
O futuro do próximo jogo da saga Mass Effect voltou a ser posto em causa depois de um antigo quadro da Electronic Arts ter admitido que o projeto pode nunca ver a luz do dia. A BioWare confirmou já em 2020 que estava a trabalhar num novo jogo da saga, mas desde então praticamente não houve novidades sobre o título, sobretudo porque o estúdio esteve concentrado, nos últimos anos, no desenvolvimento de Dragon Age: The Veilguard, lançado em 2024.
Agora que Mass Effect 5, como os fãs lhe chamam informalmente, se tornou finalmente o principal foco da BioWare, há quem duvide se o jogo vai mesmo chegar a sair.
Em entrevista à PC Gamer, Emmanuel Rosier, que trabalhou como gestor sénior na Electronic Arts até 2024, admitiu ter sérias dúvidas quanto ao futuro do jogo. Rosier passou perto de uma década na editora, grande parte desse tempo como responsável de planeamento de procura para franquias, e é atualmente diretor de inteligência de mercado na consultora Newzoo.
Rosier reconhece as dificuldades que a BioWare, enquanto estúdio, tem vindo a atravessar nos últimos anos, mas aponta sobretudo para a nova estrutura acionista da EA como o verdadeiro fator de incerteza. A editora foi recentemente adquirida, num negócio avaliado em 55 mil milhões de dólares, por um consórcio de investidores privados liderado pelo Fundo Público de Investimento da Arábia Saudita, com participação também da Silver Lake e da Affinity Partners, uma operação que tornou a EA uma empresa privada.
Segundo Rosier, é natural que este grupo de investidores continue a apostar nas franquias que trazem mais receita à empresa, como Madden ou EA Sports FC. Já o futuro da BioWare, argumenta, é bem mais incerto, o que pode acabar por significar que Mass Effect 5 nunca chegue a materializar-se. Questionado diretamente sobre a possibilidade de a EA travar o desenvolvimento do jogo, Rosier foi direto: “Podem desligar tudo muito, muito facilmente“.
Uma saga que já não é a força que costumava ser
Apesar de ser uma das franquias RPG mais populares de sempre, Mass Effect já não está em grande destaque há mais de uma década. O último jogo, Mass Effect Andromeda, lançado em 2017, foi recebido de forma bastante negativa tanto pela crítica como pelos jogadores. Somando essa reação à receção igualmente fria de títulos como Anthem e Dragon Age: The Veilguard, a BioWare deixou de ser, para a EA, um estúdio que gera receitas significativas.
Caso Mass Effect 5 acabasse mesmo por ser cancelado, é bastante provável que isso viesse acompanhado do encerramento total da BioWare enquanto estúdio. Seria um desfecho especialmente desanimador, tendo em conta que a BioWare é, há mais de 30 anos, um dos estúdios mais estimados da indústria dos videojogos, mas, dado o percurso recente do estúdio, também não seria propriamente uma surpresa.
Vale a pena sublinhar que, apesar do peso das palavras de Rosier, tudo isto continua a ser, para já, apenas especulação. Sobre o próprio jogo, ainda não existe qualquer janela de lançamento definida, nem foram confirmadas as plataformas em que vai estar disponível.
O projeto encontra-se ainda em fase de pré-produção, tendo o próprio diretor do jogo confirmado esse estado de desenvolvimento. A gestão da BioWare já veio também justificar que, nesta fase específica do projeto, não é necessário o envolvimento de todo o estúdio, o que levou à realocação de vários colaboradores para outras equipas dentro da EA, um sinal adicional das reestruturações que continuam a marcar o dia a dia do estúdio.








