Retronime – Sonic The Hedgehog: The Movie (1993)

Com Sonic The Hedgehog prestes a celebrar o seu 30.º aniversário, nada melhor que o Retronime recordar ou dar a conhecer uma série de dois OVAs, que mais tarde foram compilados num filme animado no ocidente do célebre ouriço azul da SEGA.

A história deste não foge muito aos moldes estabelecidos pelos jogos que conhecemos e adoramos. Certo dia Sonic The Hedgehog (sim, este é o seu nome completo) e Miles Prower (também conhecido como Tails) enquanto desfrutavam de umas merecidas férias numa praia em Angel Island recebem a visita de uma coruja que procura desesperadamente pelo duo dinâmico. Estes são informados que o malévolo Dr. Eggman está de volta, e capturou o presidente e a sua filha. Para liberta-los exige que Sonic e Tails viajem até à Eggmanland (não consigo perceber o fascínio deste tipo por parques de diversões) para lá conquistarem dois desafios. O primeiro consiste em destruir o Black Eggman, um robot que destrói a cidade, e a segunda consiste em impedir que um gerador nuclear destrua e contamine o local. Claro que estes acontecimentos atuam para encobrir mais um plano do cientista, que tem como principal objetivo a recolha de dados e estatísticas de combate do Sonic para os implementar no Hyper Metal Sonic, uma versão vista e revista da contraparte metálica do nosso herói.

O enredo mesmo sendo muito simples, funciona porque não foge às aventuras estabelecidas pela mascote da SEGA. Isto porque tal como nos jogos uma ameaça surge e Sonic mais uma vez com a ajuda dos seus amigos e numa corrida contra o tempo viaja até ao local para a enfrentar. Infelizmente, um dos principais problemas dos jogos também é assistido neste filme. De início a narrativa flui com consistência, entre cenas de ação e alguma história, também temos tempo para algum humor, protagonizado por Knuckles o Echidna vermelho que também marca presença nesta história (roubando o chapéu do Fang). O grande senão aqui é que não temos desenvolvimento da narrativa e das personagens, e dezenas de acontecimentos nem sequer são explicados. Não sabemos se a Eggmanland é uma dimensão futura onde o cientista conquistou a terra, como o Knuckles conseguiu viajar para a mesma, ou se história situa-se antes ou depois de Sonic CD. Enquanto certos acontecimentos provam que sim, outros destroem estas teorias, por isso e devido a estes elementos é difícil situar Sonic The Hedgehog The Movie. Num ponto mais pessoal, penso seria interessante revisitar várias localizações conhecidas por todos, por exemplo, a Stardust Speedway Zone, porque além de icónica, foi o local onde Sonic e o Metal Sonic tiveram o seu primeiro duelo. No final embora o seu elenco permaneça forte e a história minimamente funcional, penso que poderia ser mais rica e elaborada se não tivesse tantos elementos presentes e uma certa responsabilidade e pressão a querer preenchê-los na totalidade.

Sonic The Hedgehog: The Movie foi produzido pelo Studio Pierrot, que como sabemos produziu um sem fim de adaptações da Shounen Jump. A respeito de animação, surpreende. Mesmo passados tantos anos, continua a ser uma das melhores a respeito do nosso amigo azul, fluida, expressiva e intensa, especialmente no duelo entre os dois ouriços. Artisticamente esta é a minha versão favorita do Sonic, super expressiva, cheia de atitude, carisma e com um ar bem descuidado, bem ao estilo de Sonic Mania. Os cenários também impressionam, enquanto o mundo de Sonic é polvilhado com cores quentes e alegres -que não chegam a ser saturadas- os ambientes de Eggmanland, são negros sem quase nenhuma luz evidenciando mais o seu clima distópico. Se conhecem a brilhante abertura de Sonic CD, neste capítulo podem contar essencialmente com os mesmos valores. O filme também recupera um pouco a banda sonora do genial jogo de 1993, ou seja, melodias rap, cheias de movimento e energia.

Este é filme é essencialmente dedicado a todos os fãs de Sonic da velha escola, onde o nosso companheiro tinha uma vida mais despreocupada, correndo livre pelos campos destruindo um ou outro badnick pelo caminho sempre com muita atitude. Uma obra recomendada para quem espera e desespera pelo soprar de velinhas do nosso amigo este verão.

Vindo de vários mundos e projetos, juntou-se à redação do Otakupt, pronto para informar todos os leitores com a sua experiência nas várias áreas da cultura alternativa. Assistiu de perto ao nascimento dos videojogos em Portugal, até à sua atualidade. Devora tudo o que seja japonês (menos a gastronomia), mas é também é adepto de grandes histórias e personagens sejam essas produzidas em qualquer parte do globo terrestre.