Gen Urobuchi, imagina um Japão futuro onde o Sistema Sibyl avalia o estado mental de cada cidadão e calcula a probabilidade de cometer um crime. Quem ultrapassa o limite é perseguido, mesmo que ainda não tenha feito nada de errado.
A narrativa acompanha Akane Tsunemori, uma inspetora novata que começa a perceber as falhas do sistema ao trabalhar ao lado de Shinya Kogami, um agente que o próprio Sibyl sinalizou como criminoso latente. Por trás do thriller policial estão questões sobre justiça, livre arbítrio e os riscos da vigilância em massa, num registo que faz lembrar Minority Report.
Depois da primeira temporada, de 22 episódios, a série ganhou uma segunda em 2014 e uma terceira em 2019, que dividem mais opiniões.
8Ghost in the Shell: Stand Alone Complex
Esta série da Production I.G, que arrancou em outubro de 2002 com direção de Kenji Kamiyama, parte do universo do mangá de Masamune Shirow e do filme de 1995, uma das obras que ajudaram a levar o cyberpunk japonês ao grande público. Passa-se em 2030 e segue a major Motoko Kusanagi e a Secção 9, a unidade encarregada de investigar ciberterrorismo, espionagem e conspirações políticas.
Há episódios autónomos, que resolvem um caso de cada vez, e episódios ligados entre si, que desenvolvem a história do Laughing Man, um hacker de elite que mantém as autoridades em alerta. Entre uns e outros, vão surgindo reflexões sobre identidade, consciência e controlo num mundo cada vez mais digital.
Ao todo são duas temporadas de 26 episódios, a segunda das quais, 2nd GIG, terminou em 2005. É difícil imaginar Edgerunners sem o caminho que esta franquia abriu, e continua a ser uma das portas de entrada mais usadas para quem quer conhecer o género.
7Cyber City Oedo 808
Lançado entre 1990 e 1991 pelo estúdio Madhouse, este OVA de três episódios foi realizado por Yoshiaki Kawajiri, nome associado a Ninja Scroll e a Vampire Hunter D: Bloodlust. Passa-se no ano 2808, na cidade de Oedo, onde o crime informático e a sobrelotação das prisões obrigaram as autoridades a procurar soluções pouco convencionais.
O ponto de partida faz lembrar o Esquadrão Suicida da DC. Três criminosos condenados a penas de vários séculos são recrutados pela Polícia Cibernética e ganham a hipótese de reduzir a sentença por cada criminoso tecnologicamente avançado que ajudem a capturar. Para garantir que cumprem as ordens, usam coleiras explosivas, que detonam se falharem uma missão ou tentarem fugir.
Cada episódio centra-se numa personagem e num caso diferente, com cerca de 40 minutos de ação, perseguições e visuais carregados.
6Bubblegum Crisis
Este OVA da AIC e da Artmic foi lançado entre 1987 e 1991 e teve oito episódios, embora estivessem inicialmente previstos treze. Passa-se em Mega Tokyo, uma metrópole reconstruída depois de um sismo devastador, onde a corporação Genom domina o mercado com os Boomers, androides produzidos em massa que, por vezes, enlouquecem.
É nesse cenário que surgem as Knight Sabers, uma equipa de mercenárias formada por Sylia, Priscilla, Linna e Nene, que usam armaduras de combate avançadas para travar os Boomers fora de controlo e enfrentar a Genom. Em paralelo, a AD Police, uma divisão policial criada para lidar com estes casos, tenta acompanhar uma situação que está sempre um passo à frente.
A série ficou como um retrato fiel da estética cyberpunk dos anos 80, com uma cidade iluminada a néon, designs mecha e uma banda sonora de pop e rock, com aberturas e encerramentos diferentes em cada episódio. Também é muitas vezes apontada como uma das referências do subgénero das mulheres armadas, e é um dos títulos que ajudou a definir o que viria nos anos seguintes.
5Serial Experiments Lain
Transmitida entre julho e setembro de 1998, com 13 episódios produzidos pela Triangle Staff, é uma das séries mais singulares do género. Distingue-se de Edgerunners pelo tom introspetivo e experimental, mas partilha com ela uma preocupação central, o que acontece a uma pessoa quando a tecnologia começa a ocupar o lugar da vida real.
Lain Iwakura é uma estudante de 14 anos, reservada e com pouca familiaridade com computadores. A rotina muda quando recebe um e-mail de uma colega que morreu, a afirmar que encontrou um novo propósito, e até Deus, na Wired, uma rede global semelhante à Internet. A partir daí, a fronteira entre o mundo físico e o digital começa a dissolver-se.
