
Cerca de três meses depois de uma reestruturação que mudou a face da Xbox, Asha Sharma veio dizer aos funcionários que o pior já passou. A CEO da divisão de jogos da Microsoft falou numa reunião interna cuja transcrição foi divulgada pelo Windows Central, e o tom foi de otimismo moderado, depois de um período de quebras acentuadas, a empresa estará, nas palavras de Sharma, a recuperar.
No arranque do ano a Xbox registava descidas nas horas de jogo, no número de jogadores e na receita. Sharma descreveu esse período como uma queda livre e apontou o dedo à estratégia anterior do Xbox Game Pass, que terá penalizado o balanço da empresa, em particular pelo impacto de Call of Duty e do próprio serviço de subscrição.
Agora, garante a CEO, o cenário mudou. As horas de jogo estabilizaram e, depois de várias quebras anuais, os jogos próprios da Xbox, isto é, os títulos que a empresa detém e publica, voltaram a crescer.
Sharma atribuiu a viragem à decisão de reinvestir no negócio e disse que a empresa tinha “começado a regressar ao crescimento“, com a expectativa de que a tendência se mantenha. Entre os exemplos de arranques fortes, citou Gears of War: E-Day, Minecraft Dungeons 2 e World of Warcraft Forever, e acrescentou que a perceção positiva da marca Xbox aumentou 30% no último ano.
Consolas no centro, Helix no horizonte
A reunião serviu também para reforçar a direção que Sharma tem traçado desde que assumiu o cargo. A CEO defendeu que a Xbox precisa de investir mais nas consolas, mesmo que o segmento não esteja a crescer a nível global, e que a empresa não tem legitimidade para crescer além delas se não servir bem os jogadores mais fiéis. Para a geração atual, Sharma apontou o cloud gaming, o programa de conversão de discos em digital e o Xbox Play Anywhere como ferramentas para reforçar as Xbox Series X|S. Deixou ainda a indicação de que o Game Pass vai ficar mais flexível, em linha com sugestões anteriores de que os utilizadores poderão escolher o tipo de conteúdo a que querem aceder.
Quanto à próxima geração, a Xbox Helix será uma família de dispositivos e não um único aparelho. Haverá uma consola de referência, mas também soluções para quem joga em movimento, com alguns equipamentos fabricados pela própria Microsoft e outros desenvolvidos em parceria. Sharma disse que o sistema operativo já está a ficar com boa aparência, sem avançar detalhes sobre calendário ou preços.
A empresa quer apostar mais na Battle.net, cuja retenção de utilizadores estaria próxima da do Steam, e simplificar as ferramentas de publicação para que seja mais fácil lançar jogos nas Xbox Series X|S, na Helix e no PC.
Xbox quer servir mil milhões de PC e promete investir a sério na Battle.net
A confiança de Sharma contrasta com o que se passou nos últimos meses. Em julho, a CEO anunciou uma reestruturação que prevê cerca de 3.200 saídas ao longo do ano fiscal de 2027, 1.600 das quais logo nesse dia. A mesma reestruturação retirou da esfera da Xbox quatro estúdios: a Compulsion Games e a Double Fine passam a independentes, enquanto a Ninja Theory e a Undead Labs ficam sob nova propriedade. Na altura, Sharma considerou o negócio pouco saudável e referiu margens entre três e dez vezes inferiores às de empresas comparáveis.
Os resultados financeiros da Microsoft também não ajudam a pintar um quadro de recuperação imediata. A divisão de jogos caiu 10% em termos homólogos no último trimestre do ano fiscal de 2026 e 5% no ano completo, com a previsão para o primeiro trimestre do ano fiscal de 2027 a apontar para nova descida. A meta definida internamente é voltar ao crescimento de jogadores e de receita até ao final de junho de 2027.








