
Entre 5 e 7 de junho de 2026, o Cinema São Jorge, em Lisboa, recebe a segunda edição do Ciclo de Cinema Japonês, três dias, seis longas-metragens e bilhetes a 2,50€ cada sessão. Uma programação que mistura marcos da sétima arte nipónica com obras mais recentes, num espaço que se tornou, ao longo dos anos, numa das principais casas de festivais de cinema da capital.
O ciclo nasceu em 2025, como resposta simbólica à presença de Lisboa na Expo Osaka, que decorreu nesse ano no Japão. Com a primeira edição recebida com entusiasmo, a organização do São Jorge decidiu torná-lo uma componente permanente da programação, uma escolha que faz sentido num país onde o cinema japonês chega ao grande público de forma dispersa, quase sempre confinado a festivais temáticos.
A seleção de 2026 reflete essa intenção de chegar a públicos diferentes: há terror, anime, samurais, drama social e contemplação. Praticamente um género por noite.
Sexta-feira, 5 de junho

A abertura fica a cargo de Shoplifters (2018), de Hirokazu Kore-eda, às 19h00. O filme venceu a Palme d’Or no Festival de Cannes de 2018, tornando-se o primeiro filme japonês a conseguir o feito em 21 anos, e conta a história de uma família improvisada que vive à margem da sociedade nos arredores de Tóquio, sobrevivendo de furtos em supermercados e trabalhos precários. Kore-eda constrói uma reflexão sobre o que define verdadeiramente uma família, sem julgamentos fáceis e com uma ternura que poucos cineastas conseguem alcançar.

Às 21h30, o tom muda completamente com Ring — A Maldição (Ringu, 1998), de Hideo Nakata. Adaptado do romance homónimo de Koji Suzuki, o filme segue uma jornalista que investiga uma série de mortes associadas a uma cassete de vídeo maldita. Quem a vê recebe uma chamada a anunciar que vai morrer sete dias depois. Ring não é apenas um clássico do terror japonês, é o filme que redefiniu o J-horror e que inspirou uma geração de remakes ocidentais, incluindo a versão americana de Gore Verbinski em 2002.
Sábado, 6 de junho

O dia começa de forma completamente diferente, às 17h30, com Dias Perfeitos (Perfect Days, 2023), do realizador alemão Wim Wenders. O filme acompanha Hirayama, um homem que trabalha a limpar casas de banho públicas em Tóquio e que encontra beleza e significado na rotina do quotidiano, nas árvores que fotografa, nos livros que lê, na música que ouve. Kōji Yakusho ganhou o prémio de Melhor Ator em Cannes 2023 pela sua interpretação, e o Japão submeteu o filme para a corrida aos Óscares nesse mesmo ano.

À noite, às 21h30, é a vez de Akira (1988), de Katsuhiro Otomo, provavelmente o título com maior peso simbólico de toda a programação. Adaptado do próprio mangá de Otomo, o filme passa-se numa Neo-Tóquio distópica do ano 2019 e segue Kaneda, o líder de um gang de motards, e o seu amigo Tetsuo, que desenvolve poderes telecinéticos descontrolados após um acidente. Considerado uma obra prima do anime, Akira foi o filme de animação mais caro do seu tempo e continua a ser, décadas depois, uma referência incontornável tanto visual como narrativamente.
Domingo, 7 de junho

A tarde começa às 15h00 com Castle in the Sky (天空の城ラピュタ, Tenkū no Shiro Rapyuta, 1986), o primeiro filme produzido pelo Studio Ghibli, escrito e realizado por Hayao Miyazaki. Pazu e Sheeta são dois jovens perseguidos por piratas e agentes governamentais por causa de um cristal misterioso que pode revelar a localização de Laputa, uma lendária cidade voadora. Uma aventura de fantasia que mistura influências de Jonathan Swift com a sensibilidade característica de Miyazaki, e que permanece como um dos filmes mais amados do estúdio.

Para fechar o ciclo, às 17h30, fica Yojimbo, o Invencível (用心棒, 1961), de Akira Kurosawa, com Toshiro Mifune no papel principal. Um rōnin, samurai sem mestre, chega a uma aldeia dividida por dois clãs criminosos e decide manipular ambos os lados para os destruir mutuamente. Um filme que influenciou profundamente o western spaghetti, nomeadamente E por Uns Dólares a Mais, de Sergio Leone, e que continua a ser estudado como exemplo magistral de construção dramática e de tensão cinematográfica.
Como e onde
As sessões decorrem no Cinema São Jorge, na Avenida da Liberdade, em Lisboa. O bilhete custa 2,50€ por sessão. A bilheteira funciona todos os dias das 13h às 20h, com extensão até 15 minutos após o início da última sessão em dias de eventos.
Mais informações e compra de bilhetes disponíveis em cinemasaojorge.pt.









