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Johnny Somali, o Streamer que insultou vítimas de Hiroshima, é condenado a prisão

Ramsey Khalid Ismael, conhecido online como Johnny Somali, foi considerado culpado de todos os crimes

Johnny Somali screenshot

Há quem se lembre bem de 2023. Um streamer americano a percorrer o Japão com uma câmara a filmar tudo, a aproximar-se de desconhecidos em espaços públicos para gritar “Hiroshima, Nagasaki… voltaremos a fazê-lo”. A indignação foi imediata e global. Três anos depois, chegou a conta, desta vez na Coreia do Sul.

O caso começou, de facto, no Japão. Ismael chegou ao país em maio de 2023 e passou meses a transmitir em direto comportamentos que incluíam assediar passageiros nos transportes públicos, invadir uma obra em Osaka aos gritos de “Fukushima!”, o que resultou na sua detenção por invasão de propriedade, e perturbar o funcionamento de um restaurante com música a volume ensurdecedor. O processo terminou com uma multa de 200 mil ienes e a expulsão do território japonês.

O problema é que nada disso o travou. Em setembro de 2024, Ismael chegou à Coreia do Sul. O que se seguiu foi ainda mais grave.

Entre os incidentes registados em Seul, destaca-se o momento em que Ismael beijou a Estátua da Paz e fez gestos sexualmente sugestivos sobre o monumento, uma memória dedicada às mulheres forçadas à escravatura sexual pelo exército japonês durante a Segunda Guerra Mundial. O vídeo circulou rapidamente e chegou ao próprio parlamento sul-coreano. A indignação foi tal que cidadãos e criadores de conteúdo organizaram uma espécie de caça ao homem pelas ruas, chegou a ser colocada uma recompensa pela sua localização. Um ex-membro das Forças Especiais navais coreanas deu-lhe um soco que o deixou inconsciente num vídeo que se tornou viral.

Além do incidente com a estátua, Ismael foi acusado de transmitir propaganda norte-coreana em espaços públicos, causar distúrbios numa loja 7-Eleven e num autocarro, e distribuir vídeo deepfake de conteúdo sexual envolvendo uma criadora de conteúdo coreana, esta última acusação a mais grave de todas, ao abrigo da Lei Especial sobre a Punição de Crimes de Violência Sexual.

No tribunal, a defesa tentou várias saídas. Ismael disse ao juiz que desconhecia a severidade das leis coreanas em comparação com as americanas e que algumas das suas ações tinham sido feitas sob o efeito de álcool. A mãe apresentou uma declaração escrita a pedir clemência. Na última audiência, ainda tentou uma derradeira jogada: “Tenho família em casa, preciso de uma oportunidade para mudar a minha vida enquanto jovem, e de uma segunda hipótese para fazer melhor. Durante todo o processo judicial, não pratiquei nenhum ato para ofender ninguém, o que mostra que aprendi a lição”. O juiz não se deixou convencer.

O tribunal considerou-o culpado de todos os crimes, declarando que “o arguido cometeu crimes repetidos contra membros indeterminados do público para gerar lucro através do YouTube e distribuiu o conteúdo sem respeito pelas leis coreanas”. A sentença foi de seis meses de prisão com trabalhos, proibição de exercer funções em instituições que trabalhem com menores e pessoas com deficiência durante cinco anos, e obrigação de se registar como agressor sexual nos Estados Unidos após ser deportado. O canal de YouTube foi entretanto apagado.

Os procuradores tinham pedido três anos de prisão com trabalhos, mais do que o que o tribunal acabou por aplicar, e mantêm a possibilidade de recorrer da decisão, tal como o próprio Ismael, que tem uma semana para interpor recurso.

Ismael foi detido imediatamente após a leitura da sentença. Irá cumprir a pena numa prisão de trabalho especializada, sem acesso a telemóvel.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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