InícioJogosDois terços dos VTubers já tiveram problemas de saúde mental

Dois terços dos VTubers já tiveram problemas de saúde mental

Cerca de dois em cada três VTubers ouvidos num novo inquérito japonês afirmam já ter sentido problemas de saúde mental associados à atividade em direto, e a maioria admite continuar a emitir mesmo quando se sente fisicamente mal. Os dados foram divulgados na segunda-feira, 28 de setembro, pela uyet, empresa de Tóquio que gere o haico Online Clinic, um serviço de consultas médicas online dirigido a streamers.

Os VTubers são criadores que emitem em direto através de um avatar animado, em duas ou três dimensões. O estudo incluiu também V-livers, uma variante do mesmo formato, e reuniu respostas de 311 pessoas entre 6 de julho e 9 de agosto de 2026. O questionário, feito pela internet, tinha 26 perguntas sobre rotina, sono, alimentação, exercício, sintomas físicos, saúde mental, ida ao médico e a forma como cada um encara a continuidade da atividade. O relatório completo está publicado no uyet media, em japonês.

A participação foi voluntária, pelo que os resultados não representam estatisticamente o conjunto dos VTubers e V-livers.

Saúde mental e emissões mesmo doente

Na pergunta sobre problemas de saúde mental, 41,2% responderam que os tiveram por vezes e 25,7% que os tiveram com frequência, o que perfaz 66,9%. Cerca de 39,2% dizem já ter continuado a trabalhar estando doentes muitas vezes e 29,3% algumas vezes, num total de 68,5%. Outros 16,1% indicam que isso acontece raramente. O comunicado da uyet fala em cerca de oito em cada dez inquiridos que mantêm a atividade mesmo com o corpo a pedir uma pausa.

Entre as razões mais apontadas para não parar estão o receio de que os números desçam, o medo de serem esquecidos pelos espectadores e a vontade de cumprir os horários que eles próprios definiram. Na prática, isso traduz-se em preocupação com a queda de subscritores e de espectadores em simultâneo, além da perda de confiança que pode resultar de alterar um calendário já anunciado.

Poucas horas de sono e pouco descanso

O sono é outro ponto sensível. Nas respostas sobre o último mês, 164 dos 311 inquiridos disseram sentir sonolência durante o dia e 150 afirmaram que dormir não lhes tira o cansaço. Quanto às horas dormidas em média:

  • Entre 5 e 6 horas: 34,7%
  • Entre 3 e 5 horas: 26%
  • Entre 6 e 7 horas: 17%

O relatório frisa que o problema não se limita a quem dorme muito pouco. Mesmo com um número de horas intermédio, o descanso parece insuficiente, e a uyet aponta como fatores as emissões noturnas, a gestão das redes sociais e a euforia que se mantém depois do direto.

Mais de metade dos participantes já deixou para depois uma consulta por causa de mal-estar físico ou mental: 39,2% fizeram-no muitas vezes e 29,6% algumas vezes. Nas respostas livres, foram identificadas duas barreiras. A primeira é ter de explicar ao profissional de saúde como funciona a cultura do streaming antes de poder falar do problema em si. A segunda é o receio de ouvir que a solução passa por abandonar a atividade.

Quando lhes foi perguntado o que gostariam que os médicos compreendessem, os inquiridos referiram que o trabalho vai além do direto e inclui gestão de redes sociais e preparação de conteúdos, que os números e as reações do público afetam o estado emocional e que muitos conciliam a atividade com outro emprego ou com os estudos. Houve também quem pedisse que o ponto de partida não seja a paragem, mas sim uma procura conjunta de formas de continuar. É nessa direção que o relatório aponta, defendendo um apoio que ajude os criadores a manter a atividade em vez de os afastar dela.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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