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O que aconteceu ao AnimeFLV? MPA assume o fim do maior site de pirataria de anime em espanhol

Treasure of Oblivion pirata screenshot

O Cineby justificou o fim com a perda dos principais fornecedores de vídeo e o AnimeFLV nunca deu qualquer explicação. Agora, a Motion Picture Association (MPA), que representa estúdios como a Disney, a Netflix e a Warner Bros., reclama o mérito pelo encerramento dos dois, em conjunto com a Alliance for Creativity and Entertainment (ACE), a coligação antipirataria que lidera.

A posição consta da resposta que a MPA enviou a 7 de outubro ao Gabinete do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), no âmbito da revisão anual dos chamados mercados notórios, ou seja, sites e serviços sediados fora do território norte-americano que alegadamente facilitam a pirataria. O USTR pediu contributos ao público em agosto e publica depois a sua própria lista. A mais recente, divulgada a 3 de março, identificava 37 mercados online e 32 físicos, mas o organismo sublinha que o documento não reflete conclusões sobre violações da lei. A próxima deverá surgir no início do ano.

Cineby: do anúncio de despedida à versão da MPA

Com mais de 160 milhões de visitas em julho, o Cineby era um dos sites de streaming pirata mais populares da internet. Em agosto, os responsáveis anunciaram o encerramento, que se fez por fases ao longo de mais de uma semana, com os últimos domínios a ficarem inativos no início de setembro. Na mensagem final, explicaram que os dois principais fornecedores de vídeo, a que chamaram Sflix group e 1Movies group, tinham caído cerca de três meses antes e que o serviço nunca recuperou por completo. O site já tinha recebido várias notificações de detentores de direitos, incluindo uma injunção do Tribunal Superior de Deli, em julho.

A MPA apresenta outra leitura. O documento fala numa extensa investigação e num esforço de aplicação da lei em várias regiões, que terá deixado inoperacional o domínio principal do Cineby e desativado o Videasy, um serviço de vídeo associado. O Vidking, também mencionado, continua acessível, mas, de acordo com a organização, não tem servidores de origem ligados e não consegue transmitir conteúdos. Podemos ler:

“Noutra nota positiva, as submissões de 2025 Cineby[.]app e Videasy[.]net cessaram operações na sequência de ações da MPA e da ACE”.

O texto não refere qualquer tribunal ou força policial, pelo que, tudo indica tratar-se de uma operação privada, sem pormenores adicionais. A marca também não desapareceu por completo, surgiram clones do Cineby, alguns deles referidos pela própria MPA no documento.

AnimeFLV: do silêncio ao crédito da MPA

Considerado o maior site de pirataria de anime em língua espanhola, o AnimeFLV tinha, segundo a MPA e com base em dados da Similarweb, mais de mil milhões de visitas anuais. A meio de junho deixou de reproduzir vídeos e manteve apenas o catálogo, sem qualquer comunicado dos responsáveis. Na submissão, a MPA escreve:

“Adicionalmente, a família de sites AnimeFLV incluída na submissão do ano passado encerrou na sequência de ações da MPA e da ACE. Este encerramento representa um sucesso significativo na aplicação da lei”.

Atualmente, o domínio do AnimeFLV já não carrega conteúdo e devolve um erro HTTP 502. Tal como aconteceu com o Cineby, a marca foi entretanto aproveitada por clones.

A MPA atribui ainda às autoridades vietnamitas o desmantelamento da rede associada ao HiAnime, que, segundo o documento, incluía também o Sflix/MyFlixer e o Megacloud/Vidcloud. Sete suspeitos de serem operadores foram acusados em julho e o caso segue para julgamento.

O documento, que a própria MPA diz não ser exaustivo, volta a destacar dezenas de sites e serviços ainda ativos. Na categoria de streaming, o Kisskh é este ano a única entrada prioritária, depois de o Cuevana passar para a lista geral. Especializado em dramas asiáticos e conteúdos de Hollywood, recebeu mais de 70 milhões de visitas em agosto, a maioria da Índia.

No universo do anime, a lista mantém o Anime-Sama, de língua francesa, com cerca de 48 milhões de visitas em agosto, o Animepahe, com quase 55 milhões no domínio mais popular, e o Aniwaves, com 114,5 milhões.

A categoria que a MPA designa por hydra sites, portais que reúnem filmes, séries, desporto e anime num único local, sem registo nem pagamento, continua a crescer. Muitos recorrem a plataformas de pirataria como serviço (Piracy-as-a-Service) para obter o vídeo. Os cerca de 30 sites que usam o Streamed, focado em desporto ao vivo, somaram 463 milhões de visitas em julho, contra 134 milhões um ano antes. O VidFast, uma das novidades, é usado por pelo menos 158 sites que, em conjunto, totalizam cerca de 629 milhões de visitas mensais. O Videasy e o MegaCloud, entretanto desativados, já não constam da lista.

Telegram e IPTV

No segmento de alojamento de ficheiros e vídeo, o Telegram passa a liderar a lista de prioridades. A MPA refere que a resposta da plataforma aos pedidos de remoção vai do processamento rápido a semanas sem qualquer ação, e conclui:

“O Telegram é uma plataforma de preocupação imediata”.

O documento recorda que já houve ações bem-sucedidas na Índia, em Israel, em Itália e em Portugal para obrigar o Telegram a fornecer informação sobre operadores e a bloquear o acesso a conteúdos que violam direitos de autor. Nas IPTV ilegais, as prioridades são o MagisTV/FlujoTV e o Gogo IPTV, e a MPA aponta riscos de malware nas aplicações do MagisTV.

Na categoria de alojamento, a MPA revela novos dados sobre a Netulu, empresa constituída no Delaware a 15 de abril, para a qual terão sido transferidos todos os sites de pirataria que estavam alojados na Private Layer. Segundo a MPA, investigadores sediados nos Estados Unidos estão a seguir pistas.

A aplicação MovieBox também regressa à lista. A MPA contabiliza mais de 243 milhões de transferências só na Palmstore.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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