A forma como a série trata a identidade, a consciência e a dependência da rede ganhou uma leitura quase profética com o tempo, numa altura em que a Internet, a inteligência artificial e as relações parassociais fazem parte do quotidiano. Em 1998, recebeu um prémio de excelência no Japan Media Arts Festival.
4A.D. Police Files
Lançada em 1990, esta mini-série de três episódios é uma prequela de Bubblegum Crisis. Acompanha a Advanced Police, a força responsável pelos crimes ligados a androides, numa fase anterior à atuação das Knight Sabers, e dá destaque a Leon McNichol, um dos agentes que mais tarde cruza o caminho da equipa.
Cada episódio apresenta um caso independente, que vai da fraude de seguros a homicídios em série e a horror corporal de inspiração transumanista. O tom é mais cínico e sombrio do que o da série principal, com um olhar sobre a corrupção e o crime numa metrópole dominada por interesses empresariais.
Apesar de expandir o universo de Mega Tokyo, pode ser vista sem conhecer Bubblegum Crisis.
3Ergo Proxy
Produzida pela Manglobe e emitida entre fevereiro e agosto de 2006, a série tem 23 episódios e leva o espectador a um futuro pós-apocalíptico. Os humanos vivem em cidades protegidas por cúpulas e coexistem com androides chamados AutoReiv, até que um vírus os faz desenvolver consciência e, em alguns casos, a vontade de matar.
A inspetora Re-l Mayer investiga os homicídios e descobre uma conspiração mais complexa, que envolve uma espécie conhecida como Proxy e experiências secretas do governo. A investigação cruza-se com a de Vincent Law e com a de Pino, uma jovem AutoReiv infetada, e leva a personagem para fora da cidade, onde encontra uma verdade pouco confortável sobre o propósito das máquinas e sobre o passado da humanidade.
É uma série exigente, com um ritmo próprio e uma carga filosófica considerável, que pode não agradar a quem prefere histórias mais diretas. Para quem aprecia o lado mais reflexivo do cyberpunk, as questões sobre humanidade, autonomia e livre arbítrio tornam-na uma escolha pertinente.
2Angel Cop
Criado e realizado por Ichirō Itano, este OVA de seis episódios foi lançado entre 1989 e 1994 e reflete a liberdade que a animação feita diretamente para vídeo tinha na altura em matéria de violência e conteúdo explícito. Passa-se num Japão distópico, onde foi criada a Força Especial de Segurança, uma unidade com autorização para matar em serviço e dedicada a combater um grupo terrorista comunista chamado Red May.
Angel, uma recruta implacável, e Raiden, o seu parceiro, que mais tarde é transformado em ciborgue, descobrem que a Red May tem ligações ao poder político e passam a ser perseguidos por três Hunters, assassinos com poderes psíquicos ao serviço de um governo paralelo. Pelo caminho surgem ainda ciborgues e uma forte desconfiança em relação à economia japonesa da época.
Ficou conhecido pelo excesso e tem uma reputação controversa, com elementos que hoje são vistos como problemáticos. Se Edgerunners 2 promete uma versão ainda mais crua e brutal de Night City, este OVA mostra até onde o género já foi no passado.
1Megalo Box
Estreada em 2018, com produção da TMS Entertainment e da 3xCube e direção de Yō Moriyama, a série foi criada para assinalar os 50 anos de Ashita no Joe, o clássico mangá de boxe de Asao Takamori e Tetsuya Chiba. Em vez de recontar a obra original, transporta a história para um futuro distópico com elementos de ficção científica.
O megaboxe é um desporto de combate em que os lutadores usam exoesqueletos mecânicos, os Gear, para aumentar a força dos golpes. Joe, conhecido no circuito clandestino como Junk Dog, tenta subir de escalão e participar no torneio Megalonia, mas decide lutar sem Gear, o que lhe vale a alcunha de Gearless Joe. A história continuou em 2021 com Megalo Box 2: Nomad, que retoma a vida do protagonista sete anos depois.
O paralelo com Edgerunners está na relação entre o corpo e a tecnologia. As vantagens que o equipamento dá aos adversários lembram os implantes cibernéticos que acabam por dominar a vida de David, e o combate mais difícil de Joe é o que trava contra si próprio, enquanto tenta manter a humanidade num sistema que o empurra no sentido oposto.









