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Nintendo tomou uma decisão drástica com a Switch 2 no Japão e os scalpers são a razão

Nintendo Switch 2 - Box

A Nintendo suspendeu temporariamente as vendas da versão multilingue da Nintendo Switch 2 na sua loja online japonesa depois de ter detetado várias encomendas suspeitas de compras em massa para revenda. O anúncio foi feito a 11 de junho de 2026 através da conta oficial da Nintendo no X, e já está a gerar muita discussão entre a comunidade de jogadores.

O Japão é o único mercado onde existem duas versões distintas da Switch 2 em venda simultânea. A versão doméstica, a mais acessível e a única disponível nas lojas físicas, está bloqueada ao idioma japonês e só aceita contas Nintendo com a região configurada para o Japão. A versão multilingue, por sua vez, funciona como qualquer Switch 2 vendida fora do país, permite escolher o idioma e a região livremente, mas só pode ser adquirida diretamente na Nintendo Store japonesa e a um preço mais elevado.

E foi precisamente essa versão multilingue que se tornou o alvo dos scalpers.

O motivo é simples, com o iene enfraquecido, a versão multilingue da Switch 2 no Japão fica atualmente nos ¥69.980, o equivalente a cerca de €375 ou $435. Com a subida de preços confirmada pela Nintendo para setembro de 2026, a consola vai passar a custar $499,99 nos EUA e €499,99 na Europa, tornando a versão japonesa ainda mais barata por comparação. Para quem compra aos lotes para revender, as margens são tentadoras.

A Nintendo reagiu de forma direta. Segundo o comunicado: “Suspendemos temporariamente as vendas da Nintendo Switch 2 (suporte multilingue) na Nintendo Store após confirmarmos várias encomendas que pareciam ser de acumulação. Para que possamos entregar o produto a mais clientes, venderemos agora apenas a clientes que cumpram as seguintes condições. Agradecemos a vossa compreensão”.

As condições impostas são concretas, para poder comprar a versão multilingue, o utilizador precisa de ter pelo menos 50 horas de tempo de jogo registadas na conta Nintendo até ao final de maio de 2026, demos e software gratuito não contam, e só pode adquirir uma unidade por conta, incluindo eventuais compras anteriores. Ou seja, quem já tenha comprado uma, não pode comprar outra.

Não é a primeira vez que a Nintendo recorre a este tipo de restrição. No lançamento da Switch 2, em junho de 2025, os mercados dos EUA, Canadá e Reino Unido exigiram uma subscrição ativa de pelo menos dois anos no Nintendo Switch Online mais 50 horas de jogo para poder fazer pré-encomenda, uma medida pensada para dar prioridade aos jogadores com historial real de utilização. A lógica aqui é a mesma.

O que torna esta situação diferente é o contexto. A subida de preços da Switch 2 em setembro vai apertar ainda mais o diferencial cambial e transformar o Japão no mercado mais barato para importar a consola multilingue. Enquanto a versão exclusiva para o mercado japonês subiu de ¥49.980 para ¥59.980 em maio, a versão multilingue manteve o preço, o que já criava uma janela de oportunidade para os revendedores, e que vai alargar-se nos próximos meses.

A medida da Nintendo foi bem recebida por grande parte da comunidade. A frustração com os scalpers não é nova, e qualquer mecanismo que dificulte as compras em massa sem prejudicar os jogadores comuns tende a ter apoio imediato. A questão que fica por responder é se 50 horas de tempo de jogo são um filtro suficientemente robusto, ou se, como já aconteceu noutras situações, os revendedores vão encontrar formas de contornar o sistema.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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