OtakuPT Staff Awards — Weslley de Sousa

 

Olá, Leitores!

 

Após um ano repleto de animes controversos, lançamentos peculiares e obras diferenciadas com muitas repercussões e que dão muita pauta para discussão entre os fãs e leitores de nossos trabalhos na OtakuPT, assim como todo ano nós realizamos uma enquete para votação entre o nosso público, no intuito de vocês escolherem de forma geral e democrática, qual seriam os animes, personagens ou obras fechadas que seriam consideradas merecedoras de adquirirem o posto de Melhor ou Pior anime em alguma categoria de 2016. A Votação se encerrou novamente com opiniões calorosas e que deu o que se debater entre os leitores, mas, não acabamos por ai. Decidimos ir um pouco além e pela primeira vez, mostrar ao nosso público as opiniões da Staff voltadas para cada categoria onde consideramos nossas obras ou personagens favoritos como merecedores de estarem em determinadas posições.

 

Esse que vos escreve, escolherá aqueles que ele o considera como os merecedores de cada quesito, dando sua opinião definitiva sobre esses animes e sem desmerecer as opiniões dos nossos leitores nos comentários abaixo da postagem, criando assim uma discussão amigável e saudável em volta dos motivos que o levaram a colocar os animes em determinada posição. Lembrando que cada membro da Staff poderá ter a oportunidade de criar o seu próprio artigo voltado para os animes, personagens e obras que são merecedoras em sua humilde opinião de estarem adquirindo essas posições nas suas listas individuais. Ninguém é melhor do que ninguém e as nossas opiniões não são definitivas, mas são sempre discutíveis se essa for realizada de forma saudável nos comentários.

 

A Lista se iniciará com as opiniões da Staff Weslley de Sousa, um membro recente da OtakuPT que já prestigiou o site com diversas análises e conteúdos voltados para diferentes mídias, mas principalmente a de animes. Nesse momento, as opiniões serão dadas por ele e não possuem a intuição de passar por cima ou serem dadas como verdades absolutas. Leia o que ele tem a dizer, e vamos discutir amigavelmente nos comentários se vocês concordam ou discordam do nosso membro.

 

 

Por alguns instantes, eu pensei em colocar o Pior Anime de 2016 como sendo Berserk 2016, mas avaliando de forma mais profunda e com uma mentalidade que esteja fora da obra original, ainda passei a acreditar que o posto de Berserk 2016 não deveria ser como o pior anime de 2016 e os seus motivos serão ditos abaixo. Mas sim de Big Order e eu acredito que diversas pessoas votaram no mesmo como sendo o pior anime já produzido em 2016. Os motivos são um pouco claros, muitas das pessoas atacam o próprio de maneiras que eu acredito ser um pouco injustas mas ele é merecedor de tal premiação.

 

Por que? Ele não sabe controlar o seu ritmo narrativo e esse talvez seja o problema mais sério dentro desse anime. Os seus personagens não são bem desenvolvidos ao longo da trama de uma maneira natural, o ritmo da história está indo muito rápido constantemente, apresentando ao telespectador conceitos narrativos, plots e personagens que você em momento algum sabe exatamente quando se importar com eles, como se portar perante eles durante a série e o que esperar deles durante o seu desenvolvimento – se é que existe algum, pois até mesmo o personagem principal possuindo um carisma e um potencial interessante, ele se perde pois a narrativa da história acaba se perdendo por ejetar muitos elementos de história um atrás do outro, perdendo o controle do seu ritmo por estar em constante movimento e constantes paradas para diálogos expositivos que acaba confundindo o telespectador e acaba se tornando uma obra muito antinatural de se acompanhar.

 

O seu início possui muitos elementos de Neon Genesis Evangelion, a sua direção remete bastante ao estilo da Gainax e do próprio Hideaki Ano de se contar e se aprofundar em cenas, cortes e edições de história que eles desejam executar em determinados pontos. Isso funcionaria de uma maneira excelente se a história que eles estivessem contando fosse, de maneira bem executada igualmente, pois em sua maior parte do tempo ela é uma bagunça. A sua qualidade é discutível, eu consegui gostar um pouco da história que ele me contou e talvez é necessário que o telespectador precise assisti-lo por uma segunda vez para pegar os seus detalhes não só da própria trama central como também arcos de personagens e os próprios desenvolvimentos pessoais de personagens em si. Infelizmente, é na minha opinião e acredito que na de muitos, o pior anime de 2016.

