InícioAnime8 animes da Netflix que estão entre os melhores

8 animes da Netflix que estão entre os melhores

A Netflix já não é apenas mais uma plataforma que também tem anime no catálogo. Mais de metade dos seus subscritores consome este tipo de conteúdo com regularidade, e isso nota-se claramente nas apostas recentes da empresa. Nem tudo o que chega à plataforma acerta em cheio, mas há um grupo restrito de séries que se destaca claramente da média.

8
Violet Evergarden

Poster de Violet Evergarden the Movie

Uma ex-soldada que aprende a escrever cartas de amor em nome de outras pessoas parece um ponto de partida improvável para uma das séries mais emocionantes da Kyoto Animation, mas é exactamente isso que torna Violet Evergarden tão especial. Depois da guerra, Violet torna-se numa Boneca de Memória Automática, uma espécie de ghostwriter emocional, e é através desse ofício que começa a compreender aquilo que a sua própria infância lhe negou: afecto, ligação, empatia.

Cada episódio funciona quase como uma pequena história independente, centrada numa nova pessoa e numa nova dor. Essa estrutura episódica, longe de fragmentar a narrativa, acaba por reforçar o tema central da série: a ideia de que compreender o sofrimento alheio é também uma forma de nos curarmos a nós próprios. Poucas séries conseguem mudar verdadeiramente a forma como o espectador olha para o mundo à sua volta, e esta está claramente entre elas.

7
Pluto

PLUTO anime visual

Nem todos os detetives andam à procura de um assassino humano. Em Pluto, Naoki Urasawa, autor de Monster, pega no icónico Astro Boy de Osamu Tezuka e transforma-o num thriller policial sombrio protagonizado por Gesicht, um detetive robô que investiga uma onda de assassinatos direcionados tanto a robôs poderosos como a figuras humanas ligadas às relações entre as duas espécies.

O que impressiona em Pluto não é apenas a rapidez com que constrói um universo coerente e cheio de camadas políticas, mas a forma como usa essa investigação para falar de algo bem mais actual: preconceito, medo e manipulação institucional. É raro encontrar uma série de animação capaz de sustentar simultaneamente um mistério tão bem amarrado e uma mensagem anti-guerra tão clara sem que uma coisa prejudique a outra.

6
Komi Can’t Communicate

Há séries que conquistam pela originalidade da premissa e outras que conquistam por tocarem em algo real. Komi Can’t Communicate pertence claramente ao segundo grupo. Shoko Komi é a menina mais popular da escola, mas por trás dessa aparência esconde uma ansiedade social tão profunda que a impede de comunicar com normalidade, e o objetivo que traça para si mesma, arranjar cem amigos, torna-se o fio condutor de toda a comédia.

A relação que se desenvolve entre Komi e o colega Hitohito Tadano, o único que percebe a verdade por trás do seu silêncio, dá à série um equilíbrio raro entre humor genuíno e uma representação bastante honesta da ansiedade social. É fácil rir com os episódios mais exagerados e, ao mesmo tempo, reconhecer-se nas pequenas inseguranças de Komi, o que explica o carinho que a série continua a gerar entre públicos completamente diferentes.

5
Devilman Crybaby

Masaaki Yuasa não pediu desculpa por nada ao adaptar Devilman, o clássico de terror shonen de Go Nagai, e o resultado, produzido pela Science SARU, é uma das experiências mais desconfortáveis e visualmente arrebatadoras de todo o catálogo Netflix. Em apenas dez episódios, Akira Fudo funde-se com um demónio e assume o poder necessário para combater as criaturas que ameaçam mergulhar o mundo no caos.

O problema é que o verdadeiro perigo acaba por vir de outro lado. À medida que a história avança, é o próprio medo humano, alimentado por paranoia e julgamento colectivo, que se transforma na força mais destrutiva de toda a narrativa. Devilman Crybaby não poupa o espectador a violência gráfica, mas é precisamente esse desconforto que sustenta uma das conclusões mais devastadoras alguma vez vistas num anime desta duração.

