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Orbitals – Análise

No seguimento do sucesso de jogos de couch co-op como It Takes Two e Split Fiction, a Shapefarm decidiu fazer um jogo neste estilo, e assim nasceu Orbitals, publicado pela Kepler Interactive para a Nintendo Switch 2 agora em Setembro de 2026.  

Honestamente, desde o primeiro momento em que vi o jogo ser anunciado nas The Game Awards do ano passado que fiquei rendida. O art style e enredo reminiscente de anime dos anos 80 sobre exploração espacial foi imediatamente um hook fantástico, e depois ao perceber que ia ser um destes jogos de couch co-op de puzzles e plataformas, mais interessada fiquei.

A gente só morreu umas trinta vezes nesta secção.

E tenho a comunicar que Orbitals não deixa nada a desejar.

A premissa inicial é que os dois jogadores encarnam as personagens do Omura e da Maki, dois jovens que moram numa estação espacial semi-destruída com acesso a tecnologia que lhes permite regressar à vida sempre que morrem. Isto torna-se bastante útil quando começamos a explorar o universo ao nosso redor, com quintas de asteróides cheias de armadilhas e robôs que explodem se não os tivermos constantemente a carregar. Os nossos protagonistas exploram estes locais em busca de cassetes — ou não estivessemos nos anos 80 — para recuperar a barreira de proteção da estação espacial.

Tenho que admitir que gostei logo muito das personagens, são bué fofos!

Na verdade, o jogo está mais focado na sua jogabilidade do que no enredo em si, e embora a história seja interessante, pelo menos até onde joguei sinto que é mais um pano de fundo para podermos ter vários desafios de coordenação e cooperação entre os jogadores. No entanto, o enredo que existe é interessante e as personagens são muito fáceis de gostar, com diálogo com humor que vai mudando dependendo das acções dos jogadores.

Basicamente, nós, enquanto a Maki e o Omura, temos a nossa nave espacial, que usamos para sair da estação espacial e ir em busca das cassetes. Inicialmente estamos a controlar os nossos protagonistas directamente, mas cada um dos jogadores pode escolher entre pilotar a nave espacial ou comandar os canhões da nave, e podemos a qualquer momento cancelar e voltar ao interior da nave, o que é giro. Para além disso, temos também várias ferramentas completamente intercambiáveis, pelo que independentemente de qual personagem um jogador escolher, pode utilizar qualquer das ferramentas ou opções de jogo, ao contrário de outros jogos do género.

Teamwork goes brrr!

Eu pessoalmente raptei o meu futuro marido para testar este jogo comigo, e tenho que admitir que ambos ficamos impressionados com os puzzles e os desafios apresentados. Já jogamos outros jogos do estilo, e este foi definitivamente o que teve mais variedade e dificuldade. No entanto, falhar continua a não ser um problema, e é sempre rápido voltar à acção, pelo que é apropriado mesmo para jogadores menos experientes. Teve secções que ele se deu melhor, tal como teve secções que fui eu, em termos simples, a carregar, pelo que toda a gente tem uma oportunidade de brilhar.

Para além de explorar e resolver os desafios de plataformas e os puzzles, é possível também encontrar software de Train & Rec, que são basicamente minijogos que se podem levar de volta para a nave, e que permite aos jogadores trabalhar em equipa ou um contra o outro. O jogo é bastante linear, pelo que estes momentos de pausa servem para também dar uma certa liberdade ao pacing da experiência.

Mas onde este jogo definitivamente brilha é na sua apresentação. Este jogo é um anime dos anos 80, simplesmente um que dá para jogar. Desde as legendas a amarelo, ao cell-shading, tudo foi criado com o máximo detalhe para dar aquelas vibes de Legend of the Galactic Heroes/Dirty Pair/Gundam/Macross. As animações são fluídas, quer nas cutscenes como durante o jogo em si, e tudo tem um charme super agradável. As cores são vibrantes, os locais que exploramos têm a sua própria flora e fauna que parece mesmo saído de um destes animes

Isto podia ser uma screenshot de Gundam que eu acreditava-me.

A própria música faz uma pessoa pensar nas bandas sonoras destes animes, desde a música de abertura aos sons da nave espacial. É uma imersão completa neste mundo nostálgico para muitos de nós. Nós por cá jogamos com as vozes em japonês, e como seria de esperar, elevam imenso a experiência.

E o jogo corre perfeitamente na Switch 2, zero problemas. Tendo em conta o tipo de jogo que é, jogamos na TV, em vez do modo handheld que eu costumo preferir, e os tempos de carregamento nunca foram problemáticos. Os controlos também são fáceis e intuitivos de usar, mesmo para o meu noivo que não é muito de jogar em consolas. Também existem várias opções de acessibilidade para quem necessite de mudar algumas coisas.

Orbitals não é um jogo muito longo, no entanto, o conteúdo que tem está bem conseguido e trabalhado, e é uma actividade divertida para fazer com um parceiro ou amigo ou familiar. Ou sei lá, o vizinho do lado se quiserem. Tendo em conta que é um jogo que é bastante linear, e que depois de se resolver um puzzle já se sabe como fazer, também não há grande replayability, mesmo jogando com outras pessoas, mas ainda assim acho que é uma experiência que vale a pena, nem que não seja só pela questão de basicamente estarmos a jogar um anime.

TL;DR: Peguem na pessoa mais próxima e venham explorar o fantástico universo da cooperação sem grandes dramas… a não ser que um de vocês seja mesmo, mesmo mau em jogos de ritmo (como o meu noivo), ou a controlar naves com equilíbrio (como eu). Aí são capazes de ter algum drama.

Eu fui muito, muito má neste nível lol
Carolina Moreira
Carolina Moreira
Com background de informática, e gosto em videojogos a combinar, mas aficionada de histórias em qualquer formato, juntou-se à equipa do OtakuPT em 2023 para dar uma opinião pessoal sobre o entretenimento que nos chega às mãos.

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