
Uma mulher proveniente de Hong Kong jurou aos funcionários da alfândega do aeroporto de Haneda, em Tóquio, que não trazia nenhum relógio nem qualquer artigo de valor acima do limite isento de imposto. Insistiu que os bolsos estavam vazios. Não estavam. Um agente notou um movimento suspeito durante a revista e encontrou, escondido no bolso da viajante, um relógio de luxo avaliado em mais de um milhão de ienes, cerca de seis mil euros.
O episódio, ocorrido em junho, é apenas um exemplo do trabalho que os funcionários aduaneiros de Haneda têm vindo a intensificar à medida que o número de visitantes estrangeiros no Japão continua em níveis historicamente elevados. As autoridades alfandegárias japonesas têm reforçado a fiscalização junto de passageiros que tentam contornar impostos de importação ou introduzir produtos de contrafação no país.
No caso do relógio, a viajante alegou inicialmente que não sabia que “tinha de declarar” o artigo, garantindo que o tinha comprado no aeroporto de Hong Kong e que já tinha oferecido um anel, também de marca de luxo, a uma amiga. A busca à sua mala, no entanto, revelou duas caixas vazias, uma de uma pulseira e outra de um anel, ambos de marcas de luxo, o que levantou suspeitas de que a passageira escondia mais objetos consigo. Segundo a alfândega japonesa, a mulher acabou por ser autuada por tentar repetidamente enganar os agentes para evitar o pagamento de impostos, numa infração que as autoridades tratam como tentativa deliberada de evasão fiscal.
Os casos de contrabando de produtos falsificados também têm sido frequentes no aeroporto. Num deles, um passageiro vindo do Camboja despertou a atenção dos agentes ao transportar duas enormes caixas de cartão, que descreveu como contendo apenas “roupa pessoal”. A passagem pelo raio-x revelou outra realidade, lá dentro estavam 16 malas e carteiras de marcas de luxo, mal copiadas, além de 38 quilos de roupa embalada peça a peça. Apesar de o homem insistir que tudo se destinava a uso próprio, acabou por ter de entregar as réplicas para destruição e pagar os impostos de importação referentes ao volume de roupa, considerado de natureza comercial.
Situação semelhante ocorreu com uma viajante vinda da Tailândia, apanhada com mais de 90 equipamentos de futebol contrafeitos de uma conhecida marca desportiva escondidos na bagagem. Levada para uma sala de inspeção privada, a mulher explicou que tinha comprado os artigos num mercado popular tailandês a pedido de amigos. “Paguei muito dinheiro por isto”, protestou, quando os agentes lhe apontaram a má qualidade do fabrico. Foi informada de que a importação de produtos de marcas falsificadas é proibida por lei no Japão e teve de abandonar a totalidade das 90 peças antes de poder sair do aeroporto.
Turismo em máximos e vigilância reforçada
O pano de fundo desta fiscalização mais apertada é o volume recorde de visitantes que o Japão tem recebido nos últimos anos. Segundo dados da Organização Nacional de Turismo do Japão, o país recebeu cerca de 21,1 milhões de visitantes estrangeiros entre janeiro e junho de 2026, um valor que continua a ultrapassar largamente a fasquia dos 20 milhões, mesmo representando uma ligeira quebra de 2% face ao período homólogo, a primeira descida em cinco anos, explicada sobretudo pela retração de viajantes vindos da China. Em 2025, o Japão tinha fechado o ano com um recorde de 42,7 milhões de visitantes.
É precisamente este volume elevado e sustentado de chegadas que, de acordo com os responsáveis aduaneiros, justifica o reforço das equipas na linha da frente do aeroporto de Haneda. As regras que os viajantes continuam a testar não são novas, qualquer artigo, ou conjunto de artigos, que ultrapasse os 200 mil ienes (1100 euros) de valor de mercado tem de ser declarado à chegada, sob pena de multa e retenção da mercadoria, uma norma confirmada pelo site oficial da alfândega japonesa. Já a introdução de mercadoria contrafeita está simplesmente vedada, independentemente do valor declarado ou da alegada finalidade pessoal.









