InícioJapãoDois brasileiros detidos por roubo de joias e relógios no Japão

Dois brasileiros detidos por roubo de joias e relógios no Japão

A polícia japonesa deteve dois cidadãos brasileiros suspeitos de assaltarem uma casa de penhores na prefeitura de Chiba, nos arredores de Tóquio. Os investigadores acreditam que o golpe foi planeado por uma rede criminosa anónima, daquelas que recrutam executantes através de aplicações de mensagens e raramente dão a cara.

Os dois suspeitos são Alisson Mexon Miyashiro, de 30 anos, e um jovem de 20 anos. De acordo com a polícia, os homens terão partido uma janela com um pé de cabra para entrar numa casa de penhores na cidade de Matsudo, em outubro do ano passado.

Lá dentro, terão levado 32 artigos, entre anéis e relógios de luxo, avaliados em cerca de 2,89 milhões de ienes.

Parte dos produtos roubados foi depois vendida numa loja de compra de artigos em segunda mão na prefeitura de Shizuoka, segundo as autoridades.

Esta não é a primeira detenção no caso. Já tinham sido apanhados outros quatro suspeitos, dois japoneses e dois brasileiros. A investigação aponta para a intervenção de um recrutador, que terá recorrido a conhecidos para formar o grupo em pouco tempo.

A investigação está a cargo de uma equipa conjunta da Polícia Metropolitana de Tóquio e da Polícia da Prefeitura de Chiba, que suspeita que o assalto foi obra de um grupo tokuryu.

Durante o interrogatório, Miyashiro admitiu os factos de que é acusado. O outro detido, de 20 anos, nega qualquer envolvimento e disse aos investigadores: “Não tenho absolutamente nenhuma memória disto“.

A polícia continua a investigar a rede para identificar quem orquestrou o roubo.

O que são os grupos tokuryu

O termo designa grupos criminosos anónimos e de estrutura flexível, sem a hierarquia rígida da yakuza. São grupos frequentemente associados a burlas, assaltos violentos e outros crimes, que recrutam membros através de anúncios duvidosos de trabalho a tempo parcial nas redes sociais, enquanto os cabecilhas permanecem anónimos. Em 2024, a polícia japonesa agiu contra 10.105 pessoas por crimes destinados a financiar estes grupos.

Os líderes comunicam através de aplicações como o Signal e o Telegram, que oferecem anonimato, e raramente conhecem pessoalmente os executantes, o que dificulta a identificação dos mandantes. O fenómeno cresce numa altura em que a yakuza perde força, o número de membros mais do que reduziu para metade numa década, até 20.400 em 2023.

As autoridades japonesas estão a tentar adaptar-se. Em setembro, um painel de peritos da Agência Nacional de Polícia propôs a análise remota de smartphones usados por estes grupos, e a agência pretende apresentar um projeto de lei ao parlamento numa sessão extraordinária prevista para o início de outubro.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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