
A polícia da prefeitura de Tottori, no Japão, anunciou na sexta-feira a suspensão de um subinspetor na casa dos 60 anos depois de uma série de irregularidades graves descobertas no final de 2025, incluindo a falsificação sistemática de cerca de 2000 relatórios de patrulha ao longo de aproximadamente dois anos.
O agente estava colocado num chuzaisho, uma esquadra residencial que serve comunidades rurais e onde o efetivo policial normalmente reside na própria zona que serve, um pilar do modelo de policiamento de proximidade japonês. Entre janeiro de 2024 e finais de 2025, o inspetor assinalou sistematicamente nos registos diários que tinha realizado rondas ao bairro que, na prática, nunca tiveram lugar. O total de relatórios fabricados chegou às 2000 ocorrências.
A isto acrescenta-se outro comportamento registado entre agosto de 2024 e dezembro de 2025, o uso do telemóvel pessoal para ver vídeos e ler mangá durante pelo menos 16 horas de serviço.
Uma arma num sofá e uma placa que não enganou ninguém
O incidente que precipitou a investigação aconteceu em dezembro de 2025. Uma equipa de inspeção da polícia prefeitural fez uma visita surpresa à esquadra e encontrou uma placa de “ausente” pendurada do lado de fora, apesar de o agente estar dentro. A contradição deu origem a uma investigação completa às suas atividades.
A mesma inspeção viria a apurar que o oficial tinha deixado a sua arma de serviço carregada abandonada num sofá enquanto usava a casa de banho, uma violação grave dos protocolos de segurança com armas de fogo.
Quando confrontado durante as audições, o agente terá justificado o comportamento dizendo: “Não queria que as pessoas à minha volta pensassem que eu não estava a trabalhar”. A placa de “ausente” servia, portanto, o propósito inverso do que aparentava, não indicar que saíra para patrulhar, mas criar essa ilusão junto de quem pudesse passar pela esquadra.
O caso não é um episódio isolado no panorama policial japonês. Cerca de 337 elementos da polícia foram disciplinados em todo o Japão em 2025, um aumento de 98 face ao ano anterior e o valor mais elevado em dez anos.
A divisão de inspeção da polícia de Tottori emitiu um pedido formal de desculpas pelo sucedido: “Isto é verdadeiramente lamentável e pedimos sinceras desculpas aos cidadãos da prefeitura”. A sanção aplicada foi uma suspensão de um mês.









