
O movimento Stop Killing Games, conhecido pela luta contra o encerramento definitivo de jogos que deixam de funcionar quando os servidores são desligados, decidiu vir a público distanciar-se do grupo responsável pelas recentes leaks de Grand Theft Auto VI. A organização reconhece que partilha preocupações semelhantes às invocadas pelo CYBERLEEK, mas não está disposta a validar os métodos usados.
O Stop Killing Games ganhou notoriedade internacional no verão passado, depois de uma petição sobre preservação de jogos ter ultrapassado 1,4 milhões de assinaturas ainda antes do prazo terminar. Desde então, o movimento tem mantido uma postura essencialmente legal e institucional na forma como conduz as suas campanhas, o que ajuda a explicar o desconforto agora manifestado.
Num comunicado publicado no X a 19 de agosto, a Stop Killing Games optou por não identificar diretamente o grupo responsável pela fuga, alegando não querer dar-lhe ainda mais visibilidade. Ainda assim, a mensagem é clara quanto ao motivo da discordância, o aproveitamento comercial do episódio através da promoção de uma memecoin.
Eis o comunicado:
“Um comunicado sobre a atual situação da leak de imagens de GTA 6. Imagens de GTA 6 foram divulgadas, e um grupo de piratas informáticos, que deliberadamente não vamos nomear aqui, para evitar dar-lhes ainda mais atenção, reclama a responsabilidade. As imagens em si parecem ser genuínas: a Take-Two já as tem estado a atingir com notificações de remoção DMCA, e a rapidez desses ataques é, por si só, um forte sinal de autenticidade. O grupo está a usar a fuga para promover uma memecoin, associando links de criptomoedas e códigos QR às imagens e pedindo às pessoas que paguem por mais.
Não enviem dinheiro a estas pessoas, por mais simpatia que possam sentir pelas suas ações. Isto é ilegal e, francamente, sentimos por todos na Rockstar que têm de passar por esta provação outra vez, especialmente a pouco mais de uma semana da estreia oficial do próprio Extended Look da Rockstar.
Usar meios ilegais para fazer passar uma mensagem é inaceitável para nós e em nada protege o nosso direito de continuar a usar aquilo por que pagámos. Por mais que discordem das decisões da gestão de topo destas empresas, continuam a existir milhares de programadores que trabalharam arduamente neste projeto — e são eles os mais atingidos.
Canalizem essa frustração para algo construtivo. Este tipo de ato é destrutivo e não ajuda ninguém, e pior ainda, arrisca manchar a reputação das nossas comunidades e as nossas hipóteses de conseguir mudança. A história também não está do lado do leaker: a última pessoa que fez isto à Rockstar, em 2022, acabou com uma ordem hospitalar indeterminada. Esta não é uma causa que valha o risco do vosso dinheiro ou do vosso futuro. (Duvidamos seriamente que o hack tenha sido, a sério, por esse motivo)“.
A referência do comunicado à memecoin não surge isolada. Vários órgãos internacionais têm vindo a confirmar que o material da leak inclui, de facto, ligações e códigos QR direcionados para um token na rede Solana associado ao grupo, algo que o próprio CYBERLEEK justifica como forma de financiar um “projeto secreto” ligado à sua causa.
O paralelismo entre os dois movimentos não é acidental. O manifesto divulgado pelo CYBERLEEK cita explicitamente o caso do jogo The Crew, da Ubisoft, tornado permanentemente injogável mesmo para quem já o tinha comprado — o mesmo exemplo que serviu de rampa de lançamento para a própria campanha do Stop Killing Games. Ainda assim, é precisamente essa aparente apropriação da causa, associada à promoção de um ativo digital, que está a gerar desconforto junto de quem já lutava por objetivos semelhantes através de vias legais.









