Punch é um macaco japonês de menos de um ano com mais fãs do que muitos influenciadores humanos. Nascido a 26 de julho de 2025 no jardim zoológico de Ichikawa, nos arredores de Tóquio, foi abandonado pela mãe pouco depois do parto, segundo os tratadores, num contexto de onda de calor intensa, que terá levado a progenitora a dar prioridade à sua própria saúde. Os funcionários do zoo criaram-no à mão, deram-lhe cobertores, toalhas e, como companhia, um boneco de peluche da IKEA em forma de orangotango. Punch agarrou-se ao brinquedo como se fosse a mãe, e as imagens que o zoo partilhou a 5 de fevereiro tornaram-se virais em poucas horas. O hashtag #HangInTherePunch correu o mundo, a fila de espera para ver o Monkey Mountain passou a ser diária, e o peluche da IKEA esgotou em grande parte das lojas a nível global. Em março, a cantora Lisa, das Blackpink, visitou-o e partilhou a sua própria versão do brinquedo no Instagram.
É neste contexto que, no domingo passado, dois cidadãos americanos foram detidos pela polícia de Ichikawa após um deles ter escalado a vedação do recinto dos macacos e entrado no interior enquanto o outro filmava.
Segundo declarações da polícia de Ichikawa à agência AFP, Reid Jahnai Dayson, de 24 anos e estudante universitário, trepou a vedação e desceu para o fosso seco que rodeia o recinto. Neal Jabahri Duan, de 27 anos e que se identificou como cantor, terá filmado o momento. As imagens que circularam nas redes sociais mostram uma pessoa com um fato azul e uma máscara com uma cara sorridente de óculos de sol a escalar a vedação, os macacos debandaram ao ver o intruso, concentrando-se numa formação rochosa no interior do recinto.
Nenhum dos homens chegou a aproximar-se dos animais e foram detidos rapidamente por funcionários do zoo. Ambos negam os factos, mas revelou-se que, antes da detenção formal, Dayson terá admitido perante as autoridades: “Tive de o fazer porque perdi uma aposta de futebol”. Nenhum dos dois tinha identificação consigo e ambos tentaram inicialmente dar nomes falsos à polícia.
Enfrentam agora acusações de obstrução forçada do negócio, o equivalente a perturbação do funcionamento de uma atividade comercial, punível com pena de prisão e multa no Japão.
Um zoo já sob pressão
O incidente surge num momento particularmente sensível para o zoo de Ichikawa. Desde que Punch se tornou viral em fevereiro, o número de visitantes duplicou em relação ao ano anterior. A direção do zoo tinha já imposto limitações de tempo no front row de observação e proibido selfie sticks para reduzir o stress dos animais. A fama trouxe afeto genuíno e também disrupção.
Na sequência da invasão, o zoo anunciou através da sua conta no X que a área de visualização pública seria recuada e que iriam ser instaladas redes de proteção anti-intrusão e patrulhas permanentes no local. A gestão estuda ainda a proibição total de filmagens junto ao recinto, uma medida que afetaria também criadores de conteúdo, cujas solicitações de autorização foram temporariamente suspensas.
O zoo confirmou que “não foram observadas quaisquer anomalias nos animais” após o incidente.
Este episódio não é único no panorama recente do Japão. O país regista atualmente níveis históricos de turismo internacional, o que tem sido acompanhado por um aumento de incidentes protagonizados por visitantes estrangeiros, incluindo casos de invasão de propriedade e comportamentos perturbadores em espaços públicos.
Quanto ao Punch, segundo as últimas atualizações do zoo, em março já se agarrava menos ao peluche e tinha começado a socializar com macacos adultos. Parece estar bem.









