
O Nikkei vai passar a medir o peso financeiro do entretenimento japonês com o mesmo rigor que sempre dedicou às fábricas de automóveis. A partir de 18 de junho, a empresa começa a calcular e a publicar o Nikkei Japan Entertainment Content Stock Index, um novo índice bolsista centrado exclusivamente nas empresas japonesas da área do entretenimento e dos conteúdos.
O que inclui o índice
O índice é composto pelas 20 empresas com maior capitalização bolsista cotadas na Bolsa de Tóquio nos setores de entretenimento e conteúdos, jogos de consola, anime, personagens, publicações e brinquedos. O objetivo é “capturar as tendências de preços das ações das empresas japonesas por detrás de jogos, anime e personagens populares a nível global”.
Por ordem decrescente de capitalização de mercado na altura do lançamento, as empresas que integram o índice são:
- Sony Group
- Nintendo
- Bandai Namco Holdings
- Konami Group
- Capcom
- Nexon
- Sanrio
- Toho
- Sega Sammy Holdings
- Koei Tecmo Holdings
- Toei Animation
- Square Enix Holdings
- Kadokawa
- DeNA
- Takara Tomy
- Toei
- GungHo Online Entertainment
- Shochiku
- COLOPL
- GREE
A lista reúne praticamente toda a espinha dorsal da indústria criativa japonesa, dos estúdios que produzem as séries de anime mais vistas do mundo às editoras de videojogos com franquias presentes em todos os continentes.
A decisão do Nikkei não surge do nada. O setor do entretenimento japonês tornou-se, nos últimos anos, um tema de investimento cada vez mais relevante e os números ajudam a perceber porquê.
Em 2025, houve um período em que a capitalização bolsista combinada de nove grandes empresas de entretenimento, incluindo a Sony Group, ultrapassou a das nove principais construtoras automóveis japonesas. Para um país que construiu boa parte da sua identidade económica moderna em torno da indústria automóvel, é um dado com peso simbólico considerável.
A indústria do anime atingiu um máximo histórico em 2024, com receitas de 3,84 biliões de ienes (cerca de 25,25 mil milhões de dólares), impulsionada em grande parte pela procura internacional. É a segunda maior taxa de crescimento anual registada, segundo os dados da associação do setor, superada apenas pelos 15,3% de 2019. As plataformas de streaming globais, a expansão de contratos que incluem direitos teatrais, de merchandising e de eventos, e a multiplicação de propriedades intelectuais com alcance mundial transformaram o que antes era considerado uma indústria de nicho numa das principais exportações culturais do Japão.
Com este pano de fundo, fazia sentido que existisse um instrumento financeiro capaz de acompanhar especificamente esta dinâmica. Os índices generalistas não conseguem refletir com precisão os movimentos de um setor tão específico, e era essa lacuna que o Nikkei quis colmatar.
O que muda na prática
Para investidores institucionais e individuais que queiram exposição ao setor do entretenimento japonês sem ter de selecionar ações individualmente, o índice passa a funcionar como referência e potencial base para produtos financeiros derivados, como ETFs. É também um sinal de maturidade, quando um setor ganha o seu próprio benchmark no Nikkei, deixa de ser tratado como apêndice de categorias mais amplas e passa a ter visibilidade própria nos mercados.
A composição do índice será revista periodicamente, ajustando-se às alterações de capitalização das empresas do setor.









