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No Japão, a cultura das saunas é levada muito a sério. Há guias, prémios anuais, os chamados Saunachelin, e uma comunidade dedicada com os seus próprios rituais e acessórios. Um desses acessórios, relativamente recente, são as coberturas de silicone para os testículos: pequenas taças coloridas concebidas para proteger a pele sensível do escroto do contacto com os bancos aquecidos das saunas.
A empresa por trás deste produto chama-se Tamamall, em japonês, uma junção de tama (“bolas”) e mamoru (“proteger”), e descreve os seus artigos, com algum eufemismo, como “dispositivos de proteção masculina para uso em sauna”. O produto existe, tem mercado, e aparentemente chegou a ser suficientemente popular para criar um problema inesperado numa sauna de Nagoia.
A 28 de fevereiro, o Sauna Monkey, um espaço situado no centro da cidade, publicou nas redes sociais um comunicado que rapidamente chamou a atenção. Com a linguagem protocolar habitual dos avisos japoneses, a mensagem pedia aos clientes que “se abstivessem de utilizar coberturas para certas partes específicas do corpo, feitas de silicone ou outros materiais, nas áreas de banho e sauna”. Não eram necessárias mais explicações sobre que partes do corpo estavam em causa.
A justificação oficial assentava em “fatores de higiene”, o que levou de imediato um utilizador a questionar a lógica, seria afinal mais higiénico ter testículos sem cobertura nos bancos do que com silicone? A resposta do Sauna Monkey foi direta: “As pessoas esquecem-se de levar os testículos para casa quando vão embora… Foi por isso que tomámos esta decisão”.
O problema real não era, portanto, de higiene clínica, era logístico e estético. Os clientes estavam a deixar as coberturas esquecidas nas instalações, cabendo ao pessoal de limpeza recolhê-las, ou a depositá-las nas prateleiras de uso comum onde se colocam toalhas e outros pertences pessoais, criando situações que outros frequentadores achavam, na melhor das hipóteses, desconfortáveis.
A Tamamall não ficou calada. No dia seguinte, a empresa respondeu publicamente com uma questão de tom bastante assertivo: “Os tapetes de sauna fornecidos pelas instalações, bem como os tapetes pessoais que os clientes trazem consigo, também estão em contacto direto com as partes íntimas dos utilizadores e são deixados nas prateleiras de uso comum. Por favor, expliquem a diferença racional entre esses e o Tamamall. Não é uma política excessivamente restritiva banir um produto específico numa fase em que ainda não ocorreram efeitos negativos concretos?”.
O Sauna Monkey reconheceu a validade do argumento. A sua resposta foi esclarecedora: tapetes e toalhas, ainda que em contacto com partes íntimas, não têm o design específico de suportar apenas os testículos. Precisamente por isso, a probabilidade de os outros clientes ficarem “psicologicamente desconfortáveis” ao depararem-se com as coberturas esquecidas é muito maior, e essa foi, segundo a gestão, a razão principal da proibição, mais do que qualquer preocupação de ordem microbiológica. A maioria das reações nas redes sociais deu razão à sauna.
O estabelecimento esclareceu ainda que não tem nada contra o produto em si, considerando mesmo o seu design excelente, e que o seu uso continua a ser permitido nas saunas privadas do espaço, desde que os clientes se lembrem de os levar consigo no final da sessão.
O caso da Sauna Monkey não parece ser isolado. O Sauna Tokyo, localizado no bairro de Akasaka, em Tóquio, também adotou recentemente uma política semelhante. Um utilizador que comentou a publicação do Sauna Monkey referiu ainda que várias outras saunas que visitou recentemente tinham regras idênticas, o que sugere que a questão está a tornar-se um tema recorrente no setor.