 

Antes de começar, um rápido disclaimer: Eu, Weslley de Sousa, não escolhi nenhuma abertura ou encerramento nesse texto pois, na minha sincera opinião pessoal, nenhuma música esse ano me agradou particularmente para que eu dedicasse um momento em especial para ela. Eu gostei de como algumas aberturas foram dirigidas, não nego que teve encerramentos bem bonitos com canções dignas de estarem representando aquela obra no qual foram inseridas, mas nenhuma delas teve um impacto emocional em mim. Portanto, acho justo eu simplesmente não influenciar nos votos ou escolher uma por simplesmente querer preencher o cargo nas votações. Dito isso, vamos aos outros postos.

 

 

 

Sem sombra de dúvidas, os grandes fãs que acompanham a série escrita e produzida pelo grande desenhista Kentaro Miura, estava ansioso para saber como seria as próximas adaptações de Berserk para uma série de televisão. Apesar de sabermos que os custos em torno dos episódios e da própria série seriam menores em relação a trilogia de filmes, os fãs estavam na expectativa de voltar a ouvir as novas vozes escolhidas para os personagens, uma animação que pudesse adaptar as sequências do famoso Arco da Era de Ouro, a entrada de Guts para o Mundo de Fantasia que Berserk iria nos introduzir com uma força mais bruta que qualquer outra série já haveria feito. Porém, acabou se resultado em uma grande quebra de expectativa quando o que nós recebemos foi nada mais do que um grande anime focado em CG com curtas cenas animadas a mão, diálogos, cenas e até mesmo alguns arcos inteiros cortados – mesmo que curtos, porém importantes na construção de Guts, para que somente um único em específico fosse adaptado e que fosse de uma forma muito inferior a qualidade vista na trilogia de filmes de Berserk.

 

A Dublagem sem sombra de dúvidas é muito boa, os personagens e o próprio desenvolvimento da história são dignos de uma obra produzida por Kentarou Miura e dignas de Berserk, porém o infortuno é realmente a qualidade de animação dependente de um CG de péssima qualidade, perdendo e muito para a qualidade de CG anteriormente feita nos filmes de Berserk da Golden Age Arc, onde estamos o tempo inteiro acompanhando a série de anime em uma péssima qualidade de animação e as únicas coisas boas que, apesar de serem feitas com primor, acabam não salvando a obra como um todo.

 

Infelizmente, é a minha maior decepção do ano e eu fico muito triste de dizer que alguma coisa relacionada a Berserk acabou me decepcionando tão fortemente desse jeito. Ainda é melhor do que uma grande lsita de animes lançadas no mesmo ano que ele e consegue ser muito melhor dirigido e executado narrativamente do que talvez muitas séries de animes lançadas nos dias atuais, mas para o nível de “Berserk”, infelizmente a sua qualidade técnica envolvendo uma experiência visual de animação, deixa a desejar.

 

 

ReLife é uma obra que por si só, existe um grande foco central no relacionamento pessoal entre os seus personagens. É uma das séries de Slice of Live – gênero voltado para uma narrativa que contará histórias do cotidiano, que decidem focar nas relações de seus personagens e quando uma série costuma focar nisso, ela precisa ser muito bem escrita a ponto de não ficar somente uma vida literal de personagens humanos onde nada acontece. Em ReLife isso é diferente, principalmente pela perspectiva escolhida para nós acompanharmos os dramas dos personagens e termos uma visão adulta para narrar e também ser desenvolvida com o tempo, e essa visão vem de Arata Kaizaki, o protagonista de ReLife e talvez um dos personagens mais bem desenvolvidos e carismáticos do ano de 2016.

 

A construção do personagem em torno da história é um elemento fundamental para compreendermos mais sobre o seu relacionamento e ponto de vista voltados ao cenário no qual ele se encontra após os desfechos iniciais da série que levará a própria. Por ele ser um personagem adulto em um meio familiar para adolescentes, uma escola, nós temos uma outra perspectiva sobre os dramas que sempre estivemos familiarizados a testemunhar nos animes de Slice of Live, e não só isso, como também ao mesmo tempo nós temos uma mente que passa por seus próprios dramas adultos e que nada disso é tratado de uma forma pífia como um anime desse gênero normalmente trataria. É de suma importância nós conhecermos a visão de mundo que esse personagem possui, as dores que acompanham a sua vida até o seu estado adulto, a sua mente problemática mas séria voltada a um ambiente mais adolescente e como ele lidará com esses novos conflitos impostos a sua nova rotina de vida, tudo isso trabalhando em conjunto com um desenvolvimento humano sendo trabalhado nos seus relacionamentos pessoais com cada personagem da série.

