
Um jardim botânico na prefeitura de Kanagawa, no Japão, publicou um aviso oficial a dirigir-se diretamente a cosplayers que utilizam o espaço para sessões fotográficas. O Yokosuka Shobu-en, jardim municipal da cidade de Yokosuka conhecido pelos seus 140 mil exemplares de íris e pelos espetaculares tetos de glicínias, atualizou o seu site a 28 de maio com uma nota intitulada “Aos fotógrafos de cosplay”.
O texto, disponível no site oficial do jardim, é direto:
“Durante o período do festival de glicínias, ocorreram situações em que fotógrafos de cosplay ocuparam continuamente um único local por longos períodos, e, apesar dos nossos repetidos pedidos, não houve melhoria, impossibilitando que outros visitantes apreciassem as flores. Saibam que, no futuro, em casos como estes, poderá ser pedido que abandonem o jardim”.
O que aconteceu durante o festival
O festival de glicínias (fuji matsuri) é um dos momentos de maior afluência do ano no Yokosuka Shobu-en, atraindo visitantes que viajam propositadamente para ver as cascatas de flores roxas nos corredores do jardim. Este ano, o evento decorreu entre 18 de abril e 5 de maio.
Foi precisamente neste período que se registaram os episódios que motivaram o aviso. Grupos de cosplayers com equipamento fotográfico pesado instalaram-se durante horas nos pontos mais procurados do jardim, ignorando sistematicamente os pedidos dos funcionários para cederem espaço. A situação chegou ao ponto em que outros visitantes, incluindo famílias, pessoas mais idosas e turistas que tinham viajado exclusivamente para ver as flores, ficaram impedidos de se aproximar das zonas em questão.
A notícia gerou uma onda de apoio ao jardim. Comentários como “isto devia ser pedido em todo o lado” e “é este tipo de comportamento que leva a proibições totais nos espaços públicos” foram dos mais repetidos.
Uma minoria que compromete o todo
A administração do jardim foi cuidadosa em não generalizar. O aviso distingue claramente os visitantes que se fantasiam, tiram fotografias rapidamente e cedem lugar aos outros, comportamento que é visto como totalmente aceitável, daqueles que transformam um espaço partilhado numa espécie de estúdio fotográfico privado.
O problema, como descrito, não é o cosplay em si, mas a recusa em cooperar depois de múltiplos avisos. A questão levantada é, no fundo, a de como um passeio botânico equilibra o espaço entre quem vai ver flores e quem vai fazer fotografias, e o que acontece quando uma dessas atividades começa a excluir a outra.
No Japão, o cosplay em locais exteriores é uma prática estabelecida, com espaços como santuários, jardins e locais históricos a funcionarem frequentemente como cenários. A tensão com outros utilizadores não é nova, o mesmo fenómeno acontece, por exemplo, nos túneis de torii de santuários xintoístas, onde filas de fotógrafos podem impedir quem vai em peregrinação. O que muda aqui é a formalidade da resposta, um aviso oficial, publicado, com ameaça explícita de expulsão.









