Análise: One-Punch Man: A Hero Nobody Knows

O género Arena Fighter tem sido uma tendência nos tempos presentes. Desde as portas que Naruto Ultimate Storm abriu no início da vida da Playstation 3, que têm sido abundantes em género e números. Enquanto alguns conseguem ser surpreendentemente razoáveis, como Kill la Kill IF, outros foram dececionantes como foi o caso do Jump ForceOne-Punch Man: A Hero Nobody Knows é a mais recente aposta da Spike Chunsoft neste género, que como sabem é baseada na personagem criada por ONE, no manga por Yuusuke Murata e na série animada produzida pela Madhouse.

Logo depois da fantástica abertura interpretada pelos sempre energéticos: JAM Project, somos logo convidados a selecionar o perfil e aparência do nosso herói. Esta parte foi muito bem conseguida e sem dúvida um dos pontos altos deste jogo, mesmo que não apresente o mesmo nível de customização que encontramos em Code Vein, temos acesso a vestuário, cores, cabelo, acessórios e altura, no final até podemos criar uma foto que serve como cartão na Counter Measures: Hero Association. De início as nossas opções são um pouco limitadas, mas rapidamente no decorrer do jogo, se abriram mais oportunidades para apimentar mais a aparência e elementos do nosso herói. Logo imediatamente o jogador é transportado para uma cidade, na companhia de duas personagens, o Thoughtful Hero (Que mais parece uma versão aportuguesada do Saitama), e o Lecture Man, que atua como tutorial. Pouco tempo depois de um encontro com um robot aspirante ao Genos, somos confrontados com o primeiro grande elemento negativo do jogo, o sistema de missões. Não só temos de percorrer a cidade de rés a lés, como as missões são incrivelmente aborrecidas. Aceitamos uma missão, temos uma cena animada, que na maioria das vezes nem sequer é falada, apenas é apresentado texto com uma faixa de áudio. Se seguida lutamos contra uma ameaça e pronto missão cumprida, voltamos à cidade e repetimos, é uma pena que o sistema de progressão de jogo seja tão vazio e aborrecido, isto porque com a divertida criação de personagens sinto muito potencial desperdiçado. Com o decorrer das missões adquirimos pontos comunitários, que abrem novas missões, escalões e experiência. Convém salientar que este jogo não sendo publicitado como um RPG possui bastantes elementos de tal.

Com o sucesso do nosso herói a nossa personagem vai recebendo experiência e quando sobe de nível são-nos atribuídos pontos. Estes podem ser alocados em 5 áreas diferentes: saúde, força, ataque especial, técnica e apelo. Enquanto o primeiro elemento consiste na saúde do nosso herói, o seguinte e terceiro representam a força com que são disferidos golpes físicos e especiais. Seguidamente a técnica é alusiva ao índice com que a nossa barra de ataque especial se enche nos combates, e o último a uma característica, que bebe de outra popular série RPG: Persona. Os Social Links, oriundos de Persona 3, marcam presença no mundo de One-Punch Man: A Hero Nobody Knows. Muito frequentemente durante missões primárias e secundárias, o nosso herói conhece personagens da série como Silver Fang, ou Tiger Tank Top. Os mesmos depois da conclusão da missão, oferecem a possibilidade do nosso herói sem nome, usar alguns dos seus golpes como ataques especiais.

Com o decorrer das missões, e uso das suas técinas em combate as outras personagens podem surgir para ajudar o nosso herói. Com o fluxo destes elementos a relação entre estas fica mais forte, abrindo até alguns eventos quando o nível social sobe de escalão. O apelo como característica da nossa personagem consiste em encurtar o tempo que estas personagens chegam até ao campo de batalha para a ajudar o jogador. Embora seja uma característica fortemente inspirada nas séries mais recentes de Persona, ambienta-se e insere-se bem no contexto do jogo.

Estas personagens que são desbloqueadas também permitem ao jogador, lutar via local ou online. No entanto, este modo não está disponível à partida, são precisas cerca de 3 horas para desbloquear o mesmo e diversas horas para disponibilizar o herói em questão, mais uma característica que devido ao contexto do jogo feriu ainda mais uma viagem bem atribulada. Para finalizar a nossa personagem possui um quarto no mundo do jogo, que sinceramente não oferece nenhum aspeto ao mesmo, simplesmente existe, embora seja possível modificar com itens que são comprados nas lojas ou entregues no decorrer no sucesso das nossas missões.

