Treasure CoLTD, a produtora responsável por Guardian Heroes, um dos jogos mais marcantes da SEGA Saturn lançado em 1996 e recentemente apresentado na iniciativa SEGA Universe, prepara-se para assinalar o 30.º aniversário do título com um novo projeto comemorativo.
Os teasers partilhados nas redes sociais surgem após da Sega Universe, onde Guardian Heroes foi referido entre os jogos incluídos. O jogo recebeu uma remasterização lançada na Xbox Live Arcade em 2011, mas infelizmente não se encontra disponível em outros sistema. Também existe uma continuação para o Game Boy Advance, intitulada Advance Guardian Heroes, onde canonicamente continua os eventos do final dos Campeões Celestiais.
A Treasure reagiu ao anúncio através de uma publicação nas redes sociais, onde afirmou para aguardarmos por novidades brevemente.
Algo muito interessante é a artwork no anuncio que parece mesmo a utilizada nos manuais e capa do jogo, o que poderá representar os sprites de uma nova remasterização, com sprites reformulados desenhados à mão ao invés de simples filtros de imagem como foi o caso do jogo de 2011.
Por fim foi revelado uma misteriosa publicação com arte reformulada dos heróis do jogo acompanhadas pelo título do jogo pelas icónicas letras do logotipo da SEGA.
Porque o regresso de Guardian Heroes pode ser o mais marcante na iniciativa SEGA Universe
Guardian Heroes foi originalmente lançado para a SEGA Saturn em 1996, sendo frequentemente considerado como uma prequela muito distante de Gunstar Heroes, devido à presença de um boss final comum entre ambos os jogos.
A história acompanha um grupo de jovens aventureiros. Tudo começa quando Han encontra uma misteriosa espada cravada numa pedra. Graças à sua incrível força, o jovem, antigo cavaleiro da Divisão Azul do Império, consegue removê-la, e, entusiasmado, apressa-se a mostrá-la aos seus companheiros.
Ao regressar, é abordado por uma jovem de armadura escarlate chamada Serena Corsair, que o alerta para não utilizar a espada e alega que esta está amaldiçoada. Nesse momento, dezenas de cavaleiros do Império, que perseguiam Serena, invadem a base e envolvem o local num verdadeiro mar de chamas.
Não é de estranhar que o Tio da SEGA tenha ficado frustrado pelo facto de Guardian Heroes não ter recebido o reconhecimento merecido num dos episódios da série. Desenvolvido pela Treasure CoLTD, o jogo distingue-se pela forma como combina ação beat ‘em up com mecânicas de RPG, que incluem evolução de atributos, gestão de personagens e múltiplos caminhos narrativos.

Os combates decorrem em três planos distintos e permitem alternar entre linhas de combate para acrescentar uma dimensão estratégica pouco comum no género. Ao longo de cerca de 30 níveis, os jogadores atravessam um mundo estruturado com várias bifurcações entre capítulos, que resultam em diferentes percursos, finais alternativos e elevado replay. Basicamente foi um roguelite antes de ter sido criado este subgénero.
Outro elemento marcante é o sistema de alinhamento moral, onde as decisões tomadas ao longo da história influenciam o rumo da história e as relações entre personagens. Esta abordagem reforça a componente narrativa e distingue o jogo de outros beat’em ups contemporâneos mais lineares.
Para além do modo história, Guardian Heroes inclui um modo versus expansivo, que permite desbloquear e utilizar dezenas de personagens, que inclui desde velhinhos a tossir até Deuses Infernais, em combates caóticos para vários jogadores. Este modo tornou-se particularmente popular pela sua natureza imprevisível e pelo elevado número de combinações possíveis entre mais de 100 personagens jogáveis.
A componente audiovisual também merece destaque. A estética em sprite 2D, fortemente inspirada em anime, mantém-se visualmente apelativa até aos dias de hoje. A banda sonora, com influências épicas e fantásticas, complementa o ambiente de heroic fantasy, numa linha próxima de obras como Slayers, um dos grandes percursores do seu género.
Com o passar dos anos, Guardian Heroes conquistou estatuto de culto, sendo frequentemente apontado como um dos melhores títulos da SEGA Saturn e um exemplo da criatividade da Treasure durante a década de 90. Apesar de não ter alcançado grande sucesso comercial na altura do lançamento, a sua reputação cresceu de forma consistente, sendo hoje amplamente reconhecido como um clássico.
Numa perspetiva pessoal, continua a ser um dos meus jogos favoritos da subestimada consola da SEGA, não só pela sua gameplay, como também pela forma como alia profundidade, caos, história e identidade num único jogo.









