
Um homem de 43 anos foi detido no Japão depois de publicar no TikTok um vídeo em que derramava líquido de um frasco de detergente para a loiça sobre um prato de sushi num restaurante da cadeia Hama Sushi, em Saitama. O vídeo foi publicado a 27 de maio e, uma semana depois, a polícia já tinha identificado o suspeito e efetuado a detenção.
O detido, identificado como Yuta Shinnishi, desempregado e residente na localidade de Moroyama, na prefeitura de Saitama, foi presente a julgamento sob a acusação de obstrução forçada de negócios. Segundo o Japan Times, Shinnishi tinha cerca de 12 mil seguidores no TikTok e publicava frequentemente conteúdo do tipo rage bait, vídeos deliberadamente concebidos para provocar indignação. Durante o interrogatório, admitiu o sucedido e disse que queria “aumentar o número de visualizações nas redes sociais”.
O restaurante em causa pertence à cadeia Hama Sushi, uma das mais populares do Japão no formato de sushi em correia transportadora. No caso concreto desta cadeia, os pratos são enviados diretamente ao cliente que os encomendou, e não colocados na correia à disposição de qualquer pessoa, o que limita o impacto direto sobre outros clientes, embora não elimine os riscos para o ambiente circundante.
Num vídeo publicado no TikTok antes da detenção, Shinnishi chegou a pedir desculpa publicamente, dizendo: “Quero pedir desculpa aos funcionários e a todos os que trabalham no Hama Sushi. Não sei porque o fiz. Foi uma estupidez”. A mea culpa não travou o processo judicial.
A empresa-mãe da cadeia, a Zensho Holdings, com sede em Tóquio, condenou o incidente em comunicado, classificando o comportamento como “absolutamente inaceitável” e confirmando que tenciona avançar com processo legal contra o suspeito.
O episódio reacende um problema que o Japão já conhece bem. Em 2023, uma vaga de vídeos semelhantes ficou conhecida como “terrorismo do sushi“, tendo incluído casos como o de um adolescente a lamber um dispensador de molho de soja no restaurante Sushiro, um incidente que chegou a fazer cair as ações da empresa. Na sequência dessas ocorrências, várias cadeias adotaram medidas preventivas, a Kura Sushi passou a monitorizar clientes com câmaras com inteligência artificial; a Sushiro suspendeu temporariamente as correias; e a própria Hama Sushi substituiu o sistema tradicional por uma “linha direta” que envia os pratos diretamente aos clientes.
O que este caso tem de diferente é o perfil do suspeito, não um adolescente em busca de atenção, mas um adulto de meia-idade que, aparentemente, se dedicava de forma sistemática a produzir conteúdo provocatório online. Sob a lei japonesa, a acusação de obstrução forçada de negócios pode implicar até três anos de prisão.








