
Há anos que o tema da reparabilidade dos produtos eletrónicos é um ponto de atrito entre consumidores e fabricantes. A Nintendo, em particular, ficou conhecida por tornar as suas consolas difíceis de abrir, a Switch 2 chegou ao mercado em 2025 com uma nota de apenas 3 em 10 no índice de reparabilidade do iFixit, com os analistas a concluir que a Nintendo estava a tratar a manutenção a longo prazo como uma “ideia secundária”. Agora, por pressão regulatória, isso vai mudar, pelo menos para quem viver na União Europeia.
A Regulamentação (UE) 2023/1542, conhecida como Regulamento das Baterias, obriga a que, a partir de 18 de fevereiro de 2027, todos os dispositivos portáteis vendidos na UE com baterias integradas permitam ao utilizador final substituí-las sem ferramentas especializadas. O objetivo declarado é reduzir o desperdício eletrónico, demasiados aparelhos acabam no lixo simplesmente porque a bateria morreu e não é possível trocá-la de forma acessível.
A Nintendo publicou no seu site europeu uma declaração de conformidade onde confirma que está a preparar versões dos seus produtos atuais para cumprir esta regulamentação. Os modelos atuais da Switch 2 usam o prefixo “BEE” nos números de referência, os novos modelos conformes com a lei europeia terão números diferentes e o código adicional “OSM” visível na embalagem, identificando-os como produtos distintos para efeitos regulatórios. O código “OSM” tinha sido detetado no início deste ano, gerando especulação sobre uma possível Switch 2 Lite ou uma versão OLED, afinal, tratava-se apenas de um modelo de conformidade regulatória.
O que muda na prática
O modelo atual da Switch 2 obriga, para aceder à bateria, a usar pistolas de calor ou solventes para desagregar o adesivo que a prende, além de parafusos proprietários que complicam a abertura da consola. O novo modelo OSM eliminará estas barreiras, sem adesivos estruturais para segurar a bateria, sem parafusos especiais para a caixa.
Esta mudança abre também a porta a baterias de maior capacidade fabricadas por terceiros, o que poderia traduzir-se em mais horas de jogo em modo portátil. A Nintendo terá ainda a obrigação de disponibilizar baterias de substituição por um período mínimo de cinco anos após a descontinuação dos produtos.
Quanto aos Joy-Con, a situação não está completamente definida. O prefixo “BEE” refere-se ao ecossistema completo da Switch 2 e não apenas à consola, pelo que os comandos podem também estar abrangidos. Um artigo do jornal japonês Nikkei, publicado em março, indicava que tanto a consola como os Joy-Con receberiam o tratamento, mas a Nintendo não confirmou explicitamente esta parte na sua declaração oficial.
Apenas para a Europa, por enquanto
Estes modelos OSM serão vendidos como produtos distintos “para efeitos regulatórios”, o que sugere fortemente que a Nintendo não tem intenção imediata de os comercializar fora da UE. Os mercados dos EUA, Japão e restantes regiões continuarão, à partida, com os modelos atuais.
A Nintendo não confirmou ainda a data exata em que o novo modelo passará a estar disponível nas lojas europeias, nem se haverá diferença de preço em relação ao modelo atual. O prazo legal para conformidade é fevereiro de 2027, mas a distribuição dos novos modelos poderá começar antes disso.
O regulamento europeu não se aplica apenas à Nintendo, tablets, auriculares sem fios e outros dispositivos portáteis de múltiplas marcas estarão sujeitos às mesmas exigências no mesmo prazo. A Switch 2, pela sua popularidade e pelo histórico de baixa reparabilidade da Nintendo, acabou por se tornar o caso mais visível desta nova onda legislativa.









