Criador de Love Hina é alvo de polémica no Japão

Ao afirmar falsamente que jogar videojogos por mais de 3h todos os dias causa fadiga e insucesso escolar

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Ken Akamatsu, o mangaká autor das obras Love Hina e Negima! Magister Negi Magi, que foi recém-eleito deputado japonês está a ser alvo de polémicas por referir que as crianças perdem o interesse em videojogos após os jogarem três horas diariamente.

À primeira vista, esta declaração parece menosprezar os jogos, o que atraiu críticas acesas por parte da comunidade de jogadores japoneses. No calor destas polémicas Akamatsu pediu desculpas pelo comentário e revelou que o seu reparo foi, na verdade, para defender os videojogos que são considerados por muitos como o vilão quando se trata de educação infantil.

Tudo partiu de uma pesquisa do desempenho escolar nacional do Japão, que foi realizado em abril deste ano. O mesmo reuniu crianças do sexto ano do ensino básico e jovens do terceiro ano do ensino secundário, num total de mais de dois milhões de alunos de todo o país. Vários estudos também foram realizados além deste teste, e os seus resultados foram usados ​​pelo Instituto Nacional de Pesquisa de Políticas Educacionais do Japão para revelar que existe uma tendência de “tempos mais longos a jogar equivalem a pontuações mais baixas nos exames escolares.”

A 11 de agosto, Akamatsu utilizou a sua conta no Twitter para falar sobre esta citação, e afirmou que manteve uma discussão com os membros do Ministério da Educação, Cultura, Desportos, Ciência e Tecnologia. Akamatsu confrontou-os ao afirmar:

Acreditam se o tempo de jogo fosse reduzido, que os resultados dos testes melhorariam?

“Não”. O ministério acredita que o tempo de jogo por si só não é o único fator para pontuações baixas nos testes. É claro que, mesmo que se reduza o tempo gasto a jogar, se não estudarem, é difícil dizer que a sua pontuação vai melhorar.

Akamatsu continuou a questionar os resultados da pesquisa sobre o tempo médio que uma criança passa a jogar videojogos por dia. De acordo com a pesquisa, 30% das crianças do ensino primário e secundário responderam que jogam videojogos por mais de 3 horas por dia durante a semana. Akamatsu parece achar que este resultado é duvidoso e afirmou: “30% dos alunos do ensino primário e secundário jogam mais de 3 horas por dia acho que é um registo muito alto. Se o fizessem ficariam aborrecidos por jogar tanto tempo.”

Foi esta observação que enfureceu os utilizadores do Twitter. Enquanto alguns partilharam que a opinião de que 30% parece demasiado alto, a maioria das respostas opuseram-se à declaração de Akamatsu. Por exemplo, a maioria dos utilizadores apontaram que “Atualmente, jogar um jogo por mais de 3 horas não é tão raro” e “não estão a jogar necessariamente apenas um jogo”.

Contudo, alguns utilizadores também consideraram que “se cansariam de jogar” como uma rejeição da cultura dos jogos e do apelo dos jogos. A polémica atingiu novos contornos com respostas que se opuseram diretamente a Akamatsu dizendo que é contra o conteúdo de jogos, e que embora pareça não está do lado dos otaku e que os jogos são atraentes o suficiente para os jogar por mais de três horas diariamente.

Akamatsu respondeu a estas afirmações pedindo desculpas pelo seu comentário, chamando-o de “excessivo” e “mal-interpretado”. No entanto, a polémica está lançada e Akamatsu encontra-se como a figura central desta.

Vindo de vários mundos e projetos, juntou-se à redação do Otakupt em 2020, pronto para informar todos os leitores com a sua experiência nas várias áreas da cultura alternativa. Assistiu de perto ao nascimento dos videojogos em Portugal até à sua atualidade, devora tudo o que seja japonês (menos a gastronomia), mas é também adepto de grandes histórias e personagens sejam essas produzidas em qualquer parte do globo terrestre.
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RonanfalconD
Ronanfalcon
14 , Setembro , 2022 15:34

Isso foi bagunçado de todos os lados. A pesquisa, o comentário do Ken, a repercussão, e como ele respondeu a isso.

Eu consegui entender que isto não passou de mais uma “onda de burrice e ódio do twitter”, que não sabe interpretar texto, mas para além disso, a conversa do Ken requer uma boa análise, isso é verdade, pois ficou difícil entender “o que ele entendeu”, já que eu esperava mais dele.