4
Great Pretender

Imagem promocional do anime Great Pretender

Poucas coisas são tão satisfatórias como assistir a um golpe bem executado a desenrolar-se sem falhas, e Great Pretender construiu praticamente toda a sua identidade à volta dessa sensação. Makoto Edamura começa a história do lado errado, enganado por um vigarista muito mais experiente, antes de se juntar à equipa deste último numa série de esquemas ambiciosos que atravessam vários países.

A grande decisão criativa da série está na sua estrutura, os 23 episódios dividem-se em quatro casos distintos, o que dá espaço a cada golpe para se desenvolver ao longo de várias sessões, com reviravoltas mais elaboradas do que seria possível numa história fechada num único episódio. Esse ritmo mais cuidado acaba por beneficiar tanto a tensão dos esquemas em si como a construção das motivações de cada personagem envolvida neles.

3
Terminator Zero

Poster japonês de Terminator Zero

Depois de anos a ser recomeçada sem grande sucesso, a saga Terminator encontrou um fôlego inesperado em formato anime. Produzida em parceria entre a Production I.G e a Skydance Television, Terminator Zero afasta-se da família Connor e muda o cenário para Tóquio, em 1997, pouco antes do apocalíptico Judgment Day, seguindo o confronto entre uma combatente da resistência e um Exterminador enviados para o passado para travar uma inteligência artificial rival da Skynet, chamada Kokoro.

A recepção crítica foi claramente positiva, e a série mantém ainda hoje uma das notas mais altas entre as produções recentes ligadas à franquia. Ainda assim, a Netflix confirmou em fevereiro de 2026 o cancelamento da série depois de apenas uma temporada. O criador Mattson Tomlin explicou nas redes sociais que o público habitual de anime tende a ser mais jovem, enquanto o público tradicional de Terminator tende a ser mais velho, e que a série não conseguiu unir as duas audiências de forma suficiente para justificar a continuação junto da produtora. Ainda assim, o desfecho da primeira temporada foi pensado para funcionar de forma fechada, o que permite encará-la como uma obra completa por si só.

2
Delicious in Dungeon

Delicious in Dungeon anime visual 2

O género de fantasia dá por vezes sinais de esgotamento, mas Delicious in Dungeon encontrou uma forma bastante original de o renovar. Depois de perder um membro do grupo, uma equipa de aventureiros passa a matar, cozinhar e comer as criaturas que encontra pelo caminho, transformando uma masmorra perigosa também num roteiro gastronómico pouco convencional.

Por trás do conceito quase cómico esconde-se uma construção de mundo surpreendentemente cuidada, que usa a comida como ponto de entrada para explorar a fauna fantástica da masmorra e, ao mesmo tempo, as relações entre as próprias personagens. Num género que por vezes parece repetir sempre as mesmas fórmulas, esta é uma das abordagens mais frescas dos últimos anos.

1
Cyberpunk: Edgerunners

Produzida pelo Studio Trigger, Cyberpunk: Edgerunners adapta o universo de Cyberpunk 2077, da CD Projekt Red, mas opta por contar uma história completamente original em vez de seguir diretamente o enredo do jogo. A acção decorre em Night City e acompanha David Martinez, um jovem que recorre a implantes cibernéticos cada vez mais arriscados na tentativa de encontrar o seu lugar num mundo profundamente corrupto.

A jornada transhumanista de David aprofunda temas já bastante presentes noutros clássicos do género cyberpunk, como Ghost in the Shell, Akira ou Psycho-Pass, mas fá-lo com uma identidade visual muito própria do Studio Trigger. Entre a estética arrojada e as ideias desconfortáveis sobre identidade, perfeição e a relação entre humanidade e tecnologia, a série tornou-se rapidamente numa das referências mais citadas do catálogo de anime da Netflix.

ViaCBR
Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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