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10 animes que só quem sofreu com Berserk vai entender

Há obras que deixam uma marca difícil de apagar, e Berserk é claramente uma delas. O mangá de Kentaro Miura construiu, ao longo de mais de três décadas, um universo onde a violência nunca é gratuita, os monstros refletem os piores traços da natureza humana e cada vitória chega acompanhada de um custo emocional enorme. Aqui ficam dez sugestões de animes para continuar a explorar esse território sombrio.

10
Claymore

Claymore vol 24 cover

Quem procura algo próximo do imaginário de Berserk encontra em Claymore um dos paralelos mais evidentes. A protagonista, Clare, é uma guerreira meio-humana, meio-monstro, criada por uma organização para caçar os Yoma, criaturas que se disfarçam de pessoas para se alimentarem de humanos incautos. O paralelismo com Guts é quase imediato, também Clare carrega dentro de si uma força que a aproxima do inimigo que combate, e essa tensão entre humanidade e monstruosidade atravessa toda a série.

O que torna esta obra particularmente interessante é a forma como aborda o preço da vingança. Cada uma das guerreiras conhecidas como Claymore perdeu algo de essencial antes de aceitar o processo que as transforma em armas vivas, e o mangá original, de Norihiro Yagi, nunca esconde o peso dessa escolha. A animação, produzida pelo estúdio Madhouse e lançada em 2007, mantém esse tom sombrio, com combates coreografados de forma brutal e um mundo medieval que parece tão hostil quanto o de Midland.

Para além da ação, há também uma dimensão de identidade que aproxima Claymore de Berserk, até que ponto se pode sacrificar aquilo que se é para sobreviver num mundo que não perdoa fraquezas? É essa pergunta, mais do que os monstros em si, que sustenta o interesse da história ao longo dos seus vários arcos.

9
Vinland Saga

Vinland Saga vol 1 cover (1)

Vinland Saga troca os monstros fantásticos por um inimigo bem mais real, a guerra e o ciclo de vingança que ela alimenta. A história acompanha Thorfinn desde criança, quando ainda sonha tornar-se um guerreiro respeitado, até à idade adulta, depois da morte do pai o transformar num homem obcecado por uma única ideia fixa. É essa evolução, lenta e dolorosa, que aproxima o protagonista de Guts, ambos começam moldados pela dor e pela raiva, e ambos precisam de encontrar, ao longo da narrativa, uma razão para continuar a existir além da vingança.

A primeira temporada, produzida pelo Wit Studio e estreada em 2019, mergulha nas incursões vikings com um realismo pouco comum no género, mostrando batalhas caóticas e mortes que nunca parecem heroicas. A segunda temporada, já com produção do estúdio MAPPA, muda de registo e foca-se na reconstrução pessoal de Thorfinn, um percurso que exige tanta coragem quanto qualquer confronto armado.

Ainda que não haja demónios nem apóstolos, Vinland Saga partilha com Berserk essa recusa em tratar a violência como espetáculo isolado. Cada golpe tem consequências, cada morte deixa um vazio que a narrativa não ignora, e isso é precisamente o que torna a obra tão marcante para quem valoriza esse tipo de profundidade emocional.

8
Attack on Titan

Attack on Titan O Último Ataque poster Portugal

Poucas séries conseguiram captar a sensação de desespero constante que caracteriza Berserk como Attack on Titan. O que começa como uma luta simples pela sobrevivência contra criaturas gigantes transforma-se, ao longo das temporadas, numa teia complexa de política, manipulação e guerra entre nações, onde já não é fácil identificar quem representa realmente o mal.

Essa evolução narrativa é um dos pontos fortes da obra, Eren, Mikasa e Armin deixam de ser apenas sobreviventes ingénuos e passam a carregar o peso de decisões que afetam milhares de vidas. As perdas acumulam-se sem grande cerimónia, e há um cuidado evidente em nunca deixar o espectador confortável durante muito tempo, algo que qualquer fã de Berserk reconhece de imediato.

Além disso, a construção do mundo em Attack on Titan segue uma lógica parecida à de Berserk, nada é explicado de forma simples, e cada nova revelação sobre a história dos Titãs obriga a repensar tudo o que já se assumia como verdade. É essa mistura de ação intensa com um enredo denso que faz da série uma recomendação praticamente obrigatória.

7
Devilman Crybaby

Se Berserk explora o horror através de um cenário medieval, Devilman Crybaby faz o mesmo através do caos urbano contemporâneo. A história de Akira Fudo, um adolescente que se funde com um demónio poderoso para preservar a sua própria humanidade, rapidamente se transforma num retrato brutal sobre como o medo coletivo pode destruir qualquer sociedade, por mais avançada que pareça.

A direção de Masaaki Yuasa e a produção do estúdio Science SARU dão à obra um estilo visual muito próprio, com uma animação fluída que contrasta de forma quase perturbadora com a violência explícita das cenas de combate. Essa escolha estética reforça o impacto emocional da história, tornando cada perda ainda mais difícil de digerir.

O que aproxima esta obra de Berserk não é tanto a estética, mas sim a visão pessimista sobre a natureza humana. Em ambos os casos, os verdadeiros monstros acabam por não ser as criaturas sobrenaturais, mas sim as pessoas comuns, capazes de cometer atrocidades quando dominadas pelo pânico ou pelo ódio.

6
Dororo

Dororo já tem data de estreia

Baseada no mangá clássico de Osamu Tezuka, Dororo segue Hyakkimaru, um jovem que nasce sem grande parte do corpo depois de o pai o oferecer a um grupo de demónios em troca de prosperidade para a sua região. Ao longo da jornada, Hyakkimaru vai enfrentando essas criaturas uma a uma, recuperando lentamente partes do corpo e, com elas, também fragmentos da própria humanidade.

