
Mesmo depois do desfecho da série principal, My Hero Academia continua a arranjar formas de se manter em destaque junto dos fãs. Depois do episódio epílogo My Hero Academia: More, que mostrou o mundo de Deku e dos seus colegas já na idade adulta, chegou recentemente mais um capítulo: My Hero Academia: I Am a Hero Too, centrado na vida de Eri após o fim da história original.
Foi precisamente neste contexto que o site ComicBook teve a oportunidade de conversar com Masahiko Minami, presidente do estúdio BONES, sobre o percurso do estúdio junto desta franquia e sobre o que poderá vir a seguir.
Há mais de dez anos que o BONES é o estúdio responsável pela adaptação da obra de Kohei Horikoshi. Além da série principal, os animadores também trabalharam em produções como My Hero Academia: Vigilantes, várias curtas-metragens especiais e os quatro filmes que expandiram este universo.
Questionado sobre como começou esta parceria, Minami recordou o momento em que conheceu o autor da obra:
“Já passou mais de uma década desde que conheci o escritor, o Horikoshi-sensei, e o que realmente me atraiu em My Hero Academia foi o poder e os temas da série. Estou muito feliz por termos conseguido adaptar esta obra para anime para os fãs desfrutarem“.

Ainda há espaço para mais My Hero Academia?
Apesar de se mostrar disponível para falar sobre o passado da franquia, e de deixar um agradecimento aos fãs que acompanharam o especial de Eri lançado recentemente na Crunchyroll, Minami evitou confirmar se o BONES está a trabalhar em algum novo projeto ligado a My Hero Academia. Muitos fãs continuam a perguntar-se se haverá uma terceira temporada de My Hero Academia: Vigilantes ou até um novo filme centrado na Turma 1-A já adulta. Ainda que nada esteja confirmado, o presidente do estúdio também não fechou completamente essa porta durante a conversa.
Um dos temas mais interessantes abordados por Minami foi a aposta do BONES em projetos anime totalmente originais. O estúdio é conhecido sobretudo por adaptações de obras já estabelecidas, como Fullmetal Alchemist, Gachiakuta e Mob Psycho 100, mas Metallic Rouge, um dos lançamentos mais recentes do estúdio, representa uma história inteiramente nova, criada de raiz, algo que Minami considera essencial para o estúdio:
“No que toca ao nosso estilo de produção, estamos sempre à procura de originalidade e de como conseguimos alcançá-la. Normalmente, quando trabalhamos numa história que já tem um mundo e personagens estabelecidos, temos sobretudo de pensar em como trazer isso para a animação mantendo o espírito original. Nas obras originais, é cem vezes mais difícil, porque temos de começar absolutamente do zero. Mesmo sendo tão desafiante, o BONES continua empenhado em produzir animação original“.

Os desafios da indústria do anime na atualidade
Minami aproveitou ainda a conversa para refletir sobre os desafios que a indústria do anime enfrenta neste momento, numa altura em que o streaming tornou este tipo de conteúdo mais acessível a nível mundial do que alguma vez foi:
“É um ambiente melhor hoje em dia, graças à forma como as pessoas conseguem aceder ao anime a nível global, mas o que me preocupa na indústria é conseguirmos continuar a produzir animação à escala dessa acessibilidade. O anime não é algo que se possa ‘fabricar’, não funciona assim, por isso há uma limitação inerente à quantidade que conseguimos produzir. À medida que a indústria vai crescendo cada vez mais, temos de trabalhar o anime com muito mais cuidado e atenção ao detalhe“.
Horikoshi prepara-se para explorar o género de terror
Mesmo que My Hero Academia nunca regresse com uma nova história, seja em anime ou noutro formato, o seu criador continua bastante ativo. Kohei Horikoshi está prestes a lançar uma nova obra de terror, intitulada Don’t Laugh, Shijima-San, dando finalmente ao mangaká a oportunidade de explorar este género pela primeira vez.
Segundo revelou o próprio Minami, nem ele próprio sabia que Horikoshi estava a preparar esta obra de terror até ser informado disso mesmo durante uma entrevista. Ainda assim, o presidente do BONES já deixou a porta aberta para uma possível adaptação da história para anime, caso surja a oportunidade certa.








