InícioJogosHomem processa a Nintendo por lhe recusarem o título de Professor Pokémon

Homem processa a Nintendo por lhe recusarem o título de Professor Pokémon

A Nintendo recusou-lhe o título de Pokémon Professor. Ele pediu 341 mil dólares em tribunal

Kyle Owens, um homem de 34 anos da cidade de Laurens, no Iowa, deu entrada num processo judicial no Tribunal Federal do Distrito Sul do Iowa contra a Nintendo of America e a The Pokémon Company International, pedindo 341.000 dólares em indemnizações, e também que um tribunal o obrigue a ser reconhecido como Professor Pokémon.

O caso invoca o Sherman Act, a principal lei federal norte-americana em matéria de direito da concorrência, e alega que as empresas agiram de forma monopolista ao excluir Owens de um programa de certificação com impacto comercial direto.

O que é um Professor Pokémon?

O Programa de Professores do Play! Pokémon é um sistema de certificação que permite a fãs atuar como organizadores, juízes, assistentes e embaixadores em eventos oficiais da franquia. Segundo o site da The Pokémon Company, os membros certificados têm acesso a uma loja exclusiva de merchandising, podem organizar e arbitrar torneios oficiais, desde ligas locais até eventos de nível internacional, e acumulam pontos por cada evento em que participam. Na prática, o título confere acesso a um ecossistema de eventos e benefícios vedado ao público geral.

Para ser aceite, é preciso passar num exame e, dependendo do resultado, realizar um check de antecedentes criminais.

O 100% que não chegou para entrar

Segundo os documentos do processo, a 12 de março de 2024, a The Pokémon Company International informou Owens de que tinha passado no exame básico com uma pontuação de 100%. O comunicado indicava que, antes de poder “dar os seus primeiros passos como Pokémon Professor”, seria necessário submeter-se a um check de antecedentes.

Esse check revelou um mandado de detenção pendente noutro estado, datado de 2022, relativo a uma falta de comparência em tribunal por três acusações de carácter penal menor: desordem pública com envolvimento em confronto físico, posse, reparação ou venda de arma ofensiva, e danos criminais em propriedade alheia.

A 6 de maio de 2024, a The Pokémon Company International comunicou a Owens que a sua candidatura havia sido recusada. A carta incluía ainda uma informação adicional, a sua pontuação no exame tinha sido revista para 80%, o que o colocava abaixo do limiar mínimo de aprovação.

O argumento legal

No processo, Owens contesta dois pontos. Em primeiro lugar, alega que a justificação apresentada para a recusa foi alterada ao longo do tempo, inicialmente invocou-se “um crime grave antigo, de baixo nível, com mais de dez anos”, e só depois se passou a referir as três acusações de contraordenação que, segundo ele, “não mostram declarações de culpa”. Em segundo lugar, a revisão da pontuação do exame, que surgiu apenas após a recusa e não antes.

Na queixa, Owens argumenta ainda que o programa não é “meramente recreativo”: “Funciona como um sistema estruturado de certificação e autorização, conferindo estatuto oficial, acesso a ferramentas de eventos oficiais, a capacidade de organizar partidas sancionadas de jogo de cartas e videojogos, listagem num localizador de eventos e oportunidades que geram tráfego comercial, afluência de clientes, vendas de produtos, reputação e vantagem comercial”.

Owens pede ao tribunal que ordene às empresas que lhe concedam a certificação, que restaurem o acesso às ferramentas do programa e que lhe permitam organizar eventos oficiais. Sustenta ainda que a sua exclusão não prejudica apenas ele, mas também reduz a concorrência e o acesso dos consumidores ao ecossistema oficial de eventos Pokémon na sua região, privando-os de um organizador qualificado.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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