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10 animes curtos que conseguem mais numa temporada do que outros em cinco

Existe uma ideia feita de que uma boa história de anime precisa de tempo, muitos episódios, vários arcos, anos de emissão até se chegar a algum lado. E, de facto, há séries que precisam mesmo dessa dimensão para funcionar. Mas também há o extremo oposto, obras que resolvem tudo o que têm para dizer em pouco mais de dez episódios e que continuam a ser lembradas anos depois como se tivessem durado o triplo do tempo.

10
Odd Taxi

Odd Taxi anime visual (1)

À primeira vista, Odd Taxi parece pouco mais do que uma série de episódios soltos sobre os passageiros de um taxista discreto chamado Hiroshi Odokawa. Só que, a certa altura, essa rotina é abalada quando Odokawa se vê ligado ao desaparecimento de uma adolescente, e é aí que a série começa a revelar as suas verdadeiras intenções.

Aquilo que parecem conversas soltas nos primeiros episódios acaba sempre por regressar mais tarde, transformado em pista essencial para o mistério central. Um comentário estranho dito de passagem, um telemóvel esquecido no banco de trás, uma corrida aparentemente sem importância, nada é gratuito, e a série conta com o espectador para se lembrar de tudo isso sem precisar de o relembrar constantemente.

Até a opção pouco convencional de desenhar todas as personagens como animais antropomórficos acaba por fazer sentido dramático, algo que só se percebe quase no fim. Com apenas 13 episódios, Odd Taxi consegue montar e resolver um dos enigmas mais bem construídos dos últimos anos em anime, e fá-lo sem nunca precisar de se repetir.

9
Astra Lost in Space

Capa do volume 4 de Astra Lost in Space (Kanata no Astra)

A premissa é simples de resumir, nove alunos, durante um simples passeio escolar, acabam transportados milhares de anos-luz da Terra, sem qualquer forma de contactar quem quer que seja. A partir daí, o que era suposto ser uma excursão transforma-se numa luta constante pela sobrevivência.

O interessante é que Astra Lost in Space nunca deixa este ritmo acelerado sacrificar a construção da história. Cada planeta visitado traz consigo um novo ecossistema e um novo desafio de sobrevivência, mas há sempre um mistério maior a crescer por baixo dessas aventuras isoladas, porque desapareceu este grupo em particular, que semelhanças estranhas partilham entre si, e se haverá mesmo um traidor a bordo da nave.

É esse mistério que dá propósito a tudo o resto, e que faz com que, em apenas 12 episódios, a série consiga chegar a um final que resolve praticamente todos os fios da história, deixando quase todo o elenco com um desfecho que compensa a viagem.

8
Baccano!

Baccano! anime visual

Poucas séries se atrevem a contar a sua história fora de ordem da forma como Baccano! o faz. A ação estende-se por várias décadas e segue diferentes grupos de personagens ligados a um comboio que acaba por se tornar palco de um massacre, mas em vez de seguir uma linha cronológica normal, a série atira o espectador para o meio de vários conflitos ao mesmo tempo, sem grandes explicações.

Essa confusão inicial não é um defeito, é o próprio motor da série, cada novo episódio funciona como uma peça que se encaixa nas anteriores, até se perceber como uma disputa violenta em Nova Iorque e a viagem aterradora a bordo do comboio Flying Pussyfoot fazem parte, afinal, do mesmo puzzle.

Com um elenco tão grande, seria fácil perder-se gente pelo caminho em apenas 13 episódios, e, ainda assim, quase todas as personagens ficam na memória. O final não se limita a encerrar a história, completa, peça a peça, a imagem que o espectador tem estado a montar desde o início.

7
Death Parade

Death Parade estreia em Janeiro

O ponto de partida de Death Parade é praticamente uma sentença, quem acaba de morrer chega a um bar misterioso, onde é obrigado, pelo anfitrião Decim, a participar em jogos concebidos para revelar aquilo que tem de mais sombrio. Ninguém sai destes jogos como herói ou vilão claro, mesmo as pessoas mais decentes acabam por reagir mal quando levadas ao limite.

É essa estrutura, quase de antologia, que permite à série explorar diferentes formas de luto e de dor sem nunca se repetir, ao mesmo tempo que constrói, aos poucos, uma história maior sobre julgamento e empatia. Os últimos episódios juntam o desenvolvimento emocional de Decim ao passado esquecido da sua assistente, e fazem-no com uma precisão quase cirúrgica.

Tudo isto em apenas 12 episódios, o suficiente para transformar Death Parade numa reflexão completa sobre mortalidade e compaixão, sem nunca parecer apressada.

6
Devilman Crybaby

Devilman Crybaby

O ritmo de Devilman Crybaby é praticamente implacável, mas essa pressa tem um propósito claro, mostrar com que rapidez o medo consegue destruir uma sociedade inteira. Tudo começa quando Ryo Asuka, amigo de infância de Akira Fudo, o introduz a um mundo escondido de demónios e o convence a fundir-se com um deles.

No início, essa nova força serve apenas para caçar as criaturas que ameaçam a humanidade. Mas o conflito depressa deixa de ser uma guerra secreta e passa a espalhar-se pela sociedade em forma de paranoia coletiva, com pessoas comuns a virarem-se umas contra as outras por simples suspeita de serem diferentes.

