DJI Mic 3 (1)

O DJI Mic 3 é a aposta mais clara da DJI numa ideia simples, o melhor microfone é o que se leva sempre. O DJI Mic 3 reduz os transmissores a pouco mais do que uma moeda de dois euros e enche-os de ferramentas de produção que antes pediam equipamento mais pesado.

Esta é a evolução mais acertada da linha para criadores de conteúdo, mas a DJI fez uma troca que não vai agradar a todos. O transmissor deixou de ter entrada para microfone de lapela e porta USB-C, e a fixação passou a ser magnética.Podem comprar o DJI Mic 3 com desconto na Amazon aqui.

O que existe de novo no DJI Mic 3

A DJI decidiu que o transmissor é o microfone. Em vez de um corpo maior com entrada para lapela, temos um bloco minúsculo, com 16 g com íman, que se prende ao peito ou à gola. Para a maioria dos utilizadores, é a decisão certa, menos peso, menos cabos, menos coisas a correr mal e uma preparação quase instantânea com o estojo.

Mas é também a decisão que mais divide. Quem precisa de esconder o microfone, de o colocar num sítio onde o transmissor não cabe ou de trabalhar com uma lapela dedicada perde essa possibilidade. Para esse público, o Mic 3 simplesmente não serve, e não há acessório que o resolva.

Quanto à fixação magnética, na nossa utilização, o íman mostrou-se fraco para movimento intenso, o que confirma a cautela da própria DJI com roupa grossa e movimento violento. Para entrevistas e gravações de pé ou sentado parece-nos suficiente. Em vlogs de ação e desporto, preferiríamos um clipe mecânico.

Há ainda uma dependência que convém conhecerem, sem o estojo, não conseguimos carregar o transmissor nem retirar os ficheiros gravados. Em viagem, esquecer o estojo é um problema real.

O 32-bit float é menos importante do que parece

A DJI e o mercado fazem do 32-bit float o argumento principal. Na nossa opinião, o ganho real está noutro lado, cada transmissor grava o áudio internamente, em ficheiros WAV, com 32 GB de espaço. Se a ligação sem fios falhar, se a câmara perder o som ou se alguém se esquecer de ajustar níveis, o ficheiro do transmissor continua lá. Essa segurança vale mais do que a margem dinâmica do formato.

O 32-bit float ajuda, sem dúvida, a recuperar uma voz que subiu demasiado ou ficou baixa. Mas não elimina todas as distorções, porque o limite continua a existir no próprio microfone. E o áudio que o recetor envia para câmaras e telemóveis é, no máximo, de 24 bits, pelo que a vantagem aplica-se à gravação interna.

O modo de ficheiro duplo, que guarda o original e uma versão processada, é o que mais gostámos. Permite usar a versão pronta a publicar quando há pressa e voltar ao original quando o processamento estraga alguma coisa.

Cancelamento de ruído, ganho adaptativo e tons de voz

O cancelamento de ruído tem dois níveis e está desligado por defeito. Na nossa experiência, o nível forte corta bem o ruído de fundo, mas tira algum corpo à voz. Por isso vemo-lo como uma ferramenta de eventos e de ambientes realmente barulhentos, não de uso permanente. A estratégia mais sensata é usar o nível mais baixo que resolva o problema e manter o original à mão.

O controlo adaptativo do ganho é, para nós, a funcionalidade mais subestimada. Para quem não quer andar a vigiar níveis, o modo Automático protege contra picos súbitos e o modo Dinâmico equilibra uma voz que varia muito. Quando está ativo, deixa de ser possível ajustar o ganho manualmente no recetor.

Os três perfis de tom de voz, Regular, Rich e Bright, são o que menos nos convence como argumento de compra. São uma equalização rápida e, como o ficheiro original fica guardado, quem edita com cuidado dificilmente precisará deles. Para quem publica sem editar, podem poupar tempo.

Qualidade de som do DJI Mic 3: limpa

A voz soa limpa e profissional, e as plosivas, os b e os p que costumam estourar num microfone junto à boca, ficam bem controladas. Para o tipo de utilização a que o Mic 3 se destina, é um resultado muito competente.

A ressalva está nas sibilâncias. Os s ficam um pouco mais agressivos, algo que se nota sobretudo em vozes mais claras ou com o perfil Bright. Não é grave e corrige-se na edição, mas é um pormenor que quem trabalha com voz vai querer ouvir antes de decidir.

