
Um mês depois de ter anunciado o fim da produção de jogos em disco físico para a PlayStation, a Sony falou finalmente sobre a onda de críticas que a decisão provocou entre jogadores e criadores. A mensagem, no entanto, é clara, a empresa não tem intenção de recuar.
A confirmação foi feita pela diretora financeira da Sony, Lin Tao, durante a sessão de perguntas e respostas que se seguiu à apresentação de resultados do primeiro trimestre do ano fiscal de 2026. Questionada diretamente sobre a reação negativa nas redes sociais desde o anúncio, Tao optou por reforçar os argumentos que já tinham sido dados na altura, em vez de sinalizar qualquer tipo de recuo ou compromisso.
“Anunciámos que, a partir de janeiro de 2028, deixaremos de fabricar discos de jogos, ou seja, [anunciámos isto] com um ano e meio de antecedência”, afirmou Tao, através de intérprete da Sony.
Segundo a responsável, a decisão não surgiu de forma precipitada, mas sim depois de um longo período de análise interna. A justificação central prende-se com uma tendência que, garante, ultrapassa em muito o universo da PlayStation:
“Há várias razões para termos tomado esta decisão, sendo a maior delas o facto de a digitalização de conteúdos em geral ter vindo a avançar, esse é o fator principal. Não é apenas para a PlayStation, mas para todo o tipo de conteúdo, a digitalização está a avançar. E assim, quando pensamos no futuro, dedicámos muito pensamento e tempo a isto, considerámos isto com cautela, chegámos a esta conclusão, e vamos avançar com isto de forma cautelosa”.
A Sony diz que compreende a revolta, mas não promete nada em concreto
Esta foi também a primeira vez que a diretora financeira comentou publicamente a reação dos fãs à medida, reconhecendo que a empresa está atenta ao descontentamento, ainda que sem qualquer sinal de que isso vá alterar os planos já traçados.
“Sobre esta decisão recebemos várias opiniões, e as pessoas têm posições fortes, e compreendemos que a comunidade nos tenha transmitido essas opiniões”, explicou Tao. “Os jogos são amados por muitas pessoas, é uma forma de entretenimento que é amada pelas pessoas, e está ligada a memórias queridas das pessoas em muitos casos, e por isso compreendemos essas emoções. Queremos ter isso em conta, e no futuro ecossistema digital, ‘como envolvemos os jogadores’ é algo que gostaríamos de continuar a explorar”.
Vale a pena notar que, de acordo com dados avançados pela própria PlayStation, cerca de 82% dos jogos vendidos atualmente já são feitos em formato digital, um número que ajuda a explicar a lógica por trás da decisão, ainda que não torne a transição menos dolorosa para quem valoriza o suporte físico.
Um dos títulos que ainda deverá chegar às lojas em disco, antes da mudança definitiva para o digital em 2028, é God of War Laufey, protagonizado por Faye, mulher de Kratos, e já confirmado com data de lançamento para 16 de fevereiro de 2027.
A polémica em torno do fim dos discos da PlayStation já tinha motivado, nas últimas semanas, diversas reações públicas por parte de estúdios de desenvolvimento, muitos deles defendendo o valor simbólico e afetivo de ter um jogo em formato físico.