Em apenas 10 episódios, a série consegue construir um apocalipse inteiro, e um aviso bem claro sobre a facilidade com que o medo transforma seres humanos em monstros.

5
Ping Pong the Animation

Ping Pong the Animation anime visual

Peco e Smile são amigos de infância, mas encaram o ténis de mesa de maneiras completamente diferentes, e é esse contraste, mais do que o desporto em si, que sustenta Ping Pong the Animation. À sua volta, outros jogadores vão surgindo, cada um com as suas próprias razões, nem sempre óbvias, para continuar a competir.

O traço gráfico, deliberadamente pouco polido, dá a cada partida uma energia quase crua, e a própria animação parece acompanhar o estado de espírito de quem está em jogo. Mais do que celebrar vitórias, a série usa a competição para expor aquilo que falta a cada um dos protagonistas, a confiança de Peco desmorona assim que o talento deixa de bastar, enquanto a apatia de Smile o impede de perceber porque continua a jogar.

Ao longo dos episódios, os dois percorrem um caminho que vai da certeza juvenil ao fracasso, e deste ao crescimento e à aceitação, prova de que, também em anime desportivo, ganhar nem sempre é o desfecho mais interessante.

4
The Tatami Galaxy

Um estudante universitário sem nome está convencido de que desperdiçou os anos de faculdade por ter escolhido o clube errado. É a partir desta ideia fixa que The Tatami Galaxy constrói cada um dos seus episódios, colocando-o numa versão diferente da sua vida académica, sempre com a possibilidade de tentar outro caminho.

O problema é que, seja qual for a escolha, ele acaba sempre insatisfeito, obcecado com a fantasia de uma vida universitária perfeita que nunca chega a viver. É essa repetição, quase de loop temporal, que vai revelando aos poucos que o verdadeiro entrave nunca esteve nos clubes ou nas escolhas, mas na sua recusa em valorizar o que já tinha à sua frente.

Em apenas 11 episódios, aquilo que começa como uma comédia surreal sobre possibilidades infinitas transforma-se numa reflexão bastante mais profunda sobre aprender a viver a própria vida, em vez de andar sempre à procura de uma versão melhor dela.

3
Cyberpunk: Edgerunners

Produzida pelo estúdio Trigger, Cyberpunk: Edgerunners arranca com David Martinez a ter muito pouco, pouco dinheiro, poucas hipóteses, poucas razões para acreditar que a sua vida vai melhorar. É depois de uma tragédia pessoal que ele decide instalar no próprio corpo tecnologia militar de alto risco, entrando de cabeça no mundo dos mercenários cibernéticos de Night City.

A transformação de David acontece depressa, mas nunca de forma vazia, a relação que constrói com Lucy nasce precisamente de um desejo partilhado de escapar às vidas que ambos levam. E há uma ironia cruel no centro da série, cada episódio aproxima David da figura poderosa que sempre quis ser, e afasta-o, ao mesmo tempo, da pessoa que Lucy esperava conseguir salvar.

A ação é espetacular, mas nunca gratuita, reflete sempre o declínio físico e mental da personagem. Em apenas 10 episódios, a série atravessa triunfo, amor, dependência e catástrofe sem um único momento a mais.

2
A Place Further Than the Universe

A Place Further Than the Universe - Trailer + Staff

Uma viagem à Antártida é o ponto de partida de A Place Further Than the Universe, mas a verdadeira força da série está nos obstáculos, muito mais pessoais, que cada uma das quatro protagonistas precisa de enfrentar. Mari precisa de aprender a agir antes que as oportunidades lhe escapem, Hinata tem de confrontar quem a traiu no passado, e Yuzuki vai descobrindo, aos poucos, o que significa uma amizade verdadeira.

No centro de tudo está, no entanto, o luto de Shirase. Chegar à Antártida não vai trazer de volta a mãe desaparecida, mas permite-lhe finalmente encarar de frente aquilo que persegue há anos, sem mais desculpas para adiar.

A história vai-se construindo até um único momento de descoberta, que liberta anos de emoção reprimida, e termina com personagens visivelmente diferentes das que começaram a viagem, sem nunca fingir que todas as feridas ficaram resolvidas.

1
Pluto

PLUTO anime visual

O ponto de partida de Pluto é praticamente um thriller policial, os robôs mais avançados do mundo estão a ser assassinados um a um, e tudo aponta para que o mesmo responsável esteja também a visar seres humanos ligados a uma guerra antiga. Cabe a Gesicht, um detetive robô de inteligência notável, investigar os crimes, ao mesmo tempo que lida com lacunas estranhas na própria memória.

Não há aqui episódios de transição ou de puro preenchimento, cada um deles avança de forma consistente temas como inteligência artificial, guerra, preconceito e luto, sem nunca perder o fio à investigação. Atom acaba por se tornar central na história, mas a série nunca deixa que uma única personagem ofusque o resto do elenco, cuidadosamente construído.

Pluto vai ainda mais longe ao mostrar como certos governos fabricam conflitos e depois deixam que sejam outros, soldados, robôs, civis, a carregar as consequências. Bastam-lhe 8 episódios para construir uma das histórias mais comoventes já contadas em anime.

ViaCBR
Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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