 

Ele é um dos grandes fatores que tornam ReLife uma obra, assim como OreGairu, madura e apesar de conter dramas adolescentes comuns e até mesmos típicos de estarem no gênero contido a história, não são levados de uma maneira infantil e são bem estruturadas e bem levadas pela história, são bem construídas e são arcos necessários que sempre trabalharão com a dinâmica de interação dos personagens entre si, sempre como resultado nós teremos a construção de personagens e elementos sendo construídos para conhecermos melhores outros personagens ao redor de Kaizaki, perante a sua visão e o quão importante e fundamental para a construção do próprio isso vai se tornando. É definitivamente, na minha opinião, o melhor personagem masculino de 2016.

 

 

 

Makoto Shinkai é um grande homem no quesito de construir boas narrativas para passar uma mensagem contida dentro dele para o seu público e também para o mundo. Além disso, esse homem nunca se segurou a somente isso, cada vez mais a sua ambição ia mais longe, como por exemplo, nos deixar perplexos com o quão bem desenvolvido são as suas animações, o seu cuidado nos detalhes de suas obras e o carinho que ele tem com o nosso entretenimento áudio-visual. Porém, nem sempre ele foi o primor de animação e construção de ambientação que ele é nos dias de hoje, mas algo que ele sempre foi indiscutivelmente é uma pessoa que sabe escrever “pessoas”. Ele sabe desenvolver personagens, nos deixar conectados com eles, sentirmos que não estamos acompanhando “tipos”, “estereótipos”, “personagens genéricos” a nossa frente para somente passarmos o nosso tempo absorvendo uma mídia passiva sem tirar proveito de qualquer coisa. Eu acredito que, no máximo disso e no seu primor até os dias atuais, está a personagem Mitsuha Miyamizu de Kimi no na Wa.

 

Sem se aprofundar em Spoilers pois algumas pessoas ainda não tiveram o prazer ou o desprazer de assistir ao filme e ter a obra julgada por si mesmos, eu diria que é uma das melhores personagens femininas já desenvolvidas em uma obra japonesa por ela ter dramas muito factuais com os dramas de uma adolescente dos tempos modernos e principalmente regionais. O Makoto Shinkai consegue nos entregar com uma certa maestria, uma personagem que não é um estereótipo japonês de uma mulher e não é também uma visão masculina do que uma mulher verdadeiramente é e o quanto dessa visão de homem pode influenciar no desenvolvimento dessa personagem. Além disso, temos o próprio desenvolvimento dela dentro da trama do filme, assumindo o papel de um personagem masculino e se comportando de uma maneira que você consegue compreender que seriam atitudes realmente femininas de uma garota que deverá enfrentar dificuldades constantes de assumir um ponto de vista masculino em determinados pontos da sua vida.

 

A personagem consegue cativar muito não só pelo charme que ela nos vende como uma personagem feminina, mas também na sua devida importância dentro da trama e o quão bem é desenvolvido o seu relacionamento com o outro personagem e o quanto isso vai lentamente mudando a sua visão como mulher narrativamente dentro da história, onde cada vez mais ela vai compreendendo o seu papel e cada vez mais sendo desenvolvida para o caminho no qual Kimi no Na Wa realmente brilha enquanto uma experiência narrativa mais bem produzida pelo Makoto Shinkai até então.

 

 

 

OreGairu é uma obra que por si só eu considero ser melhor do que qualquer coisa que havia sido produzido para a indústria naquele ano e talvez seja longe uma das melhores obras produzidas na história do japão nesse meio de animes e mangás. Eu considero que poucos animes se preocupam em desenvolver personagens adolescentes que não só estão nesses animes para se conectarem com o público, como também interpretar esse público e passar uma devida mensagem através de uma narrativa que se preocupe em dar tempo o suficiente de tela para desenvolver todos eles em uma trama muito próxima aos animes de hoje em dia mas que também tem o seu devido propósito na trama em si. Não há o que discutir como ele se preocupa tanto em desenvolver relações pessoais em um gênero que está muito mais do que defasado, obras mecânicas e muito óbvias no que elas vão passar, personagens rasos e uma sequência de história bátida, enredo muito precário de atenção e detalhes.

