
A divisão de jogos da Microsoft atravessa uma das fases mais turbulentas da sua história. Depois da saída de Phil Spencer e de Sarah Bond em fevereiro de 2026, a nova CEO da Xbox, Asha Sharma, enfrenta um cenário financeiro difícil, margens de lucro colapsadas a apenas 3% e uma queda de receitas de quase 500 milhões de dólares ao longo dos últimos cinco anos.
É neste contexto que surge um novo relatório do The Information que revela algo que poucos esperavam ouvir da Microsoft, a empresa não descartou separar a Xbox numa subsidiária de propriedade total, abrir o capital a parceiros externos através de uma joint venture, ou até vender a divisão.
Nenhuma decisão está tomada, mas tudo está em cima da mesa
De acordo com fontes citadas pelo The Information, Satya Nadella e a diretora financeira Amy Hood ainda não tomaram qualquer decisão concreta. O relatório deixa claro que não há uma reestruturação iminente, mas também que nenhuma opção foi descartada. A Microsoft opera empresas como o LinkedIn e o GitHub como subsidiárias independentes, e esse modelo poderá servir de referência para o que se poderá fazer com a Xbox.
A situação financeira é o pano de fundo de tudo isto. Segundo o memo público assinado por Sharma e pelo diretor de conteúdo Matt Booty a 10 de junho, a Xbox gastou mais de 20 mil milhões de dólares em conteúdo, plataforma e subsídios de hardware nos últimos cinco anos, e isso sem contar com a aquisição da Activision Blizzard por 68,7 mil milhões. As receitas de jogos caíram 7% no trimestre encerrado a 31 de março de 2026, com as vendas de hardware a descer 33%.
Xbox em crise: nova CEO admite que “isto não pode continuar” e prepara cortes
A Bloomberg, numa reportagem de Jason Schreier, confirmou que estão previstos cortes significativos de pessoal para julho, logo após o fecho do ano fiscal da Microsoft a 30 de junho. O número exato de postos afetados não foi divulgado, mas rumores indicam que os preparativos internos estão em curso há semanas e que o encerramento de algum estúdio também não foi excluído. Os orçamentos de marketing e outras áreas operacionais serão igualmente reduzidos.
Sharma tem sido frontal sobre a necessidade de tomar decisões difíceis. No memo de junho, ela e Booty descreveram uma organização com infraestrutura demasiado complexa e custos de armazenamento que mais do que duplicaram desde fevereiro, e que se prevê que cheguem a cinco vezes os níveis de 2024 até à temporada de festas de 2027.
Halo, Fallout e Elder Scrolls como apostas centrais
Apesar do cenário de contenção, há uma área em que a Xbox vai gastar mais, os grandes títulos. O relatório do The Information indica que Nadella e Hood aprovaram um aumento do orçamento para jogos de topo no próximo ano fiscal, que começa em julho, embora esse valor ainda não esteja finalizado.
Sharma definiu Fallout e The Elder Scrolls como duas prioridades absolutas, e comunicou internamente que novos jogos de Halo têm de chegar ao mercado num ritmo significativamente mais rápido do que o verificado até agora. O último título principal da saga, Halo Infinite, foi lançado em 2021. The Elder Scrolls VI foi anunciado em 2018 e continua sem data.
Ao mesmo tempo, a CEO reverteu algumas das decisões do seu antecessor, baixou o preço do Game Pass, retirou Call of Duty do serviço day-one após uma queda de subscritores, e confirmou que Gears of War: E-Day e Clockwork Revolution serão exclusivos de consola Xbox.
Sharma assumiu a liderança da Xbox em fevereiro de 2026, vinda da divisão CoreAI da Microsoft, sem um historial direto na indústria dos videojogos, algo que gerou ceticismo entre os fãs desde o início. Os primeiros meses foram de escuta e diálogo aberto sobre a visão para a marca. Agora chegou a parte mais dura.
O que vai acontecer com a Xbox nos próximos meses, os despedimentos de julho, os resultados do primeiro trimestre do novo ano fiscal, e a eventual definição do orçamento para os grandes jogos, vai ditar se esta tentativa de reestruturação interna é suficiente, ou se as opções mais radicais voltam a ganhar peso nas conversas em Redmond.








