
Quem já passou um verão em Tóquio sabe bem do que se trata, humidade a rondar os 80%, temperaturas que não dão tréguas nem de noite e um trajeto de metro que, por vezes, chega a ser mais desgastante do que o próprio dia de trabalho. Foi a pensar nesse cenário que a cadeia japonesa de roupa de escritório Yofuku no Aoyama decidiu levar para o mundo do vestuário formal uma tecnologia que, até agora, estava praticamente reservada a operários da construção civil e a trabalhadores de eventos ao ar livre: ventoinhas incorporadas na própria roupa.
O novo modelo, batizado de Kucho Wear Short-sleeved Shirt, parece à primeira vista uma simples camisa de manga curta em tom liso, o tipo de peça que qualquer profissional japonês veste sem pensar duas vezes antes de sair de casa. Só ao reparar melhor nas costas é que se percebe que existe ali qualquer coisa fora do comum: duas pequenas ventoinhas, uma de cada lado, na zona lombar, ligadas a uma bateria recarregável.
Quando ativadas, essas ventoinhas puxam ar para dentro da camisa e criam uma corrente que ajuda a arrefecer quem a veste, um princípio muito semelhante ao que já é usado há alguns anos em coletes e casacos de trabalho pensados para quem lida com temperaturas extremas no exterior, seja em obras, na recolha de lixo ou em funções de segurança em grandes eventos. A diferença é que, até agora, essas peças pareciam mesmo equipamento de trabalho e não roupa que se pudesse vestir para uma reunião com clientes.

A grande aposta da Yofuku no Aoyama, feita em parceria com a FZN, marca da SUN-S Co. especializada em roupa com sistema de ventilação (a mesma responsável pela linha Kuchofuku, já bem conhecida no Japão), foi conseguir disfarçar o sistema o suficiente para que a camisa continue a parecer apenas uma camisa, mesmo de outros ângulos que não o das costas.
Houve um cuidado especial em manter o peso do conjunto o mais baixo possível para não comprometer o conforto, cada uma das duas ventoinhas pesa 95 gramas, enquanto a bateria recarregável soma 165 gramas ao conjunto. A marca não avança, no entanto, dados sobre o nível de ruído das ventoinhas em funcionamento, o que sugere que talvez não sejam propriamente silenciosas.
Aliás, é por isso mesmo que a ideia não é ligar as ventoinhas durante uma reunião ou uma conversa com colegas, já que esses momentos acontecem normalmente dentro de escritórios já com ar condicionado. A verdadeira utilidade da camisa está nos momentos em que se está exposto ao calor lá fora, como o percurso entre reuniões espalhadas pela cidade, sem que seja preciso levar uma muda de roupa extra ou chegar ao destino completamente encharcado em suor.

O chamado kit completo, disponível em azul ou cinzento e nos tamanhos M, L e XL, inclui a camisa, as duas ventoinhas, a bateria recarregável e o respetivo cabo de carregamento, por 17.490 ienes, cerca de 96 euros. Está já à venda nas lojas físicas da Yofuku no Aoyama e também através da loja online da marca.
Este tipo de vestuário refrigerado não é propriamente uma novidade no Japão, onde a marca Kuchofuku já vende há anos versões deste sistema para trabalhadores expostos a temperaturas elevadas, e onde os verões têm vindo a bater sucessivos recordes de calor. O que muda agora é o público-alvo, com cada vez mais gente interessada em soluções deste tipo mesmo fora de contextos profissionais associados a trabalho físico, faz sentido que marcas viradas para o vestuário de escritório, como a Yofuku no Aoyama, comecem a explorar este território, adaptando a tecnologia a um visual que passa despercebido debaixo de um blazer ou junto de uma gravata.