 

Diferente disso, OreGairu se preocupou com cada mínimo detalhe e é incrível o quão bem ele consegue trabalhar com todos os quesitos em seu geral, personagens, construção de enredo, sequência de atos que geram uma ação. Uma Narrativa que é inacreditável de tão bem escrita e o protagonista é incrível, talvez um dos melhores protagonistas já criados na história dos animes de Slice of Live, não só pelo seu carisma gigantesco como também a sua grande conexão com a própria realidade Otaku e o próprio sistema de ensino, talvez mundial, pois grande parte das críticas e pensamentos descritos pela narrativa são elementos que se mantem nos dias de hoje por todos os cantos do mundo. É coerente e é isso que faz ele tão bom.

 

Dito tudo isso sobre a Obra: O OVA não passa tão bem os motivos de porque gostamos de OreGairu, mas ele tem elementos tão fortes de OreGairu que você acaba por deixar isso passar despercebido pois o grande potencial que ele se propõe desde o início da série, é mantido que é: Desenvolver Relacionamentos. O Principal elemento que é a própria narrativa e o desenvolvimento de relacionamento entre personagens que o torna muito destoante de todos os OVAs lançados até então, captando elementos de história que faltaram ser desenvolvidos e trazendo isso como um elemento presente da série principal, desenvolvendo eles e nos mostrando um pouco mais dessa falta de tempo para devida personagem e seu relacionamento ser explorado, mas sem afetar a própria série e sim complementando, pois apesar de essa falta de tempo ser notada na segunda temporada, você entende os motivos dos quais isso não ocorreu pois diferentes elementos eram desenvolvidos. Eu entendo o motivo de ter ficado de fora e também por ter ficado regrado a somente um OVA, mas também um dos elementos que tornam ele muito atrativo não é somente MAIS UM OVA, é essencial para você conhecer um pouco mais do relacionamento desses personagens entre si e o quão bem ele consegue fazer isso.

 

 

 

É uma obra emblemática onde ele trabalha conceitos de mistério de uma maneira que acaba não sendo gratificante ou cumprindo seu papel como entretenimento para algumas pessoas, mas em seu geral, é indiscutível a sua qualidade para desenvolver personagens como seres humanos dentro de uma trama que nós telespectadores podemos já ter como um fator óbvio da série, principalmente quando assistido a abertura e seu encerramento. Apesar disso, eu não acredito que o grande elemento chamativo e que atraí parte do público seja o seu mistério, mas sim a forma como ele trabalha tão bem os personagens que você consegue se conectar a eles de uma maneira que eles não parecem ser somente figuras animadas e caricatas de um estereótipo japonês, são pessoas comuns com personalidades que você consegue encontrar no seu dia a dia e o drama desenvolvido por volta deles e principalmente o carisma dado para o protagonista e a visão que temos dele de tudo ao seu redor, é um dos fatores que, com certeza, dão a ERASED o posto de o Melhor Anime de 2016 na minha opinião.

 

A sua qualidade de edição é acima de todos os animes que eu assisti essa temporada, a técnica de edição utilizada nele e até mesmo a qualidade e detalhes cuidadosos dados a animação, conversam constantemente com a estrutura narrativa que a história se utiliza para contar a história desses personagens e dessa situação dramática que o protagonista se encontra. Além disso, uma utilização sempre pontual de uma trilha sonora que não parece deslocada, não parecem ser músicas que não conversam com a atuação dos personagens, a perspectiva da história, a carga emocional imposta para as cenas: tudo no anime conversa com exceção do enredo construído para desenvolver o grande climax final da trama, pois infelizmente nesse quesito a obra falha mas, eu ainda acredito que isso talvez não seja o que a história queira te entregar como o seu elemento maior de história, e sim o que eu já disse anteriormente, o seu cuidado narrativo com os personagens. É sem sombra de dúvidas o meu melhor anime de 2016.

 

 

Obrigado para vocês, leitores da OtakuPT, que acompanhou essa postagem até aqui. Agradeço por vocês nos acompanharem todos esses anos e agradeço ainda mais para a Staff que me acolheu de tão bom agrado e que me permite criar conteúdos tão comunicativos com essa comunidade que, apesar de eu não gostar do Japão e da cultura defasada que é a Otaku, eu gosto de como especificamente aqui na OtakuPT eu consigo me sentir satisfeito por conversar com vocês sobre animes e compartilhar da minha opinião com vocês, algo que dificilmente eu teria uma liberdade editorial de fazer. Aguardo por vocês nas próximas votações e divirtam-se vendo seus animes favoritos ou conhecendo novos animes que estão por vir.

 

Tchau!

Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 40 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.