
Quem acompanha os círculos criativos japoneses sabe que é raro ver figuras estabelecidas da indústria pronunciarem-se sobre temas políticos ou ideológicos. Por isso, quando Akiman partilhou a sua opinião abertamente no X, muita gente prestou atenção.
A mensagem foi direta: “Estou preocupado que um movimento WOKE possa começar a acontecer de repente na indústria do anime”.
Para quem não conhece o nome por trás do pseudónimo, Akira Yasuda entrou na Capcom em 1985 e passou quase duas décadas a deixar a sua marca em títulos como Street Fighter II: The World Warrior, Final Fight e Captain Commando. Depois de sair da empresa em 2003, continuou activo como freelancer, tendo contribuído para produções como Turn A Gundam e Code Geass, onde foi responsável pelo design dos Knightmares, além de mais recentemente ter lançado a linha de modelos de figura feminina GODZ ORDER em parceria com a Max Factory. Não é, portanto, alguém de fora a comentar o que não conhece.
O que torna este momento particularmente curioso não é tanto o conteúdo do tweet em si, mas o facto de vir de onde vem. O Japão tem historicamente mantido os seus espaços criativos afastados do tipo de debate cultural que domina as redes sociais ocidentais. Figuras públicas do anime, dos videojogos e da ilustração tendem a evitar temas politicamente carregados, tornando mesmo um comentário moderado como este algo que se destaca do habitual.
A preocupação de Akiman insere-se num debate mais amplo que tem vindo a ganhar visibilidade, também entre profissionais japoneses da área. Em setembro de 2024, Kazuhiko Torishima, ex-editor-chefe da Weekly Shonen Jump e editor histórico de Akira Toriyama durante toda a série Dr. Slump e metade de Dragon Ball, afirmou numa entrevista que a censura que se tem verificado nos últimos anos na indústria japonesa de videojogos, mangá e anime não resulta de escolhas voluntárias dos criadores, mas da pressão para cumprir normas de conteúdo americanas.
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Há também o fenómeno das localizações. Nos últimos anos, vários casos de tradutores ocidentais que alegadamente alteraram diálogos de anime e mangá para incluir terminologia identitária ou expressões ideológicas ausentes do original japonês geraram controvérsia significativa online, contribuindo para alimentar a sensação, dentro e fora do Japão, de que existe uma tentativa de remodelar culturalmente o produto enquanto ele atravessa fronteiras.
Tudo isto acontece num momento em que o anime atravessa simultaneamente o seu período de maior popularidade global e algumas das suas maiores tensões internas, desde a crise de pessoal e os salários baixos dos animadores, até ao debate sobre a utilização de inteligência artificial na produção.
A mensagem de Akiman pode ser curta, mas reflecte uma conversa que já acontece há mais tempo do que aparenta, e que agora começa a ter vozes dentro da própria indústria japonesa.










Imagino que esse comentario nem vá ser aprovado…Vocês não tem vergonha? Esses “antiwoke”, são racistas, homofóbicos e misóginos, quem agem que branco hétero é o padrão, e qualquer coisa que fuja disso precisa de explicação do pq não é o “padrão”. Vocês tratando essas pessoas como “opinião” é algo nojento.
concordo contigo, não esperava que essa pagina endossaria (foi essa impressão que eu tive lendo o texto) e muito menos daria todo esse espaço pra um comentario burro do Akiman como esse….
Cansou de destruir a cultura ocidental e agora já tem novo alvo…quem quer se infiltrar e mudar conteudos e ideias sao vcs e como boas crianças choram quando outros, nao aceitam a inclusão forçada que carece de verossimilhança . Triste daqueles que precisam de estímulos externos para serem aceitos, pior são ainda os que forçam para que estes estímulos existam. Quanto a aceitaçao. ela só é bonita quando é sua, visto que uma simples matéria neutra sobre um antiwoke já gera essa atitude infantil de revolta. QUanto ao comentário ser aprovado, não julgue os outros pela sua régua.
Essa cultura WOKE destrói tudo o que toca, só queremos o conteúdo assim como ele é de fato, se querem algo diferente, que façam por si mesmos. Tem muito conteúdo que agrada essa cultura WOKE, mas eles insistem em querer mudar a opinião dos outros de algo que já está ai. Se o personagem é um coronel musculoso do exercito americano, querem mudar isso, as garotas tem roupas do jeito que são por causa da historia delas, mas até isso querem diferente, deveriam para de dar ouvidos para essas pessoas que apenas querem que o conteúdo pare de existir.