A adaptação de 2019, produzida pelo estúdio MAPPA em conjunto com a Tezuka Productions, ambienta a história no turbulento período Sengoku, uma época de guerras constantes no Japão feudal. Esse cenário reforça a ideia de que a verdadeira crueldade nem sempre vem de criaturas sobrenaturais, mas também das decisões humanas tomadas em nome do poder ou da sobrevivência.

À semelhança de Berserk, Dororo não hesita em mostrar sofrimento explícito, mas o mais interessante é o modo como a série trata o processo de reconstrução do protagonista, tanto física como emocionalmente. É essa dualidade entre violência crua e crescimento pessoal que garante o paralelo com a obra de Miura.

5
Goblin Slayer

Goblin Slayer 2 anime visual 2

Goblin Slayer surge como uma resposta direta aos clichés do género de fantasia mais tradicional. Em vez de aventuras despreocupadas em masmorras coloridas, a série apresenta um mundo onde até os goblins, normalmente tratados como inimigos menores noutras histórias, representam uma ameaça real e constante.

O protagonista, conhecido apenas pelo seu título, dedicou a vida inteira a exterminar essas criaturas depois de uma tragédia pessoal que a série não esconde nem suaviza. Produzida pelo estúdio White Fox, a obra opta por um tom claramente mais adulto, com consequências físicas e psicológicas que raramente aparecem em produções semelhantes.

Apesar de não ter a escala épica de Berserk, Goblin Slayer partilha essa recusa em romantizar a violência. As batalhas são rápidas, muitas vezes brutais, e o protagonista está sempre consciente de que qualquer descuido pode custar a vida a si próprio ou aos seus companheiros.

4
Hellsing Ultimate

Hellsing Ultimate visual

Hellsing Ultimate opta por um caminho diferente dentro do género sombrio, em vez de subtileza, aposta tudo no exagero. Alucard, a arma mais poderosa da Organização Hellsing, enfrenta hordas de inimigos sobrenaturais com um prazer quase perturbador, num confronto que rapidamente escala para uma guerra internacional entre forças ocultas.

Essa abordagem mais bombástica não retira densidade à obra. Pelo contrário, a série constrói um conflito onde cada facção tem os seus próprios objetivos, muitas vezes contraditórios entre si, e onde a linha entre proteger a humanidade e simplesmente alimentar o caos se torna cada vez mais ténue.

Para quem gosta de Berserk pela sua violência estilizada e pelos antagonistas praticamente imparáveis, Hellsing Ultimate oferece uma experiência semelhante, ainda que com um tom mais teatral e menos introspetivo do que a obra de Miura.

3
Fate/Zero

Fate/Zero - Temporada 2 na Netflix

Fate/Zero parte de uma premissa aparentemente simples, sete magos convocam sete guerreiros lendários para disputarem um cálice capaz de realizar qualquer desejo. Rapidamente, porém, essa disputa revela-se muito mais complexa do que um simples torneio de poder, transformando-se num confronto entre diferentes visões de justiça e sacrifício.

Kiritsugu Emiya, o protagonista, é talvez um dos personagens mais próximos do espírito de Guts nesta lista, um homem disposto a sujar as mãos e a abdicar da própria moral em nome de um objetivo maior, mesmo quando isso o afasta cada vez mais das pessoas que mais preza. Produzida pelo estúdio ufotable, a série combina animação de altíssima qualidade com um enredo que raramente oferece respostas fáceis.

É essa complexidade moral, mais do que os combates entre servos lendários, que faz de Fate/Zero uma recomendação sólida para quem aprecia em Berserk os dilemas éticos tão difíceis de resolver quanto as próprias batalhas.

2
Ninja Scroll

Ninja Scroll ANIME VISUAL

Antes de tudo o resto, Ninja Scroll é um exercício de estilo, um filme de animação dos anos 90, ambientado no Japão feudal, que faz da violência quase uma forma de arte. Jubei Kibagami, o protagonista, um espadachim errante, vê-se envolvido numa conspiração que o obriga a enfrentar os Oito Demónios de Kimon, um grupo de guerreiros com poderes tão bizarros quanto perigosos.

O filme não tem a ambição narrativa de uma longa série como Berserk, mas compensa isso com uma intensidade quase ininterrupta. Cada confronto é pensado para chocar visualmente, sem nunca perder o interesse pela caracterização de Jubei como alguém que sobrevive mais pela experiência acumulada do que por qualquer poder sobrenatural.

Para quem procura especificamente a componente de combates brutais e cenário sombrio que caracteriza Berserk, mas prefere um formato mais curto e autocontido, Ninja Scroll continua a ser uma referência incontornável do género quase três décadas depois do seu lançamento.

1
Made in Abyss

Made in Abyss Awakening Mystery anime visual animejapan 2026 (1)

Made in Abyss engana quem julga a obra apenas pela sua estética. O design fofo das personagens e as paisagens coloridas escondem, na verdade, um dos universos mais cruéis da animação japonesa recente. Riko, uma jovem exploradora, desce ao misterioso abismo ao lado de Reg, um rapaz robótico com um passado que nem ele próprio conhece por completo.

Produzida pelo estúdio Kinema Citrus, a série constrói cada nova camada do abismo como um território progressivamente mais hostil, onde a beleza visual nunca serve para suavizar o sofrimento físico e psicológico das personagens. Esse contraste deliberado entre inocência e brutalidade é, aliás, um dos aspetos mais discutidos pelos fãs da obra.

À semelhança de Berserk, Made in Abyss não hesita em submeter os seus protagonistas a circunstâncias extremas, sem garantias de que tudo terminará bem. É esse risco constante, mais do que qualquer criatura específica encontrada ao longo da descida, que dá à série o seu peso emocional característico.

ViaCBR
Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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