
Durante anos, a Sony foi construindo uma reputação sólida junto dos jogadores de PC, lançando, com algum atraso em relação à PlayStation, alguns dos seus maiores exclusivos para um jogador, de Horizon Forbidden West a Marvel’s Spider-Man 2. Essa estratégia, no entanto, parece estar a chegar ao fim. Depois de meses de rumores, a verdadeira razão por detrás da decisão começou finalmente a tornar-se pública.
Em março, surgiram os primeiros indícios desta mudança de rumo, através de uma investigação da Bloomberg, que avançou que a Sony estaria a abandonar os planos de lançar os seus principais jogos single-player no PC, citando Ghost of Yotei como um dos exemplos mais diretamente afetados pela mudança. Meses depois, a informação acabou por ser confirmada de forma muito mais direta.
O que disse Hermen Hulst aos seus funcionários
Segundo o jornalista Jason Schreier, da Bloomberg, conhecido pelas suas fontes dentro da indústria, Hermen Hulst, atual responsável pela área de negócio dos estúdios da Sony Interactive Entertainment, terá comunicado internamente a decisão durante uma reunião geral com os colaboradores. Hulst disse à equipa que os jogos narrativos para um só jogador da Sony serão, a partir de agora, exclusivos das consolas PlayStation.
Schreier foi mais longe num post publicado no fórum ResetEra, onde costuma partilhar informação adicional sobre os bastidores da indústria, detalhando os motivos apresentados internamente por Hulst:
“Acho que não vão expor isto publicamente, mas não há qualquer ambiguidade na estratégia deles. Durante uma townhall há algumas semanas, Hermen Hulst disse à equipa que os seus jogos narrativos para um só jogador serão exclusivos da PlayStation, e explicou que eram inconsistentes nos lançamentos para PC, não geravam dinheiro suficiente, e querem manter a sua propriedade intelectual alinhada com a sua própria plataforma. Confirmei isto com duas pessoas que o ouviram dizer. Não há aqui nenhum caso a caso”.
Ou seja, segundo esta versão dos acontecimentos, a decisão resume-se a três motivos concretos:
- A cadência dos lançamentos no PC era inconsistente, com ports a chegar em alturas muito diferentes após o lançamento original na PlayStation
- As vendas no PC não geravam receita suficiente para justificar o investimento contínuo nesses ports
- A Sony quer manter a sua propriedade intelectual associada de forma exclusiva à sua própria plataforma

A versão oficial da Sony, através do seu CEO
Ao contrário do que Schreier sugeriu inicialmente, a Sony acabou por abordar o tema publicamente. Hideaki Nishino, presidente executivo da Sony Interactive Entertainment, comentou a estratégia numa entrevista à revista japonesa Famitsu. Nishino afirmou:
“Sempre determinámos a escolha de plataforma com base nas características de cada título. Se lançar um título no PC maximizar a experiência de jogo, continuaremos a considerar essa opção. A nossa política principal atual é que, para os jogos para um só jogador desenvolvidos internamente, vamos continuar a refinar o valor da experiência de jogo que a PlayStation pode oferecer”.
Nishino acrescentou ainda que esta lógica não se aplica da mesma forma a jogos com componente multijogador:
“Ao mesmo tempo, consideramos importante que os jogos como serviço alcancem um público mais vasto através do multijogador online, por isso continuamos a ver o lançamento tanto na PS5 como no PC como sendo a norma”.
Esta distinção ajuda a explicar por que motivo títulos como Marathon, lançado simultaneamente para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC, ou Marvel Tokon: Fighting Souls, continuam a ter planos de chegar a múltiplas plataformas, ao contrário do que está reservado às grandes produções narrativas de um só jogador.
Que jogos ficam apenas na PlayStation
Esta mudança de estratégia chega numa altura particularmente movimentada para o catálogo de exclusivos da Sony. Entre os títulos já anunciados e que deverão permanecer apenas na PS5 encontram-se:
- Marvel’s Wolverine, da Insomniac Games
- God of War Laufey, da Santa Monica Studio, centrado na personagem Faye
- O remake da trilogia clássica de God of War
- Intergalactic: The Heretic Prophet, o novo projeto da Naughty Dog, protagonizado por Tati Gabrielle
Vale ainda a pena notar que esta política se aplica especificamente aos jogos desenvolvidos internamente pelos estúdios da Sony.