A cápsula é omnidirecional, o que significa que capta tudo à volta. O posicionamento e a proximidade da boca contam por isso mais do que qualquer especificação, e o ruído do ambiente entra se o transmissor estiver longe.

O timecode é, a nosso ver, a funcionalidade com mais valor oculto. Para quem grava com duas câmaras, ou grava áudio e vídeo em separado, permite sincronizar sem bater palmas nem perder tempo na edição. O recetor pode funcionar como gerador e distribuir o código pelos restantes dispositivos.

Nas ligações, o mais prático para redes sociais é o Bluetooth direto ao telemóvel, que dispensa o recetor. Para câmaras, o cabo de 3,5 mm com bloqueio resolve quase tudo. A saída de quatro canais é um recurso de nicho, restrito a câmaras Sony com o adaptador ou a software de computador compatível. O recetor não liga a entradas XLR e os transmissores e recetores das gerações anteriores não são compatíveis. A ligação aos dispositivos DJI e ao telemóvel foi imediata, e é um dos pontos em que o ecossistema compensa.

Autonomia e alcance

A DJI anuncia 8 horas por transmissor, 10 no recetor e 28 com o estojo, mas mede-as com o cancelamento de ruído e a gravação interna desligados. Na prática, com o cancelamento de ruído ligado, a autonomia ficou abaixo das 8 horas anunciadas. Quem usar estas funções, que são precisamente as que justificam o produto, deve contar com menos. O carregamento rápido compensa, poucos minutos no estojo já dão horas de utilização.

O alcance de 400 metros verifica-se em campo aberto e sem interferências. Em eventos cheios de pessoas e dispositivos sem fios,já é outra história e vão querer estar o mais porto possível para evitar interferências.

Em entrevistas em eventos foi onde o DJI Mic 3 mais nos convenceu, é discreto, rápido de preparar, com gravação de segurança e capaz de dar resposta em situações onde o tempo e o espaço escasseiam. O cancelamento de ruído ajuda, mas não substitui a proximidade da boca.

Para reviews, unboxings e entrevistas a duas pessoas, o kit com dois transmissores cobre quase tudo. O ficheiro duplo e o timecode poupam tempo de edição.

O Bluetooth direto e a aplicação tornam-no ágil, embora a compatibilidade com transmissões em direto dependa do telemóvel e da aplicação.

A gravação interna, timecode e ficheiros duplos fazem sentido em equipas com várias câmaras. Para quem grava ocasionalmente, são funcionalidades que se pagam e raramente se usam.

DJI Mic 3 vs DJI Mic 2

O Mic 3 melhora em relação ao Mic 2 em tamanho, armazenamento, autonomia e capacidade de ligação, e acrescenta timecode, ganho adaptativo e perfis de tom. É uma melhoria grande e, a nosso ver, justificada para quem grava vídeo regularmente.

O Mic 2 continua a ter um trunfo que o sucessor perdeu, a entrada de 3,5 mm para lapela e uma fixação mais robusta. Quem depende dessas duas coisas deve ficar com o Mic 2, em vez de comprar o Mic 3.

O que gostamos

  • Voz limpa e profissional, com plosivas bem controladas.
  • Transmissores muito pequenos e leves, fáceis de usar e de levar.
  • Ligação imediata a dispositivos DJI e ao telemóvel.
  • Gravação interna de segurança, com opção de ficheiro duplo.
  • Timecode
  • Boa autonomia com carregamento rápido.
  • Ganho adaptativo e cancelamento de ruído úteis em eventos.
  • Capacidade de crescer até quatro transmissores.

O que não gostamos

  • Sem entrada para lapela externa nem porta USB-C no transmissor.
  • Íman fraco para movimento intenso e vento.
  • Sem compatibilidade com gerações anteriores.
  • Saída de quatro canais e ligação a câmaras Sony dependem de acessórios.
  • Aplicação DJI Mimo confusa
  • Sibilâncias um pouco mais agressivas.
  • Cancelamento de ruído forte tira corpo à voz.
  • Autonomia real abaixo da anunciada com o cancelamento de ruído ligado.
  • Sem o estojo, não é possível carregar o transmissor nem exportar ficheiros.

Em suma, o DJI Mic 3 é o sistema que recomendaríamos à maioria dos criadores que gravam voz com regularidade. As cedências são reais, mas bem definidas, e quem não depende de lapela externa dificilmente as sentirá.

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