InícioJogosProdutor de Sonic diz que as grandes editoras deviam aprender com os...

Produtor de Sonic diz que as grandes editoras deviam aprender com os indies

Takashi Iizuka, o produtor de Sonic the Hedgehog, tem uma visão pouco comum para alguém que trabalha há décadas numa das maiores franquias do mundo dos videojogos, acredita que os estúdios AAA têm muito a aprender com os estúdios independentes. E vai mais longe, traça um paralelo direto com o que está a acontecer no cinema este verão.

A observação surgiu numa entrevista ao GamesRadar+, a propósito do anúncio de Sonic Pico Park, um jogo cooperativo de puzzle revelado no Summer Game Fest 2026, desenvolvido pela TECOPARK em parceria com a Sega, que cruza o universo do ouriço azul com o popular jogo indie Pico Park.

Iizuka reconhece abertamente o peso de desenvolver um jogo principal numa franquia como Sonic, são necessários anos de desenvolvimento, equipas grandes e investimentos avultados. Mas é precisamente por isso que trabalhar com estúdios independentes tem um valor especial.

“Acho que há coisas que podemos aprender com a cena de desenvolvimento indie”, afirmou o produtor. O que o impressiona é a capacidade dos estúdios mais pequenos de transformar uma ideia em produto de forma ágil, segundo Iizuka, as equipas independentes conseguem gerar uma ideia e executá-la “muito rapidamente”, avançando de seguida para os projetos seguintes, um luxo que raramente existe nos grandes estúdios.

“É mesmo estimulante trabalhar com esses criadores indie, porque consegues sentir a energia de uma equipa pequena e essa rapidez de trabalhar para transformar uma ideia numa experiência”, disse.

O paralelo com o cinema

Iizuka não ficou pela indústria dos jogos. Olhou para o que está a acontecer nas salas de cinema e viu o mesmo fenómeno a repetir-se.

Este verão, dois filmes com orçamentos modestos têm surpreendido toda a gente. Backrooms, realizado pelo jovem Kane Parsons, com apenas 20 anos, foi produzido por cerca de 10 milhões de dólares e tornou-se a maior estreia de sempre da A24, arrecadando mais de 81 milhões de dólares só no primeiro fim de semana nos Estados Unidos, ultrapassando um blockbuster da saga Star Wars, The Mandalorian and Grogu. Obsession, outro filme de baixo orçamento, acumula já mais de 224 milhões de dólares a nível mundial.

Para Iizuka, a lição é simples: “Vês filmes como Backrooms e Obsession, estes esforços criativos muito mais pequenos que estão ainda assim a tornar-se grandes sucessos, por isso vejo um paralelo na indústria cinematográfica com o que está a acontecer na indústria dos jogos em relação à quantidade de investimento e ao entretenimento que as pessoas estão a consumir e a desfrutar”.

Sonic the Hedgehog celebra este ano o seu 35.º aniversário, e a Sega tem aproveitado a ocasião para experimentar formatos diferentes. Sonic Pico Park é um dos exemplos mais visíveis dessa abertura, em vez de mais um jogo de plataformas de alta velocidade, a franquia está a entrar no território do puzzle cooperativo para dois a oito jogadores, tanto em modo local como online.

A colaboração com estúdios indie não é exclusiva da Sega. No mesmo Summer Game Fest foi possível confirmar que a tendência se alarga ao setor, a Ubisoft tem trabalhado nessa direção com The Rogue Prince of Persia, e a Konami fez o mesmo com Castlevania: Belmont’s Curse.

A ideia de que orçamentos maiores garantem melhores resultados, tanto em jogos como no cinema, está claramente a ser questionada. Iizuka, pelo menos, parece convicto de que o futuro pode estar mais nessa energia criativa das equipas pequenas do que nos blockbusters de centenas de milhões.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

Artigos Relacionados

Subscreve
Notify of
guest

0 Comentários
Mais Antigo
Mais Recente
- Publicidade -

Notícias

Populares