
Há precisamente uma semana, a Ninja Theory subia ao palco do Xbox Games Showcase para revelar Senua, o próximo capítulo da saga que começou com Hellblade. Um jogo de ação e aventura com lançamento previsto para 2027, maior em escopo do que qualquer coisa que o estúdio de Cambridge tenha feito anteriormente. Hoje, a mesma Ninja Theory está em negociações com a Microsoft para tentar evitar o seu próprio encerramento.
A notícia foi reportada pelo Bloomberg, com Jason Schreier a revelar que a Ninja Theory, a Double Fine e a Compulsion Games se encontram todas em conversações com a Xbox numa tentativa de não serem encerradas. Os três estúdios estariam a tentar comprar a sua independência à Microsoft, uma espécie de spin-off que lhes permitiria continuar a existir fora do portefólio Xbox, embora o mesmo relatório indique que, mesmo nesse cenário, os despedimentos seriam inevitáveis. Segundo o Bloomberg, os funcionários de vários estúdios foram informados da situação e autorizados a procurar emprego noutros sítios, mas também avisados de que nada está ainda definido.
A situação da Ninja Theory é particularmente difícil de digerir pelo timing. No Xbox Games Showcase de 8 de junho, Dom Matthews, diretor do estúdio, descreveu Senua como algo “fresco, novo e diferente” em relação aos dois Hellblade anteriores, uma aventura de ação de maior dimensão, com combate mais profundo, exploração e resolução de puzzles, prevista para Xbox Series X/S, PC e PS5. Foi uma das maiores surpresas do evento. Na mesma semana, a Ninja Theory confirmou o cancelamento de Project Mara, o seu projeto experimental de horror. Agora, menos de dez dias depois, o estúdio luta pela sua própria sobrevivência.
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A Double Fine está numa posição semelhante. O estúdio de Tim Schafer, conhecido por Psychonauts e Grim Fandango, lançou Kiln apenas em abril deste ano, um brawler multijogador com mecânicas de olaria que chegou à Xbox, PC e PS5 a 23 de abril de 2026, com entrada imediata no Xbox Game Pass. Era o segundo lançamento da Double Fine em menos de um ano, depois de Keeper em outubro de 2025. Agora, pouco mais de um mês após o lançamento de Kiln, o estúdio de São Francisco encontra-se também em negociações para tentar não ser fechado.
O caso da Compulsion Games foi o que primeiro veio a público hoje, o estúdio por detrás de South of Midnight enfrenta o encerramento apesar de ter ganho um Prémio Peabody em abril. Mas a dimensão do que está a acontecer dentro da Xbox é significativamente maior do que um único estúdio.
Este cenário insere-se num processo de reestruturação profunda que a CEO do Xbox, Asha Sharma, tem descrito publicamente como um “reset” da divisão, admitindo que o negócio “não estava num estado saudável”. Uma vaga de despedimentos em grande escala está prevista para julho, após o final do ano fiscal da Microsoft a 30 de junho. Hoje mesmo, Craig Duncan, que liderava os Xbox Game Studios, anunciou a sua saída, tornando esta numa das segundas-feiras mais turbulentas da história recente da divisão de jogos da Microsoft.
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A ironia não escapa a ninguém, o Xbox Games Showcase de há uma semana foi amplamente elogiado, com anúncios como o novo Spyro the Dragon e precisamente o Senua da Ninja Theory a gerarem entusiasmo genuíno. Menos de dez dias depois, vários dos estúdios que protagonizaram esse momento de otimismo estão a negociar a sua existência.