Um pouco depois deste mar de repetição é-nos introduzido o Saitama, e começamos a viver numa perspetiva de terceira pessoa os acontecimentos da primeira temporada animada de One-Punch Man, enquanto continuamos o nosso trabalho enquanto heróis ajudando a população. Infelizmente o jogo entra num loop de repetição de piadas tremendo, já que evoca as mesmas piadinhas que conhecemos vezes sem conta, fatigando ainda mais o jogador. Uma pena que não tenham apostado mais noutros condicionantes neste elemento, como nos NPCs, nos quais encontrei um aspirante a Ryu de Street Fighter, até com uma voz e maneirismos bastante parecidos.

Chegamos finalmente ao ponto mais importante de One-Punch Man: A Hero Nobody Knows, ou seja, o combate em si. Infelizmente também não tenho bons indicadores a falar do mesmo. Cada personagem tem um ataque normal, que com o pressionar de botões disfere um combo básico, que pode ser ligeiramente modificado com a introdução de um ataque forte. Também possui um ataque especial, e nem todas têm um ataque ultimate, novamente devido ao contexto do jogo. Para finalizar a nossa personagem pode bloquear ataques e se pressionarem o botão no momento do impacto do golpe a mesma surge por detrás do inimigo recompensando assim o risco que corremos e deixando o nosso adversário desprotegido. Este é sem dúvida o melhor condicionante dos combates, já que o mesmo é pouco responsivo. Com o impacto de golpes os buffers são tremendos, o jogo quase que para durante 1 segundo na sequência dos mesmos, sem a possibilidade de resposta de quem sofre dano. Ocasionalmente surgem ameaças ou itens durante as lutas, na forma de meteoros ou raios como aspetos negativos, quer em itens de defesa, ou recuperação de vida como elemento positivo, por conseguinte enterra por completo o elemento competitivo do jogo, se é que este existia. Contudo, o pior elemento de One-Punch Man: A Hero Nobody Knows, já está ao virar da página.

Saitama o herói estoico, pode chegar para ajudar o jogador, ou estar disponível logo no modo para um jogador, e além de não sofrer dano, derrota o nosso adversário com… um golpe! Fim. Não importa se seja contra alguém Online, um boss, ou um simples carteirista, este é completamente erradicado. Felizmente nos modos online este pode ser retirado. Penso que este jogo apenas foi produzido com a ideia de Single Player em mente já que a componente Online apenas foi colocada e existe por existir. Nestes modos além de Team Battle, e Avatar Battle, que coloca o nosso herói contra outros gerados online, temos ainda um pequeno modo de treino onde nos são apresentados pequenos exercícios e combos para executar.

Visualmente, a versão PC Steam gentilmente cedida pela Namco Bandai Entertainment apresenta opções gráficas muito básicas. Além da escolha de resoluções até 4K, as únicas opções são de anti-aliasing e efeitos de sombras, sem a possibilidade de selecionar quadros de animação, estando os mesmos barrados no máximo de 60fps. Embora apresente modelos detalhados, e uma cidade como hub, apenas funcional, não sou capaz de sentir um efeito de budget no jogo, principalmente nas animações, muitas das vezes são repetitivas e com um aspeto “pesado”. Respeitante a som, enquanto algumas faixas não se enquadram na ação do jogo (a faixa no menu parece saída de Persona 5), não é má. No entanto, a decisão por deixar a nossa personagem sem voz durante as diversas cenas de jogo quando outras falam, causou-me um efeito demasiado vazio e desproporcional no âmbito do jogo.

One-Punch Man: A Hero Nobody Knows, é um título apenas, e exclusivamente para os fãs mais dedicados da obra de ONE. O jogo apresenta demasiados problemas e deficiências até para um título anime, salvo a criação e modificação da nossa personagem, não consigo indicar mais efeitos positivos. O grafismo, por conseguinte, não é mau, mas as animações são, o fluxo de jogo é muito repetitivo, o combate além de injusto é pesado, o contexto do jogo é demasiado contraproducente para o produto final, e a banda-sonora não se enquadra por vezes na ação. Se fosse um título mais apelativo no preço poderia ser divertido para os fãs, mas assim é impossível ser recomendado.