Lançado em novembro de 2025 para PC, Constance é um metroidvania 2D desenvolvido pelo estúdio independente Blue Backpack que chega às consolas no dia 1 de maio, com versões para a PlayStation 5, Xbox Series, Nintendo Switch e Nintendo Switch 2.
A narrativa apresenta-nos a história de uma jovem artista que, após cair num mundo desconhecido, recebe a missão de ajudar os seus habitantes antes de conseguir regressar a casa. Enquanto nos envolve na sua fantasia, o jogo vai trazendo ao de cima temas delicados que afetam muitos de nós no quotidiano, como a pressão laboral, o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, a ansiedade e o impacto destes conflitos na nossa saúde física e mental.

Durante esta viagem emocional, percebemos que a finalidade do jogo passa por despertar a nossa consciência para estes problemas, que devem ser encarados e não postos de lado. É precisamente isso que me faz valorizar ainda mais os videojogos, a capacidade de usarem o entretenimento para transmitir mensagens e ensinamentos tão necessários, mesmo quando nos lembram de momentos menos felizes da nossa vida.
A jogabilidade foca-se na vertente metroidvania e fá-lo com mestria. Inspirando-se em gigantes como Hollow Knight ou no recente Silksong, apresenta um sistema de combate e plataformas cativante. Neste caso, Constance preferiu distanciar-se das tendências, deixando de lado a fórmula soulslike, uma decisão bem pensada, já que nem todos os projetos conseguem inovar nesse campo, acabando muitas vezes por ser apenas mais do mesmo.
Com a moeda Cintilar podemos comprar itens na loja, enquanto as Pedras Prismáticas servem para adquirir Inspirações.
Isso não significa que o jogo seja inteiramente acessível ou menos desafiante. Os inimigos podem não causar danos punitivos, mas para os derrotar precisamos de concentração e prudência. Os bosses são um excelente exemplo disso, criativos e exigentes que requerem metodologias que variam entre esquivas constantes ou o uso das habilidades desbloqueadas ao longo do jogo para evitar os obstáculos invocados durante as batalhas. Há ainda que ter em conta para não abusarmos dos poderes de tinta da nossa protagonista, já que isso pode a sobrecarregar e levá-la a perder vida ao tentar usar as suas habilidades.

A construção dos níveis também proporciona um desafio bem medido. Nem sempre exigem grande astúcia nos saltos, mas precisamos de analisar os obstáculos antes de nos metermos em sarilhos, já que avançar sem ler o ambiente pode correr mal. Quanto ao backtracking, os entusiastas do género encontrarão aqui alguns elementos habituais mas sem zonas excessivamente complexas. Tudo o que encontramos tem um propósito para a nossa evolução, desde novas técnicas, itens para aumentar a vida até frascos de tinta, sendo estes últimos importantes para utilizarmos habilidades especiais que ajudam no combate e são necessárias para desbloquear novos caminhos.
O grande trunfo da exploração está ligado à mecânica da tinta. Desde o início, a protagonista pode transformar-se em tinta para mergulhar no chão ou atravessar obstáculos. A própria habilidade permite-nos encarar os inimigos e até esquivar dos ataques com maior facilidade. Além disso, em vez dos típicos itens, colecionamos “inspirações” que ficam guardadas no diário. Estes desenhos funcionam como habilidades passivas, mas, como o espaço no caderno é limitado, temos de escolher quais os esboços que melhor se adequam à nossa estratégia.
A sensação de progressão e o design do mapa estão claramente bem pensados. Até o combate, na sua relativa simplicidade, funciona muitíssimo bem, focando-se em penalizar os mais distraídos sem recorrer a picos de dificuldade demasiado artificiais.

Graficamente, desta vez chegou a vez de Constance sobressair nas consolas e, no meu caso, joguei-o na Nintendo Switch 2, onde o desempenho foi excelente. O mundo desenhado à mão é vibrante e transborda de criatividade em cada bioma e inimigo.
Na Nintendo Switch e na Nintendo Switch 2 temos quatro modos disponíveis. O modo Performance privilegia os 60 fps, sacrificando alguma fidelidade visual; o modo Balanço baixa a resolução para equilibrar fluidez e qualidade de imagem; o modo Qualidade fixa-se nos 30 fps, mas oferece a melhor fidelidade visual e resolução; e, por fim, o modo Máxima, a minha escolha e também a recomendada pelo estúdio, que procura o melhor equilíbrio entre taxa de frames, resolução e qualidade visual na Switch 2.
No que diz respeito à banda sonora, ela consegue atribuir ainda mais carisma e magia ao mundo, com melodias emocionantes que nos acompanham durante a exploração e combate, variando entre momentos suaves e melancólicos e outros mais intensos conforme a ação. Gostei especialmente do uso de sons para dar vida e personalidade aos habitantes deste mundo. O jogo apresenta ainda legendas em português do Brasil, o que é sempre um ponto positivo para a acessibilidade.
Constance é uma pequena pedra preciosa a juntar ao panorama independente. A sua jogabilidade é simples, mas polida e cativante, tanto nas secções de plataformas como no combate, acompanhada por uma narrativa bem construída e por uma componente artística que merece ser valorizada. A Blue Backpack tomou uma boa decisão ao trazer esta jornada para as consolas, permitindo que mais jogadores tenham acesso a jogos criativos de qualidade como este.












