
O jornal japonês Asahi Shimbun anunciou esta segunda-feira os vencedores da 30.ª edição do Prémio Cultural Osamu Tezuka, uma das distinções mais prestigiadas do universo do mangá. O galardão foi criado em 1997 para homenagear o legado de Osamu Tezuka, o criador de Astro Boy, Black Jack e Kimba, o Leão Branco, e figura considerada o “deus do mangá”, reconhecendo anualmente as obras que melhor prolongam a sua tradição.
Este ano, o Grande Prémio foi para Hon Nara Uru Hodo, um mangá de Ao Kojima publicado pela Kadokawa. A cerimónia de entrega dos prémios está marcada para 11 de junho, em Tóquio. O vencedor do Grande Prémio recebe uma escultura em bronze e dois milhões de ienes (cerca de 13.300 dólares), enquanto os restantes galardoados recebem uma escultura em bronze e um milhão de ienes (cerca de 6.600 dólares)
Hon Nara Uru Hodo não chega a esta distinção como um desconhecido. O mangá já tinha vencido o 19.º Prémio Manga Taisho em 2026, encabeçou a lista para leitores masculinos do guia Kono Manga ga Sugoi! da Takarajimasha para este ano, e liderou ainda o ranking anual de “Livro do Ano” da revista Da Vinci, da Media Factory da Kadokawa, na sua 25.ª edição. Uma acumulação de reconhecimentos que o coloca como um dos títulos mais celebrados da temporada.
Os vencedores de cada categoria foram os seguintes:
Grande Prémio — Hon Nara Uru Hodo
Ao Kojima | Kadokawa

Uma série de histórias antológicas centrada na livraria em segunda mão Jūgatsudō, no seu jovem proprietário de personalidade descontraída e na galeria de pessoas que por ali vão passando. Começou como uma história única na revista de mangá seinen Harta, em outubro de 2022, antes de entrar em serialização regular em setembro de 2023. Um mangá que encontrou o seu público precisamente por não forçar nada, a cadência pausada e a atenção ao detalhe humano são a sua marca.
Prémio Novos Criadores — Kaijū o Kaibō Suru
Mado Saitō | Kadokawa

O mangá segue Akira Honda, um especialista em kaijū convocado para supervisionar a dissecação e o estudo do cadáver de um kaijū de 210 metros de comprimento e quase 85.000 toneladas, apelidado de “Tóquio”. À medida que o trabalho avança, Akira começa a suspeitar que o gigante, apesar de imóvel, pode não estar realmente morto. Uma premissa que mistura ficção científica com thriller científico, e que valeu a Mado Saitō o prémio dedicado a criadores emergentes.
Prémio Obra Curta — Atarashii Tomodachi: Kawajirō Tanpenshū
Kawajirō | Magazine House

Uma coletânea de dez histórias curtas de Kawajirō com retratos do quotidiano. O prémio dedicado a obras curtas reconhece precisamente este tipo de trabalho, breve na forma, mas capaz de dizer muito.
Prémio Especial — Peleliu: Guernica of Paradise
Kazuyoshi Takeda | Hakusensha

Serializado na revista Young Animal entre 2016 e 2021, este é talvez o vencedor com a trajetória mais singular. O mangá acompanha Tamaru, um soldado japonês estacionado na ilha de Peleliu, no Pacífico, durante o verão de 1944, que sonhava tornar-se mangaká. A ilha, com os seus recifes de coral e florestas densas, é apresentada como um paraíso, mas é também o palco de uma das batalhas mais desequilibradas da Segunda Guerra Mundial, com cerca de 10.000 soldados japoneses a resistir a um contingente americano de 50.000 homens. O Prémio Especial surge pouco depois da estreia da adaptação cinematográfica em anime, produzida pela Shin-Ei Animation, que chegou aos cinemas japoneses em dezembro de 